Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Pequenos gestos, pequenas palavras - a inspiração merecida!

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Escreve quem sabe

2015-03-24 às 06h00

Cristina Palhares

De volta ao nosso grupo de pais (no programa de enriquecimento da ANEIS Braga) e à tertúlia dinamizada por todos e para todos, temos um espaço privilegiado na partilha de muitas histórias de vida, que, não podendo ser, nem querer ser práticas a replicar ou teses a generalizar, são no entanto fonte de inspiração (e porque não de expiração) de todos quantos querem uma educação diferente para os nossos filhos/alunos.

E quando nos socorremos de um dos dicionários portugueses em que à palavra “expiração” é dado o significado de: processo da respiração que promove a saída do ar dos pulmões, que tinha entrado pelo processo de inspiração, fazer um paralelismo com esta pequena tertúlia, espelha bem o que todos sentimos por partilhar e expor as dificuldades, os obstáculos, as boas ou as más práticas pedagógicas, os percursos escolares vividos pelos pais e professores, na aceitação e reconhecimento da diferença. Nesta tertúlia, como momento de inspiração que todos reconhecem, vários momentos houve de pura “expiração”.

O deitar fora o ar entretanto acumulado nos pulmões por pais que foram entendendo que o percurso escolar dos seus filhos afinal era tão parecido com o percurso escolar dos filhos de quem falava e partilhava. Momentos de expiração, no deitar fora o ar acumulado nos pulmões quando se sente que afinal não estamos sós no mundo, que outros têm ou tiveram que ultrapassar e caminhar por caminhos que julgavam ser únicos: só deles! Momentos de expiração quando sentimos que a angústia que hoje sentimos pelas dificuldades encontradas nos percursos de vida dos nossos filhos/alunos, afinal são réplicas de percursos de tantos outros filhos/alunos.

E é neste processo de inspiração/expiração, em que inspira quem partilha e expira quem ouve, que podemos perceber como a caixa torácica diminui (cft com diminuição da ansiedade causada pela visão única e pessoal), como se efetiva com o relaxamento dos músculos intercostais (cft com o relaxamento genérico emocional e corporal) e como acontece a reposição do equilíbrio de pressões internas e externas (cft com o garante emocional comumente apelidado de “alívio”). Neste pequeno interlúdio vocabular a que me permiti entre “inspiração” e “expiração”, e que agora parece ser efetuado apenas no ajuste emocional, não o é somente, de facto.

Ele é físico também. Tal qual o descrevi. Como muitas vezes refiro a nobre arte do “espanto” (do foro cognitivo e emocional) que se reflete no Ahhhh!! (verbalizado e sonorizado), também a “nobre arte” da “expiração” se reflete num audível sopro de quem se deixou de sentir só: “o percurso escolar do meu filho que está a ser difícil, mas afinal tão igual ou parecido a outros pais: os mesmos obstáculos, as mesmas angústias, os mesmos processos”. E a tertúlia continuou, trocando de papéis: os que há pouco inspiraram, expiram a seguir...

De todas as palavras partilhadas ficam por certo algumas que nos vão fazendo refletir nos minutos, nas horas, nos dias seguintes. De tudo o que se foi falando ficou-me a imagem da urgente necessidade de resgatar a autoestima dos nossos filhos/alunos. Hoje, a estimulação generalizada pela quantidade de informação assimilada e a assimilar, elevou os níveis de ansiedade a um grau muito elevado. Como diz Cury, “a ciência provocou uma verdadeira revolução no mundo exterior e no mundo das ideias, mas o seu impacto no mundo da emoção gerou mais efeitos colaterais do que benefícios”.

E este níveis de ansiedade resultam normalmente em graves problemas de autoestima. Aqui, os níveis de ansiedade exacerbados são válidos não só para os nossos filhos/alunos como para os pais/professores. Promover a autoestima dos alunos só se faz através do elogio. Do elogio puro e duro, como gosto de dizer: “és o máximo”, “trabalho bem feito”, “boa ideia”. Saber dizer-lhe o quão importante ele é para nós, pais ou professores. São pequenas palavras, pequenos gestos, que fazem toda a diferença. No corredor, na sala de aula, nos espaços comuns, na escola! O elogio às características pessoais ajuda à critica que pode vir a ser necessária. E parece fácil! Mas não parece, não. É fácil mesmo!

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