Correio do Minho

Braga, terça-feira

Pode ser sempre Natal

Desprezar a Identidade, Comprometer o Futuro

Escreve quem sabe

2013-12-20 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Terminei o meu último artigo, a propósito da ação de recolha de alimentos do Banco Alimentar Contra a Fome, com uns versos de Ary dos Santos - Quando um homem quiser:

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser

No nosso imaginário e nas nossas vidas Natal é, por excelência, o tempo da família, onde toda a atenção está centrada nas crianças, de quem dizemos que são o centro do mundo!
Será que esse mundo a que aludimos só dura um par de dias, será que os outro trezentos e muitos dias se centram no adulto, no consumismo ou estão tão relativizados que a criança possa perder a sua verdadeira importância, face aos interesses quotidianos do adulto?
Não tenho dúvidas que, excetuando algumas mentes perversas, os adultos amam as crianças e que, no Natal, todas as suas energias nelas se focalizam, tenhas elas a condição de filho, familiar, conhecido ou desconhecido. Por isso, convido o leitor a regressar ao texto do poeta com quem, independentemente do Natal em que acreditamos, estamos todos de acordo, de facto: Natal (...) é quando um homem quiser. A questão não é saber se estamos de acordo, mas sim em identificar impacto do nosso contributo, de cada um de nós, e da nossa ação no dia-a-dia das crianças.
Por isso, cada um de nós deve olhar para o seu íntimo, para a sua “alma”, e perguntar-se o que fiz eu para que esta afirmação do poeta se transforme em realidade. É uma resposta pessoal que procuramos encontrar e, independentemente desta, porque passado é passado e já não se pode alterar, e porque as crianças crescem para o futuro, pensemos, hoje, qual será o nosso contributo para que Natal aconteça todos os dias na nossa vida e na vida dos outros.
Madre Teresa de Calcutá disse um dia: “O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor”, por isso, não tenhamos medo de contribuirmos com uma pequena gota para que as crianças possam ter Natal todos os dias das suas vidas, saibamos, como a Beata, que “o importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá”, para que, desta forma, possamos contribuir para a felicidade de todas as crianças, para que estas possam ser verdadeiramente crianças.
Esta linha de vida tem, talvez hoje, para cada um de nós que vivemos nesta crise que nos tolda o coração, um significado muito mais atrativo, mobilizador e portador de esperança, pois cada um de nós pode distribuir aquilo que ninguém nos pode tirar: o Amor, só com ele se pode combater a maior de todas as pobrezas: a que resulta da falta de amor.
Diz-se que o amor move montanhas, preparemo-nos para, aproveitando esta quadra natalícia, podermos ser aquele sinal de esperança para todos os que a vida não bafejou com a sorte, e assim, ao amanhecer, todos os dias, tal como nos campos de jasmim, possam sentir o suave perfume da felicidade que a nova vivência irradia.
Caros leitores, para vós e para as vossas famílias, votos de Santo Natal e Feliz Ano Novo.

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