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Poder de Compra e Bem-Estar das Famílias Portuguesas mantém-se abaixo da média europeia!

A recuperação das aprendizagens

Poder de Compra e Bem-Estar das Famílias Portuguesas mantém-se abaixo da média europeia!

Ideias

2021-01-16 às 06h00

António Ferraz António Ferraz

Em Economia temos vários indicadores que tentam expressar o poder de compra e o bem-estar das famílias de um dado país. Entre eles, destacam-se:
(1) O indicador de atividade económica, o “Produto Interno Bruto ‘per capita’ medido em paridades de poder de compra”: “PIB p c em PPC” que indica a riqueza produzida (PIB) por habitante medido em paridades de poder de compra (em PPC), ou seja, o valor do “PIB p c” mas ajustado ou corrigido pelo diferencial de inflação entre um Estado-membro e à média da União Europeia (UE-27);
(2) O indicador (mais adequado) na aferição do bem-estar das famílias, a “Despesa de Consumo Individual “per capita” medida em paridades de poder de compra: “DCI p c em PPC”, isto é, os gastos em consumo de bens e serviços individual por habitante medida em paridades de poder de compra (em PPC). Passa-se a analisar de seguida e com base em dados do INE e Eurostat, qual tem sido a evolução em Portugal desses indicadores em comparação com à média da UE-27.
(1) “PIB p c em PPC”: Em 2019, fixou-se em 79,2% face à média da UE-27 (média da UE-27=100%), logo, um valor ainda bem abaixo da média europeia (menos cerca de 20%), embora acima do valor registado no ano anterior de 78,3% (em 2017 foi de 77,5%), uma melhoria em termos de convergência real com à média da UE-27. O Luxemburgo situou-se no topo da lista (260,1%), com um valor mais de duas vezes e meia superior à média da UE-27, ao invés, a Bulgária foi o Estado-membro colocado no fim da lista (53,0%). Se atendermos apenas aos países da Zona Euro (UE-19), em 2019, Portugal quedou-se por uma modesta 16ª posição na lista de poder de compra, abaixo de alguns países do Leste Europeu como a Estónia (83,8%) e a Lituânia (83,5%), mas, a frente da Eslováquia (68,2%), da Letónia (69,1%) e da Grécia (66,5%). A que se deveu a melhoria do indicador de poder de compra em Portugal em 2019 face ao ano anterior? Em termos nominais devido a um crescimento desse indicador de 4,0%, resultante do aumento nominal do “PIB” dado que a população portuguesa pouco se alterou no período.
(2) “DCI p c em PPC”: Em 2019, registou-se um valor de 86,2% face à média da UE-27, um valor mais elevado que o indicador anterior mas mesmo assim abaixo da média da UE-27 (100%), ou seja, também uma melhoria em termos de convergência real face ao verificado no ano anterior de 85,1% (em 2017 foi de 83,4%). Também aqui o Luxemburgo foi o Estado-membro líder da lista (134,6%) e a Bulgária, o pior (58,3%). Se atendermos agora apenas os países da Zona Euro (UE-19), Portugal teve em relação ao indicador de bem-estar das famílias “DCI p c em PPC” uma posição na lista de 13º lugar, melhor do que a do indicador de poder de compra. Quer isto dizer que por cada 86,2 euros que uma família europeia precisava para comprar bens e serviços, pelo mesmo conjunto de bens e serviços, uma família portuguesa teria de desembolsar 100 euros, ou seja, mais 13,8 euros.
E se tivermos uma perspetiva temporal mais longa? Nesse caso, pode-se concluir que os indicadores de poder de compra e de bem-estar das famílias portuguesas, apesar das melhorias verificadas em anos mais recentes, encontram-se agora numa situação pior do que a existente em 2009 (antes da crise económica e financeira global e das intervenções da “troika”). Na verdade, nos últimos dez anos Portugal atrasou-se face à média da UE-27 passando de um “PIB p c em PPC” de 83,1% em 2009 para apenas 79,2% em 2019! O que explicará este retrocesso? No essencial, a tendência ao longo dos últimos dez anos para a estagnação da economia portuguesa. E qual o cenário expetável em 2020? Dada a profunda crise sanitária, económica e social (com uma quebra do PIB português entre 8% e 10%), então, ambos os indicadores de poder de compra e de bem-estar irão muito provavelmente piorar.
Então, o que fazer? Deverá a governação portuguesa avançar com políticas de mais investimento público e de atração de empresas privadas, visando um crescimento económico mais rápido e sustentado. Note-se que Portugal irá beneficiar de recursos do Fundo Europeu de Recuperação e Resiliência, uma “bazuca financeira” de 45,1 mil milhões de euros que poderão ser canalizados para fazer face a necessidades económicas urgentes em para promover mudanças estruturais no aparelho produtivo, objetivando:
(1) O aumento da produtividade económica apostando em investimento incorporador de inovação tecnológica digital e de inteligência artificial;
(2) A valorização do trabalho, recurso principal da economia, com uma política salarial socialmente justa (e, geradora de mais mercado interno), com qualificação profissional contínua, com o combate à precariedade e com a inserção de jovens a procura de primeiro emprego no mercado laboral.

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