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Poder de compra em Portugal, apenas 76,6% da média europeia!

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Poder de compra em Portugal, apenas 76,6% da média europeia!

Ideias

2019-03-09 às 06h00

António Ferraz António Ferraz

Em 2017, Portugal registou segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) um crescimento nominal positivo (4,6%) do Produto Interno Bruto ‘per capita’ (PIB ‘pc’), ou seja, da riqueza produzida no País por habitante, um dos indicadores de referência na definição do nível de bem-estar da colectividade. Mas, o que explica essa subida? Por um lado, o aumento do PIB nominal de 4,4% e, por outro, a diminuição da população residente de 0,24%. Porém, pelo contrário, Portugal recuou em termos de poder de compra face à média da União Europeia (UE)!

O poder de compra de uma economia é expresso pelo chamado PIB ‘pc’ em paridades de poder de compra (PIB ‘pc’ em PPC), isto é, o valor da riqueza produzida (PIB) por habitante eliminando o efeito das diferenças dos níveis de inflação entre os Estados-membros. Assim, o poder de compra em Portugal em 2017 é de apenas 76,6% da média da UE (UE = 100), um valor inferior (-0,8%) ao verificado no ano anterior (77,2%), o que não sucedia desde 2011. Como explicar isso? Através da comparação entre as combinações dos crescimentos do PIB nominal e das evoluções populacionais, que são mais favoráveis para a maioria dos países da UE.
Se considerarmos apenas os países da zona Euro (19 países), Portugal com um índice de 76,6% e para aquele mesmo ano, situa-se num frustrante 16º lugar. Um valor ultrapassado pelo Luxemburgo (253%), Irlanda (180,9%), Holanda (128,1%), Áustria (126,8%), Alemanha 8123,7%), Bélgica (116,5%), Finlândia (109,0%), França (103,6%), Itália (96,3%), Malta (96,2%), Espanha (92,0%), Eslovénia (85,1%), Chipre (84,7%), Estónia (78,8%) e Lituânia (78,4%). Pior que Portugal situa-se apenas a Eslováquia (76,2%), a Grécia (67,2%) e a Letónia (66,8%).

Se alargarmos a lista de poderes de compra à UE28 países, podemos inferir que a dispersão dos valores de poder de compra nesse caso é ainda maior do que a existente entre os 19 países da zona Euro. Ainda na UE28, como vimos, o Luxemburgo lidera a lista dos poderes de compra (253%), um valor cinco vezes mais elevado do que o da Bulgária (49,3%), o país da UE com menor poder de compra da população.
Coloquemos agora a questão de como poderá Portugal inverter tal tendência desfavorável de queda de posição do seu poder de compra no quadro da UE28 e da zona Euro. A resposta é pela aplicação de políticas económicas e sociais que visem o objectivo de um crescimento económico sustentado (de longo prazo). Isso, tendo em conta que muito provavelmente a população residente em Portugal se manterá mais ou menos igual por ainda muitos anos. Se assim for, Portugal poderá ter no futuro taxas de crescimento do PIB real (em volume) mais elevado do que o verificado até aqui, de maneira a não se deixar ultrapassar mais uma vez pela maioria dos países participantes da UE28 e da zona Euro.

As medidas de política económica e social a adoptar pela governação portuguesa deverão passar em concreto: (1) pelo aumento da produtividade do trabalho, pela melhoria da qualificação profissional dos trabalhadores e da gestão das empresas; (2) pela realização de mais investimento produtivo privado e público, sendo este último estratégico atendendo a relativa fragilidade da economia portuguesa; (3) pela valorização do trabalho: maiores qualificações e melhores salários; (4) pelo combate a acentuada desigualdade económica e social existente, pese embora, melhorias verificadas nos últimos anos; (5) pelo reforço da protecção e apoio social, nomeadamente nas situações mais vulneráveis.

Porém, tudo isso exigirá que a componente externa da economia, de que Portugal é muito dependente, em particular, das exportações e importações de bens e serviços venha a ter uma evolução positiva, dado que a procura externa líquida (exportações menos importações) é uma das componentes chave da evolução do PIB real (em volume), mas que é uma variável não controlável pelo País, pois depende, e muito, da própria evolução da conjuntura económica externa (europeia e mundial).

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