Correio do Minho

Braga, quarta-feira

'Podes enganar todas as pessoas algum tempo, algumas pessoas muito tempo, não podes enganar todas as pessoas'

O que nos distingue

Ideias Políticas

2016-11-15 às 06h00

Pedro Sousa

Foram, recentemente, assinalados os três anos de mandato de Ricardo Rio e da actual maioria que governa o Município de Braga.

Toda a oposição, em uníssono, vincou o falhanço, rotundo e indesmentível, entre aquilo que foram as mil e uma promessas de Ricardo Rio líder da oposição e aquilo que tem vindo a fazer desde que foi eleito Presidente da Câmara Municipal de Braga.

Os vereadores e a Concelhia do Partido Socialista puseram a nu um conjunto alargado de promessas não cumpridas e de problemas por resolver, recordando, a título de exemplo, a questão dos parquímetros; o Parque Eco-Monumental das Sete Fontes; a requalificação ambiental e urbana das margens do Rio Cávado; a recuperação da Fábrica Confiança (sobre a qual dizia ser um imóvel de enorme importância na preservação), que foi adquirida com o voto favorável de Ricardo Rio, à altura líder da Oposição e que, hoje, está abandonada, não se lhe augurando um futuro digno da sua história.

Também o Vereador da CDU falou de “fracasso” e “desilusão” como notas dominantes do mandato de Ricardo Rio até hoje, afirmando que o actual inquilino dos Paços do Concelho tem seguido um caminho de “afirmação pessoal” e tomado, demasiadas vezes, “opções erradas”.

Ricardo Rio, ao seu estilo, respondeu através de uma entrevista a uma Rádio Local, onde fez, surpreendam-se, um balanço muito positivo da sua Governação, dizendo que nova condução política do município energizou a Cidade e o Concelho.

Confrontado com as muitas e fundadas críticas de todos os Partidos da Oposição e, também, de cidadãos, de associações e muitos movimentos informais desiludidos, escusou-se a responder, remetendo para o final do mês de outubro para uma mega iniciativa, eleitoralista, panfletária, a realizar no Parque de Exposições de Braga, onde a Coligação faria o “seu” balanço dos primeiros três anos do seu mandato na liderança dos destinos municipais.

O referido evento, divulgado, promovido e partilhado, por um Administrador de uma Empresa Municipal, acompanhado da pesada e cara máquina de comunicação da actual maioria, pretendia ser um momento apoteótico de afirmação do actual poder municipal mas, no contexto de desilusão que se tem apoderado da generalidade dos cidadãos e da generalidade dos Bracarenses, inclusive de muitos que foram fervorosos apoiantes da Coligação Juntos por Braga, a montanha acabou por parir um rato.

Apesar do forte empenho de toda a estrutura política do município e das empresas municipais, de terem, nas redes sociais, convidado mais de duas mil pessoas para o referido evento, de terem promovido contactos com autarcas apelando à presença e à mobilização, a iniciativa “Juntos por Braga - Três Anos em Balanço” contou, apenas, com cerca de uma centena de pessoas, entristecidas, vergadas ao peso da vergonha de um auditório do PEB quase deserto, que deixou bem claro a falta de entusiasmo que reina nas hostes da Coligação de Direita que governa o Município.

Ricardo Rio tentou disfarçar o mau estar, chamou os Vereadores, um-a-um, a dar o seu testemunho sobre o mandato em curso e aproveitou para afirmou a boa saúde da coligação (sentiu, aliás, essa necessidade, face aos muitos sinais de tensão entre Ricardo Rio e Altino Bessa).

De seguida, e insatisfeito pelo encontro no Parque de Exposições (que deveria ter sido uma festa, um arraial, uma espécie de consagração antecipada e que, afinal, mais parecia um velório), lançou mão dos cofres recheados da Sede laranja da Senhora-à-Branca e fez um infomail para todo o Concelho, dando continuidade ao exercício, permanente, de pirotecnia mediática a que nos tem habituado, somando este à publicidade com que, desde há uns meses, nos brinda todos os meses na factura da AGERE.

Uma boa, cara e opulenta política de comunicação, como tem Ricardo Rio, disfarça muitas coisas e tem, como nenhuma outra coisa, servido para mascarar o a pobreza da sua acção municipal mas, a cada dia que passa, fica mais claro para todos que Churchill, quando dizia que “Podes enganar todas as pessoas algum tempo, algumas pessoas muito tempo, não podes enganar todas as pessoas durante todo o tempo”, tinha toda a razão.

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