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Políticas de gestão inteligente da água na agricultura podem melhorar a qualidade da água dos rios

A Martins Sarmento e as Festas Nicolinas em Tempo de Pandemia

Políticas de gestão inteligente da água na agricultura podem melhorar a qualidade da água dos rios

Ensino

2020-03-11 às 06h00

Ana Cristina Rodrigues Ana Cristina Rodrigues

Apesar de todos os esforços empreendidos pelas entidades competentes para a gestão dos recursos hídricos em Portugal, para proteger, melhorar e recuperar as massas de águas superficiais e subterrâneas, o objetivo ambiental de alcançar o BOM ESTADO das águas em 2015 (Diretiva Quadro da Água) não foi ainda concretizado. O BOM ESTADO das águas de superfície é alcançado quando os seus estados ecológico e químico são considerados como, pelo menos, “BONS”. Com a segunda geração dos Planos de Gestão das Regiões Hidrográficas (PGRH 2016-2021), foi reavaliado o estado das massas de água para as oito Regiões Hidrográficas existentes em Portugal continental, obtendo- -se uma classificação global de “Bom ou Superior” para 53% das massas de água superficiais (segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente). Na Região Hidrográfica do Minho e Lima (RH1), este valor aumenta para 68%. Em geral, as áreas com maior intensidade agrícola e/ou pecuária ou com maior densidade populacional e mais industrializadas são as que apresentam as massas de água com pior classificação.

Ficou estabelecido que, até 2027, todas as massas de água superficiais e subterrâneas deveriam atingir o BOM ESTADO. Em Portugal, podem elencar-se vários projetos, programas e iniciativas que, em muito, têm contribuído para melhorar a gestão da água, de forma a assegurar a quantidade e qualidade necessárias para os usos a que se destina. Desde logo, importa referir o importante papel da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) na avaliação da qualidade dos serviços prestados pelas entidades gestoras de sistemas de abastecimento de água e saneamento de águas residuais, através da verificação dos dados reportados anualmente, que proporcionam um melhor conhecimento dos sistemas, para uma gestão mais eficaz, traduzida no aumento da população servida, maior eficiência dos processos de tratamento, controlo de perdas de água nos sistemas de abastecimento e de descargas ilegais na rede de saneamento.

A agricultura tem um papel crucial na gestão dos recursos hídricos, não só pelo elevado volume de água que é utilizado neste setor, como também pela contaminação que pode resultar da aplicação de chorume no solo, fertilizantes e pesticidas. O programa nacional de regadios é uma iniciativa do governo que criará mais de 90 mil ha de irrigação até 2022 e ajudará os agricultores na adaptação às mudanças climáticas. Alinhado com o programa nacional para o uso eficiente da água, visa definir as necessidades reais de água para as culturas mais representativas em cada região, considerando o método de rega e incentivando a instalação de sensores para avaliar o estado hídrico da planta.

Estas ações, integradas com instrumentos de monitorização, modelação e sistemas de informação e apoio à decisão, a implementação de sistemas coletivos de tratamento e valorização de efluentes agropecuários e/ou sistemas descentralizados de tratamento de água baseados em leitos de plantas, bem como a inovação em soluções alternativas ao uso de plásticos têm-se revelado essenciais para uma gestão adequada dos recursos hídricos. Estes exemplos de boas práticas na gestão da água foram apresentados em janeiro, em Atenas, na primeira reunião do projeto BIGDATA4Rivers, que pretende contribuir para melhorar a qualidade da água dos rios europeus através de políticas inteligentes de gestão da água. Este projeto, financiado pelo programa Interreg Europe, é liderado pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho e inclui parceiros da Suécia, França, Espanha, Grécia, Roménia e Lituânia. Em Portugal, este projeto conta com a participação de vários stakeholders, entre os quais se encontra o Instituto Politécnico de Viana do Castelo, através da Escola Superior Agrária (ESA-IPVC). A ESA-IPVC integra também o grupo de stakeholders no projeto iWATERMAP, centrado no apoio às políticas de inovação no setor de tecnologia da água. Este projeto é liderado pelo Instituto Wetsus, na Holanda e nele participam 8 parceiros de 7 países, sendo a Universidade do Minho representante da Região do Norte de Portugal.

A cooperação entre as entidades da administração regional, as instituições de ensino superior e as empresas, a partilha de experiências entre países, o estabelecimento de redes de cooperação inter-regionais, a ciência e a educação, irão certamente contribuir para a definição de políticas e a implementação de planos de ação que assegurem a melhoria da qualidade da água dos rios em Portugal.

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