Correio do Minho

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Ideias Políticas

2015-04-14 às 06h00

Carlos Almeida

Santana Lopes, António Guterres, António Vitorino, Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Morais, António Sampaio da Nóvoa, Manuel Carvalho da Silva e Henrique Neto e, ouvi dizer, o moço que mora mesmo em frente do estabelecimento prisional de Évora. Em comum: as Eleições Presidenciais. Uns porque já lançaram a candidatura, outros porque gostavam de poder lançá-la e outros ainda porque se lhes incha o ego cada vez que entoam o seu nome nas televisões como putativo candidato a Belém.

Com tanta agitação quase parece que nos querem fazer esquecer que antes das Eleições para a Presidência da República, os eleitores terão que fazer as suas escolhas para a Assembleia da República.
Bem sei que não é inocente o facto de as Eleições Presidenciais 2016 estarem a ofuscar a Legislativas do próximo Outono.

Quem para isso está a contribuir tem objectivos claros e calculados. Procura, por um lado, desviar o debate da situação do país e das consequências da política do actual governo de coligação PSD/CDS. Veja-se, por exemplo, qual foi o destaque dado pela imprensa aos números recentemente divulgados pelo INE relativamente ao desemprego.

Não teria sido relevante analisar e perceber porque é que, apesar das mistificações e manobras do governo, o desemprego em Portugal não para de subir? Pelos vistos, não. Terão entendido os fazedores da opinião pública que é mais importante desde já saber qual é a posição de todo e qualquer militante do PS sobre o eventual apoio do partido à candidatura de António Nóvoa.

Procura, também, alimentar a confusão no panorama político nacional, bem como lançar falsas promessas ou ilusões bem montadas. E, embora não o diga, fá-lo por mera estratégia, a pensar na arrumação de forças para as Eleições Legislativas.
Na minha opinião, este é um dos aspectos mais negros da intervenção política. O calculismo, o jogo, o controlo da informação, a premeditação do engano das massas populares.

Num tempo em que, fazendo eco do que normalmente se ouve na comunicação social, tanta gente fala mal da política e dos políticos, tratando tudo por igual e metendo todos no mesmo saco, parece-me que estas estratégias orquestradas por quem se quer perpetuar no poder só contribuem para o desgaste e o descrédito de quem intervém na política, mesmo de quem o faz de cabeça erguida e a poder dormir descansado.

Num tempo em que aquilo que preocupa os portugueses - o alastramento da pobreza, o desemprego, a precariedade, a emigração, a perda de direitos laborais e sociais - passa ao lado da agenda mediática, por opção de quem a controla - o poder económico -, somos confrontados com a necessidade de rejeitar as inevitabilidades que se nos impõem.

Não, não somos obrigados “a comer e calar”. Não temos que centrar as nossas preocupações nos eventuais candidatos a Belém, se o que nos aflige é encontrar soluções para um futuro governo e uma política diferentes. Não, não somos obrigados a seguir este caminho. Temos nas nossas mãos o poder de escolher, não só por quem queremos ser governados, mas acima de tudo como e para quê.

Enquanto houver quem pense que “são todos iguais” ou quem diga que “para roubar mais vale deixar ficar os que lá estão”, vai haver sempre forma de manter no poder quem está a destruir e a empobrecer o país.
Não deixemos que façam da política um saco de pancada, sob pena de sermos nós próprios a sentir cada embate que lhe é infligido, enquanto aqueles que governam assistem serenos à passividade e ao alheamento de quem julga que “já não vale a pena”.

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