Correio do Minho

Braga, sábado

- +

Por um estado promotor da sociedade civil e do crescimento ecónomico

O desperdício alimentar!

Por um estado promotor da sociedade civil e do crescimento ecónomico

Ideias

2021-11-28 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Tenho dedicado este espaço de reflexão a temas estruturantes de conjuntura da sociedade portuguesa. Um pouco afastado da ação política ativa, não abdicando das minhas responsabilidades. Sugerindo caminhos, que resultam da minha atividade profissional, social, cultural e voluntária, em torno dos constrangimentos e desafios estruturais, que têm vindo a marcar a vida do país, ao longo das últimas décadas. Impondo programas reformistas ao nível económico, social e político. Apesar dos avanços e de uma evolução muito considerável, temos muito para fazer.
Os problemas estruturais prevalecem e, exigem na maior parte dos setores, uma mudança de paradigma na formulação e na implementação das políticas públicas. Na prevenção e o combate à pobreza. No poder local e no desenvolvimento local e regional. Na formação profissional, no sistema de ensino superior e no empreendedorismo. Na dinâmica empresarial, nos constrangimentos e nas potencialidades do crescimento sustentável. Na transição digital e no desenvolvimento tecnológico, entre muitos outros, que se vão interrelacionando de forma integrada.

Políticas públicas e programas reformistas, capazes de afirmar a confiança dos cidadãos nas instituições, na política e no Estado. Um assunto, pleno de oportunidade, quando temos eleições legislativas no horizonte. Numa conjuntura de crise nacional e global, acelerada pela pandemia, pela pressão migratória, pelas mudanças climáticas, pela falência dos sistemas económicos e pela incapacidade de resposta dos modelos de apoio e intervenção social. A avaliar pela ação política dos partidos que se afirmam de esquerda, a solução continua a ser, invariavelmente, a mesma. Mais serviços públicos, mais despesa, mais impostos, mais dívida e cada vez mais Estado.
As iniciativas de reforma e de modernização do Estado, desenvolvidas nas últimas décadas, foram mais ditadas por razões de contexto, do que por uma autêntica redefinição das funções do Estado. E os sinais estão aí, todos à vista, colocando o Estado no centro de tudo. Com base numa espécie de “crença”, de que deve fazer tudo encontrar as respostas para satisfazer todas as nossas necessidades. Assente apenas, na capacidade e na resistência do setor público. Perante um crescimento económico medíocre, uma elevada dívida pública, um envelhecimento da população preocupante, uma insustentabilidade do sistema de pensões, uma a baixa produtividade, uma lentidão na justiça e um agravamento das desigualdades sociais.

Uma capacidade, que resulta na totalidade dos recursos colhidos numa riqueza nacional, que está cada vez mais comprometida, por depender, fundamentalmente, do crescimento acentuado da carga fiscal. Travando o investimento externo, e o investimento das empresas. Incentivado a emigração dos melhores quadros. Induzindo o aumento do número de pessoas dependentes do Estado, pela garantia artificial de estabilidade e segurança. Situação aprofundada pela “geringonça”, pela pressão dos parceiros de esquerda e com base no aumento a despesa do pública que, em 2020 se agravou. Justificada pela pandemia, fez com que a despesa absorveu, quase metade de toda a riqueza produzida no país. Anunciando uma situação de grande preocupação, para quem venha a assumir os nossos destinos no futuro próximo.

O PS tem estado muito calado a preparar as eleições legislativas. Os partidos que suportaram o atual governo, estão entretidos com um artificial exercício de passa-culpas, sem que surja qualquer sinal reformista ou transformador. O PCP a perder influência, e a tornar-se num partido do sindicalismo. O Bloco de Esquerda a perder identidade ideológica. À direita o CDS luta pela sua sobrevivência, de forma preocupante. O PSD empenhado nas suas eleições internas, está envolvido numa tensão pouco adequada e esclarecedora. Apesar da qualidade dos programas apresentados pelas candidaturas, e da solidez da sua estrutura organizacional.
As eleições para a liderança do PSD decorreram ontem. Sem se conhecer, neste momento qualquer resultado, não quero embarcar na euforia das sondagens ou das sensibilidades exacerbadas, que se têm feito sentir. Rui Rio, centrou o seu programa numa governação ao centro, sem pedir maioria absoluta. Sendo a orgânica de governo mais pequena que a atual, uma fórmula que também seguida por Rangel. Lutando as duas candidaturas, por uma “maioria estável no horizonte de legislatura”, com Rangel a apelar para uma “maioria absoluta”, não fechando, em absoluto, a porta a um diálogo, sem coligações com o PS, tal com preconizava Rui Rio.

O crescimento económico e a mobilidade social, foram os principais eixos das moções de Rio e de Rangel. Com prioridades coincidentes na melhoria dos salários e na redução da carga fiscal, divergindo apenas na ideia de aumentar administrativamente o salário mínimo. No momento, em que o Conselho Estratégico do PSD reuniu fiscalistas, onde envolveu personalidades de vários quadrantes e sensibilidades que incluiu ex-governantes do PS. Uma participação rica e afinada pela retoma da reforma do IRC, que foi iniciada e desenvolvida com o PS de António José Seguro e o PSD de Pedro Passos Coelho, e que foi interrompida por António Costa em 2016.

Um contexto que exige reformas profundas no sistema político e o reforço da confiança nas políticas públicas, na democracia, nos partidos, no sistema justiça na organização do Estado e no perfil das lideranças. Uma oportunidade que não vamos poder desperdiçar. Identificando as missões estratégicas capazes de reconquistar o direito das pessoas ao futuro. Um imperativo que exige aos partidos políticos, uma nova perceção e uma superior capacidade de entendimento, em torno de reformas focadas no reforço da confiança dos cidadãos na política.
Este é o grande desafio! Precisamos de um Estado forte e com uma dimensão adequada á sua missão, que dignifique os cidadãos e promova a equidade social, liberte a iniciativa da sociedade civil e fomente o crescimento económico.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

27 Maio 2022

A nota de 100 euros

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login Seta perfil

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a Seta menu

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho