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Por um novo ecossistema de formação profissional e emprego

Transparência na gestão da coisa pública

Por um novo ecossistema de formação profissional e emprego

Ideias

2019-05-26 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

Estamos numa época de grandes mudanças no ecossistema do emprego e da formação profissional no país e na nossa região. Realidade marcada por uma nova dinâmica económica assente na revolução tecnológica, que está a alterar a forma como vivemos, trabalhamos, estudamos e investigamos. Revolução que está a influenciar de forma decisiva o desenvolvimento de novas oportunidades de carreira profissional e a determinar a urgência de novas competências profissionais, que e pressupõe novas profissões, com base no conhecimento, na inteligência artificial, na automação e na robótica.
Um contexto que anuncia uma profunda transformação organizacional e social, que preconiza a implementação de modelos de requalificação/reconversão profissional, e integra o reconhecimento de novas competências, para promover a empregabilidade digital. Estando a alterar a forma como nos vamos relacionar e organizar no setor público, na economia social e nas empresas, e a acelerar a expansão do emprego com base nas tecnologias digitais, pela incorporação de mudanças significativas em escala, espectro, rapidez e complexidade.
Nesta perspetiva, a Comissão Europeia aprovou a estratégia europeia sobre a inteligência artificial, com um enfoque muito importante sobre as questões éticas e as suas implicações no mercado de trabalho. Tendo em linha de conta as consequências da robotização, da inteligência artificial e o limiar da sociedade cem rede, onde as organizações vão necessitar de desenvolver uma nova cultura de aprendizagem para fixar e atrair novos talentos. Antecipar a mudança e, sobretudo, prevenir o impacto da automação na destruição de emprego, na emergência de novas formas de trabalho e promover o bem estar e a qualidade de vida das pessoas.
Na mesma linha, a CIP - Confederação Empresarial de Portugal apresentou o estudo “Automação e Futuro do Emprego em Portugal”, que investigou e avaliou as consequências da transformação digital e da automação tecnológica no mercado de trabalho português. Concluindo que as expetativas e os resultados em relação às novas tecnologias de informação, à robótica e à inteligência artificial são muito grandes, e ao impacto em relação à produtividade das empresas nos diversos sectores de atividade económica, será estruturante e decisivo em relação ao futuro do nosso país, “numa Europa inovadora, digital e sustentável, que é a maior fábrica de conhecimento do mundo, sendo responsável por quase um terço da produção científica e tecnológica mundial”.
Para manter e reforçar a liderança da Europa na era da globalização, dos desafios da sustentabilidade e da rápida evolução tecnológica, é preciso articular e valorizar todo este potencial, assegurando que as ideias inovadoras e os progressos tecnológicos resultam na produção competitiva de bens e serviços valorizados pelos mercados globais. As empresas estão a elevar os seus níveis de produtividade. Um ecossistema, que vai para além da busca de maior produtividade e da eficiência com o auxílio da inteligência artificial, pressupondo a convergência estratégica do conhecimento científico e das novas tecnologias, com o objetivo de promover o um novo modelo de desenvolvimento, que privilegia a melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Sendo fundamental pensar na “formação para adultos” para a próxima década, concebendo e implementando um plano de requalificação laboral assente no reforço do investimento em capital humano, desenvolvido ao nível da educação, da formação profissional, como prevê o Programa Horizonte 2020, através da promoção sinergias entre o sector privado e sector público, da aposta na internacionalização e na formação e qualificação dos recursos humanos, assente em processos de aprendizagem ao longo da vida, para promover a inclusão e a sustentabilidade social. Um modelo que privilegia o saber fazer e o saber ser, incentiva a inovação, a experimentação e a utilização das novas ferramentas tecnológicas, para garantir a descoberta e o desenvolvimento adequado de novas competências, que integram uma nova cultura, disruptiva, flexível, inovadora, assente no trabalho em equipa e em novas formas de liderança, e os sistemas de educação e formação profissional devem ser profundamente reformulados.
Avaliando o nível de competências digitais dos portugueses, é possível constatar que Portugal ocupa o 15º lugar no índice DESI de 2017, Digital Economy & Society Index, da Comissão Europeia. Este estudo conclui que o país está na mediana europeia, mas precisa de reforçar as competências básicas em Tecnologias de Informação e Comunicação, para dar resposta à necessidade de requalificação e formação profissional, onde a nossa região se tem assumido como um excelente exemplo de dinamismo das políticas públicas e de confluência de vontades das instituições de ensino superior, de formação profissional e do emprego.
Neste sentido foi lançada a iniciativa nacional, Portugal INCoDe.2030, para dar resposta à necessidade no âmbito das competências digitais nos próximos anos, generalizar a literacia digital, estimular a empregabilidade, a capacitação e especialização profissional, e garantir uma forte participação nas redes internacionais de I&D e de produção de novos conhecimentos nas áreas digitais. Uma revolução digital que está em curso e exige, mais do que nunca, um forte investimento nas qualificações e competências, no contexto da aprendizagem ao longo da vida, por forma a promover o desenvolvimento das empresas e dar resposta às carências dos trabalhadores, e à criação de um novo ecossistema de formação profissional e emprego, adaptado ao perfil social, económico e cultural da diversidade das nossas regiões.

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