Correio do Minho

Braga, segunda-feira

- +

Por uma nova agenda política de promoção do conhecimento

O espantalho

Ideias

2017-01-15 às 06h00

Manuel Barros Manuel Barros

O país precisa de utilizar o conhecimento que tem, para que geração mais qualificada de sempre, não se transforme, simultaneamente, na mais pobre de sempre. Uma ideia que tem vindo a ganhar consistência em torno de uma realidade, que sustenta um problema que não é novo. A definição de uma nova agenda política de promoção do conhecimento, deve orientar as políticas públicas para o estímulo ao emprego jovem, e para a fixação de recursos humanos qualificados, tal como defendem os subscritores do documento “O conhecimento como futuro”, publicado em 2015.

“Investir no conhecimento é investir no futuro”, uma afirmação de Mariano Gago, a propósito do primeiro Manifesto para a Ciência, realizado há 25 anos. Um desígnio que assentou na valorização das pessoas e da sua formação, como garantia para a construção de uma sociedade melhor, com base na dinamização das comunidades locais, e no envolvimento das instituições de ensino profissional e superior politécnico e universitário, empregadores e entidades públicos, sociais e económicos. 

Um documento que continha o enunciado das políticas públicas, que viriam a ser responsáveis pelo desenvolvimento científico, técnico e tecnológico, registado em Portugal nas duas últimas décadas. Foi um percurso longo e com sucessivas alterações de trajeto, mas o aumento do investimento, traduziu-se numa crescente afirmação de Portugal e dos portugueses no plano internacional. Uma dinâmica com resultados muito importantes na sociedade portuguesa e, em particular, na qualidade e na expansão da educação superior e profissional.

Resultados alcançados pelas nossas instituições de ensino e formação profissional, através dos resultados dos projetos de investigação e das patentes que se têm destacado, nos mais diversos setores. Acrescendo ainda, os trabalhos desenvolvidos pelo ensino profissional, junto do setor empresarial e nas mostras que se realizou no país e no estrangeiro, onde se destacam as escolas profissionais e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Apesar dos avanços significativos e com resultados concretos, ainda há um longo caminho a percorrer para se cumprir a legítima ambição do acesso generalizado à educação nos seus vários subsistemas, há muito a fazer para se garantir um sistema educativo, social e economicamente relevante e de cumplicidade efetiva com a dinâmica evolutiva do mercado de trabalho. No entanto, o desenvolvimento económico, a mobilidade social e a realização pessoal, evidenciaram-se. A formação profissional, a educação superior e o conhecimento científico, assumiram-se como fatores de consolidação do regime democrático, de promoção do nosso bem-estar e da afirmação da identidade nacional.

O reconhecimento generalizado, dos resultados alcançados, reafirma ainda a necessidade de se aumentar investimento na formação e no conhecimento, assente num plano estratégico bem definido, e na vontade política do Estado e no empenho do setor financeiro em investir no conhecimento. Evidenciando também, a capacidade mobilizadora das pessoas e das instituições públicas e privadas, das empresas. Não esquecendo das famílias, sobre as quais tem recaído um importantíssimo esforço financeiro e social, no desenvolvimento de um projeto coletivo de confiança e promoção da educação, da ciência e do conhecimento na construção do nosso futuro coletivo. 

O sociólogo Zygmunt Bauman, sociólogo, recentemente falecido na cidade inglesa de Leeds, onde foi investigador e professor, afirmou a este respeito que, “as elites podem ter a identidade que quiserem. Não se fixam em lugar nenhum, moram em todos os lugares e podem pertencer a todas as culturas. Já a massa precisa se adaptar sozinha, a um mundo sem uma linguagem cultural precisa e segura, num mundo de insegurança que não lhes reserva um destino garantido, sendo todos atirados para uma competição louca e agressiva”.

Sendo considerado, um dos pensadores chave 'para se entender o século XX'. Foi autor de uma vasta obra, e criador do conceito da 'modernidade líquida'. Uma teoria que desenvolveu ao longo da sua corrente de pensamento, da sua atividade docente e de investigação. Defendeu que a “sociedade está sitiada”, e o futuro é tão efêmero e irreal, que a sua credibilidade para as pessoas, assenta numa esperança que talvez nunca se concretize. Uma tensão constante com o passado, entre a durabilidade e transitoriedade, responsabilidades permanentes e viver o momento, o instantâneo no tempo e espaço únicos.

Nesta perspetiva, o futuro reside também na nossa capacidade de valorizar o conhecimento produzido, e requer certamente um esforço adicional na agilização de condições de o aplicar no processo de criação de riqueza, estimulando novas oportunidades nos principais mercados de oferta tecnológica, e valorizando o posicionamento estratégico do país, a partir da fixação dos jovens qualificados, que são formados todos os anos no ensino profissional e no ensino superior. Evitando a sua saída para outros países, sem qualquer retorno para o investimento que fazemos na sua formação, não obstante da sua da sua aprendizagem e experiência internacional.

Um novo rumo para as políticas públicas de produção, difusão e valorização do processo educativo e de promoção do ensino superior é essencial para desenvolver um país moderno, apostando no conhecimento de forma contínua e persistente. Envolvendo toda a sociedade, numa perspetiva de solidariedade social, de desenvolvimento cultural, social, económico, na promoção de uma sociedade de aprendizagem.

A definição e concretização partilhada de uma nova agenda política de promoção do conhecimento deve orientar as políticas públicas em Portugal no futuro, juntamente com o estímulo ao emprego jovem, a fixação de recursos humanos qualificados. Proporcionando ainda, a qualificação da população e o estímulo à aprendizagem ao longo da vida, através da criação de melhores condições para os mais jovens estudarem e trabalharem em Portugal.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho