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Porque os livros importam: “Educar para o otimismo”...

Os amigos de Mariana (1ª parte)

Porque os livros importam: “Educar para o otimismo”...

Escreve quem sabe

2022-04-26 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Há 22 anos…. o primeiro de muitos livros de Helena Águeda Marujo e Luís Miguel Neto sobre o otimismo. Do otimismo, inteligência emocional, esperança na educação, psicologia positiva, até à Educação para a Paz, o otimismo manteve-se sempre na minha formação pessoal e profissional como algo passível e possível de ser educado. Esse foi o meu espanto, o tal aristotélico da aprendizagem… podemos educar-nos e educar os nossos alunos para o otimismo, "construindo uma geração mais confiante, mais sorridente e mais positiva”. Há 22 anos, a autora escrevia: “A escola portuguesa é um local de sofrimento para a maioria dos professores e para a quase totalidade dos alunos. Para os primeiros é uma fonte de stress e de frustrações diárias, para os segundos «uma seca» minuto a minuto. A exaustão dos professores deve-se à exposição prolongada a condições negativas e stressantes, que incluem desgaste físico e emocional (turmas grandes, alunos muito diversos nos ritmos, capacidades e motivações para aprendizagem, problemas de comportamento e disciplina, horários prolongados, falta de condições físicas, desvalorização vinda dos colegas e dos encarregados de educação, violência, pressão para cumprir currículos…), remuneração não adequada, ausência de boa formação contínua, despersonalização e falta de realização profissional”.

Há 22 anos, assim se escrevia… e hoje? Hoje, vamos conseguir escrever exatamente o mesmo: local de sofrimento, exaustão, desgaste físico e emocional, remuneração não adequada, ausência de boa formação contínua… (resume-se hoje a formação em tecnologias que devido a um ineficiente suporte de acesso à internet em tantas e tantas escolas do país, não mais faz que agravar a exaustão dos professores e exasperar os alunos), turmas grandes, problemas de comportamento e disciplina… talvez fosse mais fácil copiar ipsis verbis. Afinal, em 22 anos conseguimos manter, para não dizer agravar, o retrato de uma escola que clamava por mudança. Não construímos gerações mais confiantes, mais sorridentes nem mais positivas. Mudanças, muito poucas, e nestes últimos 3 anos de condicionalismos pandémicos, retrocedemos vários patamares, qual Joker do concurso da RTP1, que quando não acerta nos remete novamente aos patamares mais baixos, escorregando vários patamares de uma só vez. Precisamos dos jokers para subir aos patamares mais elevados…. e sem dúvida este livro lança um grande desafio: “É que apesar dos mass média, dos heróis e dos amigos, pais e professores continuam a ser quem mais influência tem no ensino de atitudes e crenças dos educandos, elas mesmas propulsoras de sucesso ou insucesso. É na família e na escola que crianças e jovens vão encontrar os modelos que mais os marcam e definem. Esta tremenda responsabilidade tem sido vivida pelos educadores como um fardo pesado que se transforma em ansiedade, culpa e frustração. Tendo como certeza que o otimismo traz mais saúde mental e física e maior felicidade, e que mistura uma maior leveza com uma mais forte estrutura para aguentar os embates da vida, o bom educador tem a responsabilidade moral de se educar e de educar os outros para o otimismo.”

Mas como em qualquer bom jogo sem adversários (como o do Joker) ter trunfos para chegar ao prémio máximo, que nos ajudam a nunca desistir, transformam a tremenda responsabilidade moral de se educar e de educar os outros para o otimismo, (“num otimismo realista e interveniente e não numa alegria pateta e desenraizada”), numa oportunidade de andar pela vida “com um sorriso quente e brilho no olhar, peito insuflado de entusiasmo pelo que vai ensinar ou aprender”. Atentem às páginas 52 e seguintes sobre as características da pessoa otimista… e a frase escolhida de William James, iluminadíssima: “Se queres ter uma qualidade, comporta-te como se já a tivesses.” Uma das expressões que comunicam otimismo é o sorriso. Tal como o bocejo, pega-se.

“Se há coisa que se pegue como um rastilho é a (boa ou má) disposição. Vale a pena transmitir a boa, e está nas nossas mãos iniciar uma cadeia de sorrisos e gargalhadas. E não nos desculpemos com justificações genéticas do tipo «Não tenho jeito para isso», ou «Sou mais do género sisudo», ou ainda «Que parvoíce pôr-me a rir como um palerminha sem ter vontade!». O humor, o entusiasmo e a alegria deverão fazer parte da forma de estar de todos nós; a palermice é não fazerem.”

Já Bandura, citado pelos autores dizia em 1997: “Sentimentos de otimismo e auto-eficácia nos professores mostraram já que podem, não só melhorar o desempenho e bem-estar do professor, mas também conduzir a melhores resultados no desempenho dos alunos”. Dos 19 aspectos apresentados sobre otimismo e efeitos no sucesso profissional retirei uma mão cheia:
1. Partilhar um espírito alegre e entusiasmado
2. Gostar daquilo que faz e ter prazer em estar com os seus alunos
3. Inspirar e motivar alunos e colegas
4. Ter alunos felizes, que sorriem, que brincam, que têm sentido de humor e que gostam de estar na sala de aula
5. Ter alunos que, daqui a muitos anos, num qualquer debate ou conversa, vão usar as memórias que guardam de si como um dos mais positivos exemplos de doação pessoal e envolvimento profissional
“Vale definitivamente a pena ser otimista.”

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