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Porque os livros importam: “Guia de cabeceira para pais desesperados” de Bárbara Ramos Dias

Os amigos de Mariana (1ª parte)

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Porque os livros importam: “Guia de cabeceira para pais desesperados” de Bárbara Ramos Dias

Escreve quem sabe

2021-11-09 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Pais e professores do mesmo lado da moeda: vivendo com crianças e jovens. Todos os dias. E se este Guia (distinguindo-se de um livro pela sua componente prática, de explicação simples e de uso rápido) fala de Talento, é um livro que abro e procuro tentando perceber de que Talento falamos. Vem logo no índice, no capítulo I - Educar pela positiva é educar pelos talentos, não pela crítica. Continua pelas páginas seguintes, quando através das características gerais da personalidade (fruto das nossa experiências, das nossas memórias, das pessoas que nos rodeiam, da religião, da cultura, dos traumas e até dos sonhos, como diz a autora) nos ajuda a perceber como lidar, como atuar, como (con)viver, olhando para os talentos e os pontos a melhorar. Sempre de uma forma positiva, otimista. Porque a educação (dentro e fora das paredes da escola, dentro e fora das paredes de casa) tem que se apoiar nas relações (pais e filhos, professores e alunos...), nas emoções, (individuais e intra-individuais...) nas características (intrínsecas, extrínsecas, motivacionais, de realização...). Por isso este Guia: fruto de muitos anos de experiência também no atendimento de crianças e jovens em contexto de consulta de psicologia, e de mãe, somos guiados por um conjunto de sugestões e ajudas, que à primeira vista parecem fáceis. Mas não, de todo! Porque requerem um olhar diferente: o olhar do copo meio cheio (e não meio vazio); o olhar pela positiva (e não pela negativa); o olhar pelo elogio (e não pela crítica). Parece fácil, mas não é. Mas também sabemos que em educação não podemos falar de fácil ou difícil, certo ou errado, caminho ou descaminho. E este é o maior desafio: não temos varinhas de condão que (trans)formam as nossas relações pais-filhos e/ou professores-alunos em relações positivas, eficazes e felizes. E na falta dessa varinha de condão, este Guia aparece e apresenta, de forma simples, organizada, de fácil interpretação e manuseio (as qualidades inerentes de um excelente guia) a forma como podemos compreender e entender melhor as atitudes dos nossos filhos e/ou alunos. Desta compreensão e entendimento resultarão com certeza mudanças comportamentais que permitirão obter resultados diferentes na qualidade de vida familiar e escolar. É muito comum ainda ouvir nas nossas escolas que o mau comportamento dos nossos alunos é reflexo da falta de regras em casa, ou de falta de apoio dos pais, ou ainda que aquele aluno tem um mau comportamento porque tem pais ausentes, negligentes,... No entanto, tomar esta premissa como justificação permanente do comportamento desse mesmo aluno na escola é estarmos a colocar, continuamente, o foco da questão em algo externo, algo que não podemos mudar, justificando assim o nosso alheamento na procura de soluções mais adequadas à necessária alteração comportamental. Para contrariar esta postura, ainda há pouco tempo, nos corredores de uma escola, e relativamente a dois irmãos gémeos com atitudes comportamentais nas antípodas, uma professora dizia: “têm a mesma educação e têm filhos com comportamentos tão diferentes… “, aproveitando a oportunidade para perceber que afinal as características dos nossos filhos / alunos refletem comportamentos diferentes, pese embora a dita “educação igual”. Filhos diferentes exigem respostas diferentes. Alunos diferentes exigem respostas diferentes. E é isto que este Guia nos ajuda a compreender: perceber as diferenças dos nossos filhos / alunos e ajustar as nossas atitudes, aprendendo e melhorando o nosso relacionamento. Um dos maiores contributos da psicologia positiva, tem sido a integração da Paz nas nossas vidas diárias. Luís Miguel Neto e Helena Águeda Marujo, no artigo intitulado “Felicidade para o bem comum: das intervenções em psicologia positiva à educação para a paz global sustentável”, realçam a importância da Paz nas nossas vidas. “... para responder à necessidade de alcançar uma visão comum sobre uma vida com dignidade e bem-estar para todos, precisamos integrar a Paz nas nossas vidas diárias. Seja através da Paz interior, que a psicologia Positiva tanto tem advogado, por exemplos através dos estudos e práticas de Mindfulness, ou da autocompaixão, ou dos programas de promoção da esperança, do otimismo, ou da resiliência, seja por meio de programas de parentalidade positiva, de Paz corporativa ou de comunicação não violenta, muito já está a ser feito e muito mais há a fazer.” Assim, aqui enquadro este Guia, na promoção da Paz no dia a dia das nossas escolas e das nossas famílias. Conhecer, compreender e agir. A parentalidade positiva. No capítulo 2, a autora realça a frase “A educação é um eco. Se não gosta do que recebe, observe o que está a dar.” E assim vamos folheando o Guia, encontrando continuamente pequenos destaques com os títulos “TALENTOS” e “PONTOS A MELHORAR”. Guia que guia, guia que acolhe, porque não critica, não julga, antes ajuda e leva a acreditar. É possível! Com a máxima do capítulo 6 “Não há crianças más… há crianças com atitudes e comportamentos descontrolados, com medo, tristes ou que se sentem muito sozinhas”. Não há filhos bons ou maus, alunos bons ou maus. Bons ou maus pais, bons ou maus professores, também não.
“Há, sim, pessoas com talentos e pontos a melhorar.” Que o entusiasmo da autora, Bárbara, neste Guia de cabeceira (o meu já lá está) coloque aquele brilho nos olhos responsável pela Paz nas nossas famílias, nas nossas escolas, nas nossas vidas!

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