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Porque os livros importam: ‘O Professor do futuro’ de Jorge Rio Cardoso

Os amigos de Mariana (1ª parte)

Porque os livros importam: ‘O Professor do futuro’ de Jorge Rio Cardoso

Escreve quem sabe

2022-02-01 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

“Estou aqui para ensinar umas coisas e aprender outras. Ensinar, não. Falar delas. Aqui e no pátio e na rua e no vapor e no comboio e no jardim e onde quer que nos encontremos” assim dizia Sebastião da Gama na sua aula inaugural, citado por Jorge Rio Cardoso. O professor em qualquer lugar do mundo. O professor que não se confina às paredes da sala. “O professor do futuro”, como profissão única, insubstituível. Nenhuma sociedade se pode dar ao luxo de não os ter. E neste livro, o autor apresenta-nos um raio-x completo (da cabeça aos pés). Cabeça - o professor que ambicionamos ter. Corpo - o que precisa de saber. Braços - que erros deve evitar. Pernas - como prepara as suas aulas e quais os seus referenciais de avaliação. Pés - como percebe e motiva os seus alunos. E hoje, atentarei nas duas partes que, especialmente, me chamaram a atenção: a cabeça e os braços. O professor que ambicionamos ter e os erros a evitar. O primeiro, porque nos fala do professor de excelência, o que ambicionamos ser, e o segundo, porque nos confronta com os erros a evitar, o que ambicionamos fazer. Tal como diz o autor, o professor de excelência tem visão do seu papel na sociedade: é aquele que crê no ensino e na educação como formas de progresso da humanidade. O Professor é um dos pilares da educação para todos, e como tal, a dimensão social da sua profissão terá de estar sempre presente no seu pensamento. “O professor é a janela através da qual a criança vê o mundo”, e que, como no provérbio chinês citado, quando duas crianças espreitam pela mesma janela gradeada para olhar o céu noturno, uma vê as grades e a outra as estrelas, o professor de excelência é aquele que não pintando de cor-de-rosa a realidade, ajuda os seus alunos a encarar, e, se necessário, alterar essa realidade, ajudando a alcançar as estrelas, para lá das grades. Enumerando as várias particularidades o autor analisa; o professor com valores (honestidade, isenção, altruísmo e solidariedade); o professor adepto do pensamento crítico (o verbo grego kritein, significa julgar, distinguir, analisar, separar); o professor que procura a verdade (e deixa de lado mitos e preconceitos associados muitas vezes ao desconhecimento de quem são e como são os seus alunos); o professor proativo (que antecipa e nunca desiste); o professor com boas expectativas (acredita que o seus alunos vão alcançar bons resultados, porque acredita em si próprio e na sua capacidade de levar a aprender); o professor motivador (porque conhece o círculo vicioso do insucesso escolar: pouca motivação - baixo investimento no estudo - insucesso escolar); professor comunicador e dialogante (o autor cita a professora Ana Campos: “Um bom professor, terá, ainda, de ser um bom comunicador, pelo que o aspeto físico, a voz, a presença, o olhar, a linguagem também têm a sua relevância. Fatores de personalidade, como ser uma pessoa estável e bem-humorada, podem fazer toda a diferença no estabelecimento de uma boa relação com os alunos para conseguir, pela empatia, o seu envolvimento na aprendizagem.”); professor que serve de modelo (“a transmissão de conhecimentos é muito importante. Mas tão importante como ela é a capacidade de ser referência em matéria de competências sociais e de competências éticas e afetivas. Invariavelmente, gerações atrás de gerações referem-se aos seus bons professores lembrando atitudes, estilos de vida, formas de relacionamento, muito mais do que conceitos e noções transmitidas”). Muitos “outros professores” são apresentados e analisados: vale a pena ler. Mas, de tão pertinente, quanto por vezes inconsciente, do capítulo 4 escolhi 7 erros a evitar. 1. querer ser visto como amigo dos alunos (em muitas crónicas fui focando este erro - não somos amigos dos nossos alunos, tal como não o somos dos nossos filhos - somos professores, somos pais.) 2. elogiar apenas os resultados (esquecendo os processos); 3. não cumprir as regras (adiar datas de testes ou prazos de entrega de trabalhos devem ser evitados); 4. seguir cegamente o manual (e toda a panóplia editorial de apoio - mais do mesmo.); 5. dar tarefas sem sentido (apenas para os manterem ocupados); 6. ser forreta (100% não é o professor que dá, os alunos é que ganham, por isso a severidade das classificações apenas punem); e 7. vestuário inadequado (“Embora possamos dizer que o hábito não faz o monge ou que fazer um juízo sobre uma pessoa pela forma como se veste é algo superficial, de facto é isso que acontece muitas vezes. Independentemente de juízos de valor que possam ser feitos, estudos comprovam que a indumentária transmite sempre, sobretudo aos mais novos, opiniões sobre respeito, credibilidade, aceitação e autoridade.”). Finalmente, e falando sobre os diferentes tipos de inteligência, sabemos hoje através de Gardner, que há oito tipos de inteligência e por isso o professor deve estar atento. As inteligências lógico-matemática, linguísticas e naturalista (tão do agrado da escola, dos professores, dos manuais, das classificações) são apenas três de entre oito que deveriam ser igualmente valorizadas: musical, espacial, físico-cinestética, interpessoal, intrapessoal. A intuição, a imaginação e a criatividade fazem, literalmente, girar o mundo. Então porque as desprezamos? E ainda… qual é a inteligência predominante para se ser um professor de excelência? A inteligência interpessoal - que não é nenhuma das inteligências que hoje a escola valoriza - e que é a capacidade que o indivíduo tem de entender as intenções e motivações dos outros. Será predominante nos professores de hoje e seguramente, do futuro? Seremos nós, professores, suficientemente inteligentes para continuarmos professores? Os Professores do Futuro?

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