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Porque os livros importam: “Uma Responsabilidade Coletiva! Sobredotação”?

Os amigos de Mariana (1ª parte)

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Porque os livros importam: “Uma Responsabilidade Coletiva! Sobredotação”?

Escreve quem sabe

2022-05-24 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Porque os livros importam: “Uma Responsabilidade Coletiva! Sobredotação”
de Leandro S. Almeida e Alberto Rocha.


Apresentei este livro a 20 de outubro de 2018 na Centésima Página. Apresentei-o a convite dos seus autores, fazendo jus aos quase vinte anos que dedico a esta temática, junto de crianças e jovens com características de sobredotação e talento, que fizeram dos meus sábados de manhã, ponto de encontro numa escola (a EB 2,3 de Lamaçães, Braga). Uma escola para lá da escola. A escola para lá da sala, das paredes, do quadro, do caderno… a escola que não é escola. A escola em que todos contam, um por um, porque diferentes. Na contracapa do livro podemos ler: “Uma escola e uma educação inclusivas assumem o desafio diário nas suas práticas de uma atenção diferenciada às características e necessidades de cada criança e jovem tendo como objetivo o desenvolvimento máximo dos seus recursos e potencialidades. Esperamos que a leitura e estudo dos capítulos deste livro sejam uma fonte inspiradora para a conceção, implementação, monitorização e avaliação da eficácia das medidas assumidas pelos órgãos da escola e aplicadas pelos professores e demais profissionais da educação que apoiam o seu projeto e ação educativa!”. Assim, o livro apresenta-nos uma compilação de 8 artigos sobre esta temática, reunidos pelo Presidente fundador da ANEIS, Professor Leandro Almeida e pelo atual Presidente, Dr. Alberto Rocha, reforçando o quão importante é uma “análise científica da sobredotação e excelência, creditando desta forma o seu discurso e consultadoria junto das famílias e das escolas que assumem uma resposta proativa e positiva às crianças e adolescentes de elevado potencial.”
Queremos sim, continuar a dar uma resposta assente na investigação, na partilha, no conhecimento dos muitos e variados modelos de intervenção que permitam enriquecer e ajudar a responder às necessidades destas crianças e jovens. Acreditamos também na máxima transcrita no verso da capa: “Tratar as pessoas de forma diferente pode ser a melhor maneira de atender às suas diferenças e proporcionar, no limite, a igualdade de oportunidades.” A escola inclusiva tem agora responsabilidades acrescidas. Será que não é uma escola inclusiva aquela que retira os alunos da sua sala de aula quando as respostas criadas para as suas necessidades estão fora dela? Será que não é uma escola inclusiva aquela onde as paredes e portas deixam de existir para separar alunos por idades e se transformam em respostas inovadoras e criativas potenciando o desenvolvimento pessoal, social e emocional? Será que não é antes a escola inclusiva aquela que aceita e aposta na diversidade, promovendo e celebrando a diferença como apanágio do desenvolvimento da humanidade? Será? Pois…. Gostava de acreditar. Que sim! Que a nossa escola assume a sobredotação como uma responsabilidade coletiva. Esta semana conversei com um pai – que me dizia ter “parado” o estímulo à sua filha a pedido da educadora para que o processo de leitura não se fizesse antes do tempo normal – aquele que dizem que é feito no primeiro ano da escolaridade obrigatória. Bem haja a quem iluminadamente determinou que as crianças só aprendem a ler a partir de setembro do ano letivo em que se inscrevem no sistema educativo português. Gostava também de em educação ter tantas certezas. Mas mais certeiro ainda: “Se ela souber ler antes de entrar para a escola vai ter um ano terrível”. Com profecias destas, quem se atreve? O pai não se atreveu por certo. Mas mesmo assim, mesmo sem estímulo e pelo contrário, retirando tudo o que pudesse estimular uma aprendizagem, a menina aprendeu a ler. Que azar!! Agora vai para o primeiro ano…. Pois vai. E já sabe ler… e aprende depressa… e tem interesses tão diferentes de alguns meninos da sua sala. Mas no meio de todo o azar… algo nos vai valer. A escola agora é inclusiva! Saiu o decreto. Eu sei… eu sei. Vai ter que estar dentro da mesma sala de aula da turma porque a escola é inclusiva. E como vai estar dentro da sala de aula da turma tem que aprender o mesmo que os outros. Ai… afinal não. Os professores têm 20 e muitos alunos, quase 30, dentro da sala, mas têm que ser “flexibilizadores” porque devem flexibilizar o currículo. E não é só para aquela menina que já sabe ler… é para cada um. Porque a escola é inclusiva. Saiu o decreto! Pois… mas os meninos e meninas não podem sair da sala da turma… e eu que achava que ela podia ir até à biblioteca, à sala de computadores, ao corredor onde estão alguns jogos de estratégia… eventualmente a outras salas onde se dão matérias de acordo com os seus anteriores conhecimentos… desculpem. Enganei-me. É que a escola é inclusiva e por isso os alunos não podem sair da turma. Dizem que está no decreto!
Deixando para trás estas minudências, no próximo fim de semana, em Braga, sexta de tarde e sábado de manhã, a ANEIS vai realizar o seu Congresso Nacional sob o título “Escola Inclusiva: o lugar das altas capacidades, sobredotação e talento”.
Porque a responsabilidade é coletiva. Aos muitos senhores diretores de agrupamentos, que tiveram a veleidade de responder ao nosso convite com “na nossa escola não existem alunos com essas características - estamos muito ocupados”, a certeza de que o lugar que ocupam não é merecedor de tanta irresponsabilidade!

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