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Porque os livros importam...

Os amigos de Mariana (1ª parte)

Porque os livros importam...

Escreve quem sabe

2021-12-07 às 06h00

Cristina Palhares Cristina Palhares

Porque os livros importam: “Psicologia Positiva: Educação, saúde, trabalho” de Caroline Tozzi Reppold & Leandro S. Almeida. Último capítulo “Felicidade para o bem comum: das intervenções em psicologia positiva à educação para a paz global sustentável”, de Luís Miguel Neto e Helena Águeda Marujo
É NATAL - tempo de PAZ. Assim nos fomos habituando a ouvir. Que pena que nos tenhamos habituado! Deixamos de lhe dar atenção. Mas quando falamos da escola, a PAZ é construída à volta deste acróstico:
P - Professor A - Aluno Z - Zelar
Das muitas definições que podemos encontrar sobre PAZ, esta reflete exatamente o que se entende quando juntamos num mesmo local, o Professor, o Aluno e o verbo Zelar: A paz é um estado de equilíbrio e entendimento em si mesmo e entre outros, onde o respeito é adquirido pela aceitação das diferenças, tolerância, os conflitos são resolvidos através do diálogo, os direitos das pessoas são respeita-dos e as suas vozes são ouvidas, e todos estão no seu ponto mais alto de serenidade sem tensão social. E o que é isto se não ZELAR?
Em 2015, numa cimeira da ONU em Nova Iorque, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável foram definidos, constituindo uma agenda de ação internacional com metas até 2030. Estes objectivos foram assumidos pelos 193 países das Nações Unidas, com o objetivo global de melhorar a qualidade de vida das pessoas e do planeta, e organizam-se numa agenda global dividida em 5 grandes dimensões: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias. Novamente, PAZ. Diz o documento: Estamos determinados a promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas que estão livres do medo e da violência. Não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável. Paz… Paz. No livro que hoje importa, voltamos à mesma pequena palavra: Paz. A Psicologia Positiva afirma que o nosso discurso tem que ser complementado com “a construção de comunidades participativas, caracterizadas pela reciprocidade, gratuidade e pelas formas pacíficas de comunhão, e sobre a sustentabilidade ambiental – todos os caminhos vitais para a felicidade do bem comum.” Entretanto, a Universidade de Lisboa lançou o projeto aprovado pela UNESCO “Educação para a Paz global sustentável” (E=GPS). Este projeto pretende “refletir e co-construir soluções inovadoras no domínio da educação, e criar e acompanhar projetos comunitários na área que consideramos prioritária da educação para a Paz global, que inclui a sustentabilidade ecológica e os direitos humanos.” O projeto destaca “a importância da prevenção e da promoção do bom, do belo e do ético, e reconhece os vínculos entre a sustentabilidade ambiental e a sustentação da Paz positiva. Será dada especial atenção ao apoio ao desenvolvimento profissional e formação dos professores de todos os níveis de ensino nos domínios da Paz e da cidadania globais; aos direitos humanos; à promoção de pedagogias e práticas colaborativas inovadoras para alcançar culturas de Paz e bem-estar.” Paz. Paz sustentável. Paz Global.
Com quem? Como? Com os professores, com os alunos, zelando. Nas escolas. Aquilo que tanto precisam as nossas escolas: PAZ. Sobre isto, e permitam-me aqui um breve parêntesis, o que as escolas tanto precisam: PAZ. Paz de decretos, de leis, de pareceres. De formulários, de considerações, de evidências. A escola inclusiva, para que exista precisa acima de tudo, de TEMPO. Tempo de formação, de autoformação, de exigência não nos produtos mas nos processos. E para que haja mudança nos processos as escolas necessitam de TEMPO. Como tão bem dizia Mahatma Gandhi “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho.” É isto sim... A escola inclusiva tem que caminhar e o caminho apega-se a TEMPO. A tempo de permitir desconstruir mitos e preconceitos, de tolerância, de vivências, de respeito pelo outro.... e isto não se decreta, VIVE-SE. “Não se pode manter a paz pela força, mas pela concórdia” já dizia Albert Einstein. A força exerce-se num momento, a concórdia requer o seu tempo. A inclusão requer não mudança de comportamentos, mas antes de atitudes. E a mudança de atitudes não se decreta: acolhe-se. O acolhimento é um estado interior que ocorre porque há vontade. Vontade intrínseca. E não há lei que valha para mudar vontades.
P - Professor A - Aluno Z - Zelar
Porque quando o professor não zela, o professor perde. Porque perde a oportunidade de um dia ter sido uma pessoa importante no desenvolvimento de um projeto de vida de um aluno que lhe passou pelas mãos e que ele não cuidou, não olhou, não compreendeu, não zelou. Pelo contrário, afastou, empurrou, negligenciou. Por ignorância, por despeito muitas vezes. Mas o aluno estava lá, compareceu. Mas o professor não. Faltou. Virou costas... encolheu os ombros. Tem tantos alunos para olhar, tem tantos encontros marcados, que a este, a este... faltou. E quando assim é, o aluno vai embora também. Apenas com uma diferença. O professor não tem memória deste desencontro. O aluno leva na memória, para sempre.
Então, a PAZ dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, a PAZ da Psicologia Positiva, a PAZ nas nossas escolas, … carece da mesma ação: ZELAR.
Falar de PAZ porque é TEMPO de Natal? Sem dúvida… porque é TEMPO!!!. Por acaso é Natal!

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