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Porque é que algumas cidades crescem mais que outras?

Como ativar territórios e criar novos destinos

Porque é que algumas cidades crescem mais que outras?

Escreve quem sabe

2021-06-08 às 06h00

Vítor Esperança Vítor Esperança

Desde logo pela localização geográfica que, pela existência de água, terra arável e espaço de defesa, ou ponto nevrálgico de encontro de caminhos se viu escolhida por quem pretendeu arriscar viver em local fixo suficientemente governada para garantir sustento e segurança.
As cidades cresceram e a industrialização procurou proximidades dada a necessidade de gente para trabalhar, pessoas que se foram transforam também em consumidores. O comércio e a industrialização, construíram um mercado evoluído, dinâmico e em constante modernização, que oferecem a satisfação das necessidades, incluindo as do prazer da posse e da exposição pública que o status social requer às diferentes estruturas da comunidade.
Mais gente, mais espaço para viver, maiores necessidades para satisfazer e consequentemente mais oportunidades de futuro.
As cidades foram crescendo como crescentes foram as necessidades e sonhos da felicidade que passou a exigência de sobrevivência à da melhor qualidade de vida. Apesar do crescimento do individualismo, o espaço público e a interação com os outros como comunidade, fazem a diferença. Viver em ambiente urbano e cosmopolita é sinal de evolução e local de oportunidades, onde a vida acontece e a felicidade aparece.
Quanta mais gente mais necessidade de território. Cresce-se em todas as dimensões do espaço, mas o alargamento dos limites do urbano não pára de crescer, aumentando as distâncias entre tudo. Trabalho, escola, mercado, espaços de cultura e desporto, oferta de serviços e de espaços de encontro. A tudo as cidades que se querem atrativas têm que responder, gerando crescentes necessidades de mobilidade que se transformam em problemas de gestão do espaço público.
Com o crescimento continuo e o aumento de riqueza, o transporte coletivo perde prioridades para o uso do transporte individual. A indústria agradece e o mundo da energia fóssil baseada no petróleo atinge o seu esplendor. O excesso de oferta, inunda o mercado de automóveis usados, fazendo baixar preços transformando o automóvel num bem de fácil acesso a quase todos os cidadãos. O rácio automóvel/pessoas aumentou a de tal forma que entupimos as cidades com carros.
Criamos metrópoles ruidosas, poluídas, desumanizadas. O que era e continua a ser um enorme conforto de mobilidade, tornou-se um problema para a qualidade de vida das cidades. Já tive a experiencia de passar por cidades onde, apesar de não haver nuvens, não si via o sol, mas apenas a sua penumbra de luz ofuscada pela poluição. Felizmente a Humanidade, ou parte dela, parece ter acordado para os problemas do ambiente e da qualidade do espaço onde queremos viver, respirando saudavelmente.
Parece que temos vontade de mudar, mas não queremos deixar de usufruir dos prazeres e confortos que o uso de máquinas que necessitam de energia nos proporcionam. Não é apenas a questão das que usam energia fóssil uma vez que a produção de energia elétrica alternativa gera outros problemas e riscos, desde a questão a energia atómica até a produção de baterias que exigem a extração de recursos naturais que sabemos limitados.
Este é um novo desafio que as cidades têm para se considerarem atrativas. Como manter o acesso ao que se foi criando para satisfazer as necessidades dos seus cidadãos, conseguindo manter, ou melhorar, a qualidade de vida?
Temos que saber parar. Não é necessário dispensar tudo simultaneamente, nem voltar á idade medieval, mas temos que fazer escolhas e priorizar mudança de comportamentos de consumo, que ferem a matemática do crescimento económico em que se baseia a sociedade capitalista, a quem devemos o enorme aumento da qualidade de vida nos últimos 100 anos.
A mudança tem que ser feita pela no “mundo da oferta” num mercado capitalista moderno sustentado em Democracias. Nas cidades, serão os seus dirigentes quem têm a responsabilidade de fazer a mudança, respondendo ao novo paradigma: Qualidade de vida – Crescimento económico – Mobilidade.
Não há qualidade de vida sem criação de riqueza que proporcione a obtenção de rendimentos para os seus cidadãos possam ter acesso ao que precisam e aspiram. Este é a principal questão das cidades que se querem atrativas.
A mobilidade resolve-se com estudos de circulação alternativa e de meios de transporte diferentes no uso de energia e na forma do seu uso. Temos necessidade de diminuir o número de carros individuais em circulação. Pedir aos cidadãos que usem transporte público, mesmo que responsa com qualidade de serviço, não chega. É preciso tornar mais difícil o uso de transporte individual nas cidades. Sei que numa Democracia em que o acesso ao Poder depende do voto, diminuir regalias e facilidades à grande maioria dos cidadãos é difícil, mas sem coragem não haverá soluções boas para todos.
A atração das cidades passa pela qualidade de vida que oferece. Assim foi no passado, assim será no futuro.
Braga vai caminhando nesse sentido, mas temos muito ainda para fazer.

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