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Porque será?

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Porque será?

Ideias

2019-09-12 às 06h00

José Agostinho Pereira José Agostinho Pereira

Um estudo da Pitagórica para o JN tornado público por estes dias evidenciou duas coisas: que a maioria dos portugueses quer a regionalização; que só Lisboa está contra a regionalização.
Porque será?
A resposta segue mais à frente no mesmo estudo: Lisboa é a única região que recusa a descentralização na gestão dos milhões da Europa. Se argumentos fossem necessários para derrubar as amarras daqueles poucos que ainda acham que a desilusão regional é mais expressão de sentimentos de inferioridade do que propriamente um desejo de centrifugação da capital, a resposta está dada. Lisboa não só manda, como quer mandar! Perante resultados deste teor, como ser contra a regionalização?

O país é pequeno em dimensão, mas é grande em discrepâncias e para isso muito tem contribuído a atitude e o olhar sobranceiro com que Lisboa olha para a paisagem que é o resto. A verdade é que não olha, ou, quando muito, olha depois de chamar a si o seu quinhão – quem parte e reparte ou é tolo ou não tem arte. E para desviar atenções nada melhor que o recurso ao humor sobre tópicos indesejados. Porque será que durante muito tempo as reivindicações dos regionalistas, sobretudo dos nortenhos, foram alvo de constante chacota dos jornais e do mainstream da capital. Basta recordar os rábulas à volta dos ditos de Pinto da Costa sobre o assunto e a sua redução ao anedotário para se perceber como se desviam atenções. Pois é, o humor tem muitos méritos, mas também serve interesses próprios e esconde falhas organizacionais.

A regionalização em Portugal começa a ser um imperativo maior. As forças locais têm o conhecimento, o apego e as ferramentas para fazerem por elas próprias aquilo que mais ninguém é capaz de fazer. Nada de estranho nisto!
“O que eu requeiro, em nome da justiça e da pobreza do país, é que se não sisem os povos provinciais, para manutenção dos divertimentos de Lisboa”, disse Calisto Eloi de Barbuda, o herói camiliano de A Queda Dum Anjo na sua sua estreia parlamentar. Riram-se os doutos deputados. Mas digam a verdade: o morgado de Agra de Freimas disse alguma piada?

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