Correio do Minho

Braga, sexta-feira

Portugal está melhor? Só no Euro 2012

Amarelos há muitos...

Ideias Políticas

2012-06-26 às 06h00

Pedro Sousa

No passado dia 21 de Junho, fez um ano que o actual governo foi empossado, e a análise que posso fazer deste primeiro ano de governo PSD/CDS é que, um ano depois, o país está pior. Com este governo, o país entrou numa espiral de austeridade que está a conduzir o país para maiores níveis de desemprego, de pobreza e de desigualdade social, sem se vislumbrar qualquer crescimento económico sustentável, pelo menos, até 2017.

De há um ano para cá, este governo cortou 50% do subsídio de Natal dos portugueses; aumentou para 23% de IVA alguns produtos que se encontravam nas taxas mínima e intermédia; cortou os subsídios de férias de Natal dos pensionistas e funcionários públicos, quando, em eleições, prometeu que nunca iria cortar; procedeu a cortes abruptos no SNS e ao aumento das taxas moderadoras no mesmo, colocando em causa a sua própria sustentabilidade, qualidade e universalidade; cortou na Educação, que no próximo ano lectivo irá levar a vários despedimentos na classe docente e diminuir a qualidade do ensino público; e cortou nas bolsas de estudo do Ensino Superior, que está a levar a que muitos jovens tenham de abandonar os seus estudos por insuficiência económica. Tudo medidas que vão para além do que está acordado do memorando da ‘Troika’ e que põem em causa a coesão social e o Estado Social.

No aspecto negocial, apesar de referir inúmeras vezes de que é necessário haver entendimento e cooperação com o principal partido da oposição, a verdade é que este governo se tem mostrado intransigente e optado por tomar decisões de forma unilateral, tal como aconteceu com as posteriores alterações ao memorando negociadas com a ‘Troika’ e com a elaboração do Documento de Estratégia Orçamental, chegando, inclusivamente, a omitir ao Parlamento um documento relacionado com a evolução do desemprego até 2016. Este tipo de atitude do governo não contribuiu em nada para o diálogo democrático e demonstra um profundo desrespeito pelas instituições democráticas.

Já as políticas de estímulo económico e de combate ao desemprego, tardam em ser anuncia-das por um Ministro da Economia que, cada vez mais, se mostra incapaz para o ocupar o cargo. Ao invés de reformar o nosso sistema de Justiça, que é um dos maiores entraves ao investimento, e adoptar medidas que permitam que as empresas não tenham que suportar elevados custos de energia, o governo corta nos direitos laborais, flexibilizando os despedimentos e aumentando o tempo gratuito de trabalho, causando, com isso, maior desmotivação nos trabalhadores.

Mas a política deste governo começa a dar os seus resultados. Para além do que enunciei no início desta crónica (mais recessão, desemprego, pobreza e desigualdade social), este tipo de política tem conduzido a sucessivas derrapagens orçamentais, situando-se o défice, neste momento, nos 7,5%, quando no final do ano terá que se situar nos 4,5%. Essas derrapagens orçamentais têm-se devido ao aumento da despesa com o desemprego e à diminuição da receita por via, sobretudo, do IRC.

Para além disso, começa-se a verificar alguns dissensos dentro do governo, visto que Passos Coelho deixa a porta aberta a mais austeridade caso se confirme uma derrapagem orçamental, enquanto que Paulo Portas já veio dizer que se atingiu o limite e, como tal, não há lugar para mais austeridade.

O futuro não augura nada de bom e valha-nos pelo menos a Selecção Nacional de futebol, que está a realizar uma grande prestação no Euro 2012, orgulhando-nos e proporcionando-nos grandes alegrias que nos fazem alhear um pouco das dificuldades que vivemos. O próximo jogo prevê-se difícil, mas a História ensinou-nos a não temer-mos os espanhóis. É com este espírito que os nossos guerreiros devem entrar quarta-feira em campo e levar mais uma vez de vencida ‘nuestros hermanos’. 

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