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Portugal ficou mais pobre com a pandemia

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Portugal ficou mais pobre com a pandemia

Ideias

2021-09-25 às 06h00

António Ferraz António Ferraz

Em economia, o nível geral de pobreza de um país pode ser inferido, entre outros, pelo nível de bem-estar económico ou poder de compra das famílias. Ora, o nível de bem-estar económico ou poder de compra das famílias, pode, por sua vez, ser expresso por dois indicadores económicos: (a) o Produto Interno Bruto per capita medido em paridades de poder de compra - “PIB per capita em PPC”- que mede a riqueza produzida (PIB) por habitante (PIB per capita) ajustado ou corrigido pelo diferencial de inflação entre países. Pelo seu especial interesse incidiremos a nossa análise em termos comparativos entre preços de um país-membro e a média da União Europeia (UE-27); (2) a Despesa de Consumo Individual per capita medido em paridades de poder de compra - “DCI per capita em PPC”. Para o EUROSTAT este último indicador é considerado como sendo o mais adequado na definição do nível de bem-estar económico ou poder de compra das famílias dado integrar todos os bens e serviços consumidos pelas famílias quer obtidos diretamente ou fornecidos pelo Estado (habitação social, saúde e educação, etc.).
Passamos então, a analisar a evolução recente do nível geral de pobreza em Portugal inferido por aqueles dois tipos de indicadores económicos, confrontando-os com à média da UE-27.
(1) “PIB per capita em PPC”: Em 2020, primeiro ano de pandemia, o seu valor em Portugal baixou para 77,0% (média da UE 27 = 100%) face aos 79,2% no ano anterior. Por sua vez, naquele ano os países da UE-27 com valores mais elevados foram o Luxemburgo (266%), a Irlanda (211%) e a Dinamarca (136%). Na cauda da tabela situavam-se a Bulgária (55%), a Grécia e a Croácia (ambos com 64%).
(2) “DCI per capita em PPC”: Em 2020, Portugal registou um valor de 85% da média da UE-27, um valor 15% inferior à média da UE-27, ocupando assim uma modesta 16ª posição na lista dos países-membros da UE-27 e significando um retrocesso relativamente aos 86% do ano anterior. Quer dizer, por cada 85 euros que uma família europeia precisa para comprar um dado cabaz de bens e serviços os portugueses teriam de gastar 100 euros (mais 15 euros). Mais grave, porém, é o facto de no período de 2005/2008, o indicador “DCI per capita em PPC” em Portugal ter assumido valores bem maiores, acima mesmo dos 90% da média da UE-27. Por sua vez, em 2020, as 18 economias europeias que apresentaram um consumo individual real per capita mais baixo face à média da UE-27, foram a Bulgária (61%), a Croácia (67%) e a Hungria (69%). Ao invés, com resultados mais positivos aparecem o Luxemburgo (131%), a Alemanha (123%) e a Dinamarca (121%).
E se atendermos a um espaço temporal maior? Verificamos que os indicadores de bem-estar ou poder de compra das famílias portuguesas registaram melhorias nos anos anteriores à pandemia, se bem que sempre abaixo da média da UE-27. Porém, como vimos, dá-se um retrocesso em 2020 devido a crise da pandemia Covid-19. Mais, no presente o nível de pobreza geral é pior do que o existente em 2008 (antes da crise económica e financeira global). Em suma, há uma tendência atual de retrocesso do nível de bem-estar ou poder de compra das famílias resultante da estagnação da economia portuguesa durante a crise pandémica.
Para que Portugal possa ultrapassar essa fragilidade económica e inverter o processo de degradação do nível geral de pobreza, a governação portuguesa deve implementar medidas estruturais de política económica, nomeadamente quanto ao acréscimo do investimento interno (público e privado) que incorpore inovação tecnológica digital e inteligência artificial, promovendo, assim, um aumento da produtividade económica, garante de um crescimento económico sustentado.
É de referir ainda a necessidade de uma gestão eficaz e transparente dos avultados recursos financeiros provenientes do Fundo Europeu de Recuperação e Resiliência (FRR) da UE-27, destinados à recuperação das economias mais atingidas pela recente crise económica e sanitária.
Observe-se, que para além da melhoria da produtividade económica pelo incremento do investimento reprodutivo, torna-se também indispensável, o aumento da escolaridade e qualificação profissional dos trabalhadores e a adoção de técnicas de gestão e organização empresarial compatíveis com o mundo moderno. Por fim, urge que haja um combate aos desequilíbrios regionais patentes em Portugal, em particular, quanto a desertificação territorial, ao envelhecimento populacional e a falta de incentivos económicos e de infraestruturas visando a deslocalização de pessoas e empresas para o Interior do País. Só assim, estarão criadas as condições para se alcançar a tão desejada coesão económica e social, sem a qual dificilmente Portugal almejará um cresci- mento económico sustentado (a médio e longo prazo).?

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