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Portugal, meu amor!

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Portugal, meu amor!

Ideias

2021-06-06 às 06h00

Artur Coimbra Artur Coimbra

(A propósito do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades)

1. Confesso o meu portuguesismo visceral, a minha condição de eterna e imensa paixão pela minha terra, o meu território, a minha gente, a minha história, a minha língua, os condimentos que fazem de nós o que somos, a forma como nos comportamos, os ideais e a cultura que nos (trans)forma. Ser português é ser único, particular, irrepetível. Orgulhosamente portugueses. É ter a alma moldada pelo fado, essa singularidade que nenhum outro povo consegue ter. É ter a correr no sangue esse sentimento tão português como a saudade, ou a miscelânea quente de cores, movimentos e ritmos que é o nosso folclore, tão diverso e arreigado às regiões e às tradições. E uma gastronomia que ninguém consegue igualar. E um sol de todo o ano, um mar indizivelmente penetrante, uma luz como não há outra no mundo. Essa a razão por que todos os anos, em tempos normais, milhões de turistas de todo o mundo desembarcam sonhos e utopias neste pequeno rectângulo à beira mar espraiado. E dizem maravilhas do nosso território, das nossas gentes, da nossa hospitalidade, da nossa gastronomia sem igual.
Confesso que fico profundamente irritado, enfurecido e chocado quando oiço uns nabos por aí, sem saber o que dizem, com propósitos de baixa política, de extremismo raquítico a cheirar a fedor salazarento, a proclamar que, atento o estado a que as coisas chegaram, “têm vergonha de ser portugueses”.
Pois a esses (e a quejandos) idiotas, só tenho um conselho, dado de borla e com a maior sinceridade: desandem daqui, que não fazem cá falta nenhuma. Quem tem vergonha de ser português, que vá para onde bem quiser, que ninguém notará a sua falta. Portugal dispensa bem quem não lhe quer bem, ou aqui não se sente em casa. O que tanto se aplica aos naturais, como aos estrangeiros que, muitas vezes, vogam ao sabor de ondas de artificiais interesses políticos ou económicos, sem correspondência com o que efectivamente é importante. Mas só importa quem cá está, ou quem vier por bem! O resto, é geoestratégia ou desprezível calculismo, que nem ao Menino Jesus diz o que quer que seja.
Portugal é mais que a soma de todos os interesses, as ambições, os sonhos, as realizações, os desejos, as frustrações, de quem aqui habita há milénios, ou de quem aqui aporta, por breves dias, meses ou anos.
Um país com séculos de História, um povo que deu novos mundos ao mundo, que inaugurou há mais de quinhentos anos o que hoje se considera o início da globalização, o arranque do cosmopolitismo, não podem suportar a mesquinhez, a baixaria, a leviandade dos pequenos gestos, dos amuos, das indignações sem sentido, do absurdo da ignorância ou da conveniência.
Porque Portugal é um sonho maior que todo o pensamento, toda a criação, todo o tempo havido e por haver. Pequeno em território, gigante na História, imenso nas ambições, Portugal não tem princípio nem tem fim, é o alfa e ómega de todos os portugueses que se orgulham de serem quem são.

2. Portugal, meu sacrossanto e mítico país de Fado e Fátima e Futebol, mas também do mais elevado esforço conseguido da ciência e do engenho e da investigação, mundos aquém e além-mar. Rincão bendito de Amália e de Mariza, de Eusébio e de Ronaldo, as lanças de Portugal no planeta, mas também de António Damásio, de Sobrinho Simões e de tantas outras mentes brilhantes que foram construindo o edifício do nosso conhecimento. Meu país de marinheiros e conquistadores de terras descobertas e por descobrir, de camponeses e operários que tecem os dias de capitalistas e exploradores com as suas máquinas e opressões.
Meu país benquisto de Nun’Álvares Pereira, de Gama e de Pedro Álvares Cabral, imensa geografia íntima e universal de Camões e de Pessoa, dos versos que se levantam do chão e das ondas de Sophia e de Miguel Torga, de José Saramago e de Manuel Alegre, pelas ruas de Paris e da alma portuguesa, um país do passado e do presente, do V Império e da modernidade.
Meu país que não se cala, nem se conforma ou submete, nem se vergou nos dias mais amargos de derrotas anunciadas. Um país vertical, olhos nos olhos, corajoso, aventureiro.
Meu Portugal que foi berço de um Império universal, do Brasil às Índias, de Angola e Moçambique a Timor. Portugal desempregado quando reduzido ao rectângulo do Minho ao Algarve e às princesas Ilhas do Atlântico. Meu Portugal pelo mundo repartido, que se derramou de Vera Cruz ao Canadá e à América tão desvairada, às Franças e Araganças dos nossos pais e irmãos, à Alemanha, à Suíça, à Grã-Bretanha ou à quente África. Onde há um sonho por concretizar aí está um português.
Meu Portugal, meu amor, meu livro aberto para o mundo, para o fundo de todos e de cada um de nós, armados de ambição. Um povo que é o melhor amigo de quem parte e de quem chega, que constrói catedrais, braço a braço, pedra a pedra, edifica pontes, casas, futuros, tolerância, liberdade de ser e de estar. Um povo que ri e que chora, na aventura ancestral do mais sentido fado. Que canta o seu destino nas cordas de uma guitarra, como quem se desvenda e desnuda uma alma que é um rio de paixão e de esperança.
Meu Portugal que é História, mãos, andanças, destinos, tradições. A melhor gastronomia, da vitela assada e do cozido, da caldeirada e do marisco, do sarrabulho e do leitão, do cabrito e do porco preto. E de tão gostosos sabores e saberes, de conventos e das mulheres do povo, que são o que de mais lídimo e autêntico ferve na alma portuguesa, as emoções à flor da pele, a geografia cintilante do sol, sul e mar, mas também as paisagens, os moinhos de vento, os monumentos, os museus, as aldeias históricas, nosso orgulho, os rios, os castelos de altaneira geografia e arreigada melancolia, os recantos mais ocultos pela surpresa onde apetece demorar até ao fim da eternidade, em oceanos de alegria e de doce felicidade.
Meu Portugal, que adoro, que não troco pelos mais luzentes diamantes. Que foi meu humilde berço e há-de ser a terra que cobrirá o que eu for, seja lá quando seja, e bem espero que o mais tempo demore.
Meu Portugal, de antanho e de agora, um povo distinto, diferente, irradiado pelo mundo, nas comunidades lusíadas que prezam a língua e derramam lágrimas de saudade, absolutamente sem igual, um povo cujo destino é realizar este belo sonho de cumprirmos Portugal! Aqui e agora; ontem, hoje e no futuro!
Portugal, meu amor de hoje e de sempre!!!

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