Correio do Minho

Braga, terça-feira

Poupar não é fácil

Tancos: falta saber quase tudo

Escreve quem sabe

2012-10-27 às 06h00

Fernando Viana

Comemora-se em 31 de Outubro próximo mais um Dia Mundial da Poupança. Este dia foi inicialmente proposto pelo Prof. Filippo Ravizza nas conclusões da Primeira Conferência sobre Poupança Bancária que se realizou em Milão em 1924, tendo ficado consignado que doravante aquele dia deveria ser um dia dedicado à promoção da poupança em todo o Mundo.

Falar de poupança numa hora de tanto aperto para a generalidade da população pode parecer uma piada de mau gosto. Nada de mais errado. A poupança é sobretudo uma questão de atitude e que nunca fez tanto sentido como hoje. Não são necessariamente os que maiores rendimentos têm os que mais poupam. Pessoas de condição económica modesta apresentam com frequência taxas de poupança muito mais elevadas que pessoas de rendimento médio/alto.

Existe na nossa sociedade um estigma relativamente à poupança, porque se confunde muitas vezes com egoísmo e mera sovinice. Quando se fala em poupança logo aparece a imagem do velho Scrooge, a figura impagável criada por Charles Dickens em “Um conto de natal”. Porém, para contrabalançar, no outro extremo, temos a célebre fábula de La Fontaine ‘A cigarra e a formiga’, que nos fazem pensar que a virtude provavelmente andará entre estes dois extremos.

A poupança é, em meu entender, uma forma saudável de estar em sociedade e que nada tem a ver com avareza. Na verdade, a poupança pode e deve ser vista como um gesto de altruísmo.
Em bom rigor quem poupa não consome recursos, que ficam assim disponíveis para serem consumidos no futuro, porventura em situação de maior necessidade. Poupar é assim contribuir para que as gerações vindouras satisfaçam as suas necessidades.

A decisão de não gastar dinheiro em compras não essenciais, que podemos traduzir por poupança, também permite poupar o ambiente, porque o consumo implica muitas vezes a destruição de recursos finitos, não renováveis. Por esta via, a poupança também pode ser vista como um gesto amigo da natureza, sendo uma boa prática de desenvolvimento sustentável.

Pelo menos, antes de comprar, reflita e pondere se precisa mesmo daquele bem. Mesmo que decida que sim, pense duas vezes, caso tenha que recorrer ao crédito para o obter. Embora o crédito constitua uma vantagem aparente porque permite antecipar a aquisição de algo, contrair um crédito também significa contrair uma dívida que mais tarde terá que ser paga.

Já agora aqui vai um desafio, no próximo dia 31 de Outubro tente poupar em qualquer coisa. Ponha esse dinheiro que poupou de parte e guarde-o. Mais tarde, poderá dar-lhe um melhor destino do que aquela compra sem sentido especial que acabou por não fazer.

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