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Precisamos de boas notícias

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Precisamos de boas notícias

Voz às Bibliotecas

2022-02-17 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Anne Bradstreet (poeta norteamericana) diz que “se não tivéssemos inverno, a primavera não seria tão agradável: se não experimentássemos algumas vezes o sabor da adversidade, a prosperidade não seria tão bem-vinda.”
Nesta altura do ano, ainda que sob frio de inverno, aproximamo-nos a largos passos da primavera.
A primavera traz consigo as temperaturas mais amenas, o desejo dos longos passeios ao ar livre, o desejo de libertarmos corpo e alma.
Na entrada da primavera celebra-se também a poesia. No mesmo dia em que se inicia esta estação, comemora-se o dia da árvore e o dia da poesia. Porque a poesia rima com a explosão de vida e cor que ocorre nesta estação. Depois da época mais recatada do inverno, na qual a natureza parece descansar placidamente, a subida das temperaturas tudo faz despertar. Nós próprios parecemos acordar de uma qualquer letargia e estamos mais dispostos para rir, conversar, passear, criar. Também acordamos para uma vida mais ativa, mais ditada por um renovado vigor e disposição.
A poesia encaixa naturalmente neste estado de espírito. Eugénio de Andrade na sua obra As mãos e os frutos, escreveu assim: Olhos postos na terra, tu virás / no ritmo da própria primavera, / e como as flores e os animais / abrirás nas mãos de quem te espera. É esta noção de abertura, de recomeço, mas também do fim de uma espera que caracteriza esta ansiada estação. Vivemos por ciclos, ciclos humanos, ciclos naturais, ciclos sociais. Esses ciclos implicam sempre fins e recomeços. Nada há de tão mau que não finde, nem nada de tão bom que não decline.
Esta primavera precisamos de boas notícias, precisamos de recomeços, precisamos de nos reinventarmos. Mesmo as piores fases são ultrapassáveis, o discurso deve ser de esperança, de retorno à vida, ao usufruto, à criação. Como seres humanos não precisamos apenas de sobreviver, mas também de viver e criar. As bibliotecas devem estar na primeira linha destes eventos de renovação. Devem ser capazes de oferecer segurança, mas também ousadia e desenvolvimento. Em si própria, uma biblioteca congrega tudo, obras de esperança e de bem-estar, mas também obras malditas e desesperantes. Tudo faz parte da vida e, nas obras escritas podemos encontrar todas as tendências, todos os géneros criativos, todas as formas de expressão. Mas temos sempre um valor que nos deve ser sempre e cada vez mais, fundamental: o direito à escolha. E, é nesta escolha que está parte do nosso processo criativo.
O longo inverno tem de findar e é tempo de esperança. Ter esperança em viver, conviver e partilhar. Estar, ser e fazer. Amenizar limitações e focarmo-nos no que podemos fazer. Avançar, ousar e criar.
Nesta época que se avizinha, aconselho ao leitor poesia. Muita, boa e variada poesia. Saibamos reinventarmo-nos e sermos melhores, sermos agentes da mudança e do bem-estar à nossa volta.

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