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Preciso de poesia

Os amigos de Mariana (1ª parte)

Preciso de poesia

Voz às Bibliotecas

2022-03-17 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Em março convocamos mais intensamente a poesia, no âmbito do Dia Mundial da Poesia, que decorre a 21 de março.
Preciso de poesia é o título de um livro escrito pela autora bracarense Teresa Teixeira, onde se alude ao importante ofício da poesia, como um ato de delicadeza, mas de coragem.
Precisamos de poesia para viver e caminhar em liberdade, colher a luz do sol, ouvir os pássaros chilrear, a luz do luar. Pudéramos mergulhar numa passagem do tempo onde nos libertássemos das amaras do momento.
A poesia é de todos, para ledores, ouvintes, autores e observadores. A poesia é escrita por poetas, muitos deles médicos, engenheiros, professores, jardineiros, costureiras, estudantes, jornalistas, canalizadores, comerciantes, de todas as profissões e dimensões. Na poesia cabem todos, como se duma cidade ou comunida- de se tratasse.
“Donde veio este poeta? / De verde prado ou do rio?”, questiona Pedro Homem de Melo. Certo é que a poesia pode ser criada e inspirada por qualquer um a partir de um momento, de uma experiência, de uma memória de infância, das instruções de eletrodomésticos, de legendas de uma foto, de um postal, de anúncios, de grafites de parede, de uma bula de medicamento.
“Os poetas são como flores: / quando conquistam as palavras exactas / e rigorosas do sangue / estremecem de excesso em vigor / e harpas” escreve Artur Coimbra no seu livro As palavras nas dunas do tempo (p. 208). Muitas vezes no processo de criação literária partimos de um vazio, de um silêncio, de uma contemplação, apenas, resgatando as palavras que melhor traduzem a essência do Eu poético, preenchendo os sentidos dos seus leitores. A palavra “chama-me essa arma / geométrica / de rigor e música” (idem, p. 134)
A poesia não precisa de palavras a mais, “Sem palavras a mais… / nem desenhos / desnecessários […], terra onde escutamos “o silêncio”, […] o tempo que passa […] numa “sinfonia do silêncio” (Rosa Vaz in Pele de Lua).
Rui Lopes, poeta-médico, no seu livro F.L.O.R., afirma que muitos sois e muitas luas decorrem em harmonia e desarmonia, na viagem que deixam sorrir, de surdina, para escrever um livro de poesia. Todo o sujeito poético faz a sua catarse e se tenta Re-Encontrar, para procurar no Futuro, na Luz, no Obscuro, o seu Amor.
Com as palavras, os diferentes sentires renovam o nosso viver, diz o cantautor Álvaro Maio, no seu livro Mais de mim. O poeta procura revirar as suas entranhas transformando-as em palavras, versos, dores… vida. Tornar os momentos de insanidade transformados em palavras, cantares de uma vida, feitas de histórias ou não, de imaginários. O poeta sente o apelo de despir o interior, a vontade de ser e de partilhar, quando escreve poemas. São gritos de alma, feitos de partilha de sentimentos, vivências e vidas. Nos textos poéticos transbordam mesclas de recordações e vivências, de sonhos e realidades, de várias vidas numa vida, onde o autor se sente peregrino de cruzadas, muitas vezes espelho de si próprio.
João Pedro Mésseder no seu livro “A doença das cores seguido de Ilha de Deus” escreve no poema 7. «Com estas palavras tão roídas / toda a gente» / abre-se por vezes uma fenda azul no muro. / E é por ela que entram as aves / que chegam do escuro.” (p. 13)
Todos os temas do Mundo cabem na poesia. Fixemo-nos na felicidade, sol de abril e a esperança de um mundo melhor.
“A felicidade começa / Quando se corre sem pressa” diz Cláudio Lima no seu livro Eu sempre guardei rebanhos (p. 34) , por isso “Amanhã pode ser tarde demais / para dizer, para falar, / para acreditar…” (Fernanda Santos in Gelosias ao Luar, p. 62) .A poesia precisa de habitar na vida das pessoas.
“Aguardemos pelo Sol de Abril / que rompe entre pingos de chuva, / traz o afago, o anúncio primaveril […] com o coração pulsando alegremente.” (Fernando Aldeia, in “Da Pedra ao Sal, do Sal à Espuma”, p. 49).

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