Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Prenda no sapatinho

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Ideias Políticas

2015-12-29 às 06h00

Carlos Almeida

É certo e sabido que, nesta altura do ano, todos nós esperamos encontrar pelo menos uma prenda no sapatinho. Mesmo aqueles que deixam muito a desejar no comportamento acabam sempre por receber qualquer coisa.
O que não esperávamos, nenhum de nós, era que nos tivessem deixado um belo de um presente envenenado.
Há tempos diziam-nos que, ao contrário de outros, o fim do programa de assistência financeira ao país era uma “saída limpa”.

Meses depois, em plena campanha eleitoral, espalharam pelos quatro cantos do país a notícia de que estávamos, finalmente, no caminho da retoma económica, da estabilidade das contas e da recuperação financeira.
Um embuste que vem agora ser revelado com o colapso do Banif. Nada que surpreenda quem já alertava para essa possibilidade quando o governo PSD/CDS decidiu recapitalizar o banco, injectando 1,1 mil milhões de euros, sem se preocupar sequer com o acompanhamento da situação e criminalização dos responsáveis.

Uma vez mais, o governo decidia utilizar o dinheiro dos contribuintes, a fundo perdido, para salvar um banco privado.
Uma vez mais, o sistema de regulação e supervisão, por incapacidade intrínseca e por opções políticas comprometidas com os senhores da grande finança, revela-se como uma verdadeira fraude, absolutamente incapaz de impedir os sucessivos colapsos financeiros, que, do BPN ao Banif, já custaram aos portugueses mais de 20 mil milhões de euros.

Esta situação vem confirmar que um efectivo controlo público da banca é absolutamente necessário. Não apenas por força destes acontecimentos, mas da instabilidade geral que não permite colocar de parte a ideia de que estes sejam episódios típicos da crise instalada no sistema bancário. Não sendo o controlo público, por si só, a solução para todos os problemas da banca, é hoje mais evidente do que nunca que só este permite as soluções necessárias.

Ao longo dos anos, os sucessivos governos nunca mediram recursos nem pouparam esforços para recapitalizar os bancos, demitindo-se sempre do seu dever de controlo dos fundos públicos e recusando-se ao apuramento cabal das responsabilidades dos actos de gestão danosa. Essa opção, para além de nefasta para o Estado, representou graves consequências na vida dos portugueses. Enquanto o dinheiro era canalizado para ajudar os amigos dos grandes grupos financeiros, era, simultaneamente, desviado das funções sociais do Estado e dos serviços públicos. Assim, tem vindo a ser destruída a escola pública, a segurança social, o serviço nacional de saúde.

Em Portugal, a opção tem sido a de salvar os bancos com o dinheiro público que escasseia nos hospitais onde cada vez mais se perdem vidas.
Esperemos que 2016 possa ser o ano da inversão de prioridades. Mas não esperemos sentados, façamos por isso.

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