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Ideias

2022-05-13 às 06h00

Margarida Proença Margarida Proença

Por estes dias, o sol e estes dias mais quentes, um maio brilhante e colorido, fazem um pouco esquecer as notícias que se vão acumulando, da tragédia na Ucrânia, ao Covid que queremos esquecer, mas se mantém presente, à inflação reforçada. Tempos estranhos e difíceis, onde as histórias do quotidiano parecem tão pequenas e injustificadas, mas onde a alegria e a esperança surgem também no rosto dos jovens que concluem as suas licenciaturas e festejam pelas ruas da cidade as suas conquistas e o direito a um futuro sonhado. Mas que não será fácil.

Desde Outubro de 2021 que o teto do preço da energia tem vindo a subir em todo o mundo. Nessa altura, porque os preços do gás e da eletricidade subiram em todo o mundo e passou a custar mais aos fornecedores de energia para os levar até aos pontos de consumo. Por essa altura, o aumento dos preços da energia era visto contexto da recuperação económica pós-covid. A procura global, em particular de bens de consumo duráveis aumentava, até porque o confinamento tinha permitido de facto um aumento na poupança das famílias. Tudo isto indiciava que a economia estava a reagir, e bem, sinalizando positivamente o lado da oferta. Mais produção, mais emprego.

Mas depois rebentou a guerra na Ucrânia, e este ano já, no início de abril, o teto do preço da energia aumentou novamente em 54%. A natureza da subida do preço era já bem diferente, provocada não pela reação positiva da economia, mas pelas disrupções na oferta do gás e do petróleo por causa das tensões geopolíticas. Ora quando os preços da energia disparam, para os países que a importam, isso significa que os termos de troca pioram. Como muitos estudos mostram, por exemplo um recentemente publicado no contexto do Banco Central Europeu, esta variação dos preços possibilita uma transferência da riqueza dos países importadores para os exportadores, e tem um impacto muito grande na estrutura de consumo dos importadores. O impacto generaliza-se aos mais variados setores, e desde logo aos que produzem produtos complementares, como por exemplo os automóveis.

O funcionamento dos mercados é muito complexo. A eficiência das políticas económicas a implementar depende também da diferente justificação para o aumento dos preços. Se a razão para o aumento dos preços da energia for um aumento da procura, será então de esperar que os salários subam, e aí a política monetária deve ser mais rigorosa, no sentido de controlar ou pelo menos estabilizar a inflação. No artigo publicado pelo Banco Central Europeu no seu Boletim Económico de Março, é argumentado que quando a justificação para o aumento dos preços da energia são as restrições do lado da oferta, a política monetária, traduzida pelo acréscimo das taxas de juro, deve ser mais branda.

Na união Europeia, cerca de 30% da energia destina-se a consumo final. O efeito da subida dos seus preços remete para a perda de poder de compra das famílias, principalmente daquelas que têm níveis de rendimento mais baixos, e traduz-se também num aumento dos custos de produção, e por essa via, dos preços em geral. E se os preços não subirem, haverá pressão para uma descida dos salários.
O que é claro, se repercute numa nova fonte de quebra do poder de compra e do consumo privado. Será de esperar uma contração no nível de poupanças, e se as taxas de juro subirem – o que vai acontecer – dificuldades adicionais no cumprimento dos pagamentos. Tanto dos particulares, como dos governos, ao nível da dívida pública. Provavelmente, será necessário um reforço da política fiscal para diminuir o impacto negativo sobre as famílias, por exemplo através da diminuição do imposto sobre a gasolina ou a subsidização aos rendimentos mais baixos. Como está a ser feito.

Mas os tratamentos para a doença atuam lentamente e rodeados por incerteza. Á tragédia da guerra na Ucrânia soma-se um quadro económico global preocupante. Valha-nos a alegria dos jovens e a sua esperança reinventada.

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