Correio do Minho

Braga, segunda-feira

- +

Prioridade…ou não?

O espantalho

Voz às Escolas

2016-09-22 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Com as energias renovadas, regressámos à escola e demos início aos trabalhos de preparação de mais um ano letivo, desta feita, o ano de implementação do Plano de Ação Estratégica para Melhoria dos Resultados Escolares (PAE), “… instrumento de governação pedagógica da escola, a desenvolver no quadro de um programa nacional para a promoção do sucesso, criado através de uma Resolução de Conselho de Ministros, em resposta a uma emergência nacional tendo em conta as nossas elevadíssimas e persistentes taxas de insucesso e abandono escolares, quer pelo que representam em si próprias quer quando as comparamos com as dos países da União Europeia e da OCDE.” Professor José Verdasca, Coordenador da Estrutura de Missão.
De acordo com as orientações emanadas pela equipa responsável pelo projeto, a batalha deveria mobilizar não só as escolas mas a sociedade, em geral, tendo tido início num dos períodos mais críticos do ano, o do seu encerramento, sujeitando grupos específicos de profissionais de educação a um período de formação e de construção, sensibilizando-os para o facto de que “Sendo o insucesso escolar um flagelo nacional” lhes assistia “o dever e a responsabilidade institucional …. de o combater …”.
E, assim, respondendo ao apelo ao nacionalismo que os carateriza, apesar de uma boa dose de ceticismo quanto à operacionalização de um plano cujo êxito dependia de recursos que uns afirmavam estarem já pré-definidos e outros que ainda haveriam de o ser, embora todos desconhecessem a coberto de que critérios, meteram mãos à obra, “confessaram” as suas fragilidades e “prometeram” alterar as dinâmicas ao nível da sala de aula e adotar medidas centradas na diferenciação e na inovação pedagógicas, como se, repentinamente, se tivesse descoberto a caixa de pandora.
No entanto, e não obstante a inoportunidade temporal, temos que reconhecer que o processo de construção do PAE deu lugar a momentos de salutar partilha entre os órgãos de gestão das escolas e potenciou a reflexão e o diálogo, no seio das respetivas comunidades escolares, em torno das fragilidades e das medidas de superação preconizadas para a melhoria dos resultados escolares, mobilizando competências e saberes, o que acabou por amenizar o ambiente de algum mal estar provocado por decisões repentinas e apressadas e, sobretudo, deficitariamente concertadas.
Com a convicção de que o futuro se avizinhava mais promissor, embora requerendo um aumento significativo de investimento nas práticas ao nível da sala de aula, tendo em conta que qualquer inovação implicava alterações nas práticas instituídas, deixaram a escola e levaram na bagagem para o merecido período de descanso um fervilhar de ideias a merecer o devido amadurecimento.
Acontece que, usualmente, o período de encantamento esmorece, e a corrobora-lo está este solarengo mês de setembro em que as expectativas criadas às escolas se foram diluindo com o passar do tempo; o descrédito espreita, cioso de recuperar um lugar há muito conquistado e que, súbita e até inexplicavelmente, tinha sido usurpado pela confiança num projeto que mobilizou o país, e a escola corre o risco de se perder na confusão gerada pelas promessas ainda não cumpridas.
Meus amigos, há décadas nestas lides curvo-me, uma vez mais, perante a vossa extraordinária capacidade de ultrapassar atropelos atrás de atropelos e, conscientes de que os professores são, efetivamente, o motor da sociedade, continuar a inovar e a diferenciar em prol da única razão pela qual ainda vale a pena não cruzar os braços - os alunos.
Receio, confesso, que um dia se cansem desta escola pública pela qual damos “a vida” e esta passe a ser mais uma “repartição pública” em que os funcionários têm um horário a cumprir e tarefas defi-nidas a realizar e, na ausência de condições para trabalhar… faz-se o que se pode porque a mais não podemos ser obrigados.
Seria de muito mau tom duvidar das intenções subjacentes a todo o processo em que nos vimos envolvidos, e em que envolvemos a comunidade educativa, quando temos que responder pelos recursos que elencámos num plano que mereceu a aprovação da tutela e de que, até à data, não há notícia?
Pois acabo de o fazer… Porque a quem dá a cara deve ser reconhecido, pelo menos, esse direito, o de duvidar de quem tantas vezes veste a pele do lobo.
Imaginem se não se tratasse de “uma emergência nacional” no combate a “um flagelo nacional”…
Provavelmente as prioridades foram, uma vez mais, alteradas.

Deixa o teu comentário

Últimas Voz às Escolas

29 Junho 2020

Ikigai

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho