Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Programas de enriquecimento: Porquê epara quê

Sinais de pontuação

Ideias

2014-02-25 às 06h00

Cristina Palhares

Este texto é hoje dedicado ao André Fernandes, voluntário da Delegação de Braga da ANEIS, que nos deixou ontem, aos 25 anos.
Contador de histórias exímio, contou e encantou durante dois anos o grupo das crianças mais novas que frequentam o Programa de Enriquecimento aos sábados. A criação de respostas adequadas e diversificadas a alunos com características de sobredotação é um dos princípios básicos dos programas de enriquecimento desenvolvidos pela ANEIS. Também estes têm necessidades específicas, fruto da singularidade do desenvolvimento cognitivo, emocional e social, que requerem respostas específicas e individualizadas.

Os programas de enriquecimento pretendem assim aprofundar não só habilidades cognitivas e estratégias de aprendizagem mas também atingir dimensões como a motivação, o relacionamento interpessoal, as expressões,…, o desenvolvimento da criatividade e, fundamentalmente, a satisfação dos interesses individuais através de propostas tutoriais.
Num contexto social e político adverso ao desenvolvimento do talento e à criação de novas respostas educativas, as escolas não têm tido capacidade (quer por desconhecimento da temática quer das suas formas de intervenção) para gerar no seu seio respostas educativas de enriquecimento que permitam atender às necessidades e características destes alunos.

Surgem assim os programas de enriquecimento da ANEIS, numa tentativa de colmatar, como coadjuvante de um sistema educativo que se quer inclusivo, a lacuna legislativa que em matéria europeia apenas falta neste nosso cantinho à beira mar. Os sábados tornam-se diferentes, para os pais e para as crianças /jovens que são encaminhados após uma avaliação especializada. Um grupo de voluntários normalmente das áreas educacionais e da psicologia, tentam dar corpo a um programa variado que inclua todas as ciências, todas as artes e expressões, todas as componentes sociais, motivacionais, de partilha e de construção em grupo, individual, em pares… todas as formas são possíveis e com elas todas as respostas.

O desenvolvimento do pensamento, da sua forma convergente para uma forma mais divergente, aliada ao desenvolvimento da criatividade é também um dos motivos que nos prendem ao desenhar este tipo de programas. Assim, e apoiando-nos no Professor Renzulli e nos programas direccionados a diferentes escalões etários vamos construindo atividades diferenciadas divididas em três grupos. Atividades tipo um, ou seja, atividades exploratórias gerais. O objectivo destas atividades é encorajar a produtividade criativa nos jovens expondo-os a vários tópicos, áreas de interesses e campos de estudo.

Estas atividades envolvem uma variedade de disciplinas, ocupações hobbies, pessoas, lugares e eventos que de alguma forma estão ligados ou não com o currículo regular. Atividades tipo II, serão atividades de treino de grupo ou seja, consiste na promoção do desenvolvimento de processos cognitivos e afetivos através de materiais e métodos elaborados.

Estas atividades incluem o desenvolvimento do pensamento e resolução criativa de problemas, pensamento crítico e processos afetivos, variedade de habilidades específicas de aprendizagem “como fazer”, envolve o uso apropriado de materiais de nível avançado, habilidades de comunicação visual, oral e escrita. Finalmente, actividades tipo III.
Estas atividades envolvem alunos interessados em estudar uma área e dispostos a empregar o tempo necessário na aquisição de conteúdos avançados e treino de processos, assumindo o papel de investigadores.

Os objetivos deste tipo de atividade incluem a promoção de oportunidades para aplicar interesses, conhecimentos, ideias criativas e envolvimento com a tarefa a problemas em áreas de estudos selecionados pelas crianças/jovens promo- vendo o desenvolvimento de compromissos com a tarefa, autoconfiança e sentimentos de realização criativa.

No final, e que justifica todo este programa extracurricular apenas uma nota. Todas as actividades implementadas e trabalhadas nos sábados de manhã assentam numa maior premissa: o relacionamento e o desenvolvimento de afetos entre todos os participantes. Entre pares, entre pais e filhos, entre monitores e pais e entre monitores e filhos. E esta é sem dúvida a maior valia do programa de enriquecimento. As relações que estabelecemos. Hoje ficamos mais pobres. Porque nos vai faltar o André. Insubstituível….

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