Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Promessas, leva-as o Rio

Um convite da Comissão Europeia para quem gosta de línguas

Ideias Políticas

2016-11-01 às 06h00

Pedro Sousa

Foi ontem apresentado e, sem surpresas, aprovado pela maioria PSD-CDS-PPM o Orçamento da Câmara Municipal de Braga para o ano de 2017.
Foi sem surpresa, também, que os Vereadores do Partido Socialista e da CDU votaram contra este documento que, mais uma vez, apresenta uma visão deturpada e errada das prioridades políticas da Governação Municipal, não responde, de todo, às principais necessidades do Concelho e tem, a um ano de eleições, um forte pendor eleitoralista [(que resulta claro do reforço do investimento para as Freguesias (que só peca pelo atraso) e de um conjunto alargado de outras intenções)] que levaram a que caísse, com estrondo e de uma vez por todas, a ideia que Ricardo Rio procurou consolidar de que consigo na Presidência da Câmara de Braga não haveria obras, intervenções e comportamentos motivados pela proximidade temporal do regresso ao julgamento das urnas (de voto, claro).

A verdade, triste, é que Ricardo Rio e a sua “nouvelle“ gestão municipal prometeram muito, afirmando o actual Presidente da Câmara, na altura líder da oposição, novos paradigmas de pensar, perspectivar e desenhar a cidade, prometendo, de forma fácil, leviana e no afã de captar o maior número de votos, resolver assuntos complexos, difíceis e que, hoje, cumpridos que estão, já, três quartos do seu mandato se arrastam sem solução à vista.

Escrutinando com rigor quer o programa autárquico da coligação “Juntos Por Braga”, quer um conjunto de outros compromissos avulsos assumidos e anunciados pelo Dr. Ricardo Rio, é demasiado claro que, como dizem os bem conhecidos provérbios portugueses “Promessas leva-as o vento”  e “Promessas engodos são”, são muitas, demasiadas, as promessas incumpridas e os projectos esquecidos, numa cidade que, não fosse o atropelo festivo e o permanente fervor carnavalesco (que vão servindo para disfarçar algumas coisas), estaria a viver os tempos mais cinzentos da sua rica e vetusta história.

Senão vejamos: faltando menos de um ano para cumprir o seu primeiro mandato à frente dos destinos do Município de Braga, está por resolver a questão dos parquímetros, bandeira muito agitada em campanha e sobre a qual Ricardo Rio afirmou aos sete ventos que, caso fosse eleito Presidente da Câmara, resolveria de uma penada; o Parque Eco-Monumental das Sete Fontes, provavelmente o maior cavalo de batalha de Ricardo Rio nos dez anos em que liderou a oposição à Câmara Municipal de Braga, foi guardado numa gaveta que se presume profunda, dado que há muito saiu do radar de prioridades do Sr. Presidente e do seu executivo; a requalificação ambiental e urbana das margens do Rio Cávado continua por fazer; a recuperação da Fábrica Confiança (sobre a qual dizia ser um imóvel de enorme importância na preservação), que foi adquirida com o voto favorável de Ricardo Rio, à altura líder da Oposição, está hoje abandonada e não se lhe augura um futuro digno da sua história; bem como, a intervenção no mercado municipal que, ano após ano, vem sendo adiada desde 2013, surgindo, agora (mais vale tarde do que nunca), como mais um trunfo eleitoralista.

Indo, agora, ao recorte mais fino do Orçamento, verifica-se que há, como já havia referido, um reforço ao nível do investimento de quase nove milhões de euros, face a 2016, verificando-se, ainda, o aumento de um milhão de euros em transferências para as Freguesias e de onze milhões de euros nas rubricas destinadas a obras.

Mas se, por um lado, há estes acréscimos orçamentais para obras e transferências para as Freguesias, temos ao nível da Cultura, uma das áreas em relação às quais, no passado, Ricardo Rio era mais crítico, um corte de quase meio milhão de euros ao nível das despesas de investimento. Esta questão é tão mais importante, conquanto revela a visão acabrunhada, triste, envergonhada e sem ambição de futuro, progresso e cosmopolitismo que o actual executivo municipal tem para Braga.

Outra das áreas que, no passado, sempre mereceu reparos de Ricardo Rio foi a área da Protecção Civil. Ora, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... só assim se poderá compreender que no orçamento da CMB para 2017 Ricardo Rio consigne para investimento nesta área, o garante da segurança de todos nós, cerca de setenta e cinco mil euros, menos, pasmem-se, do que os cerca de oitenta mil que, recentemente, gastou na remodelação faustosa e principesca do seu gabinete na Câmara Municipal.
É tempo de mudar de rumo. A bem de Braga.

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