Correio do Minho

Braga, sábado

- +

Propriedade dos resíduos

Assim-assim, ou assim, sim?

Propriedade dos resíduos

Ideias

2019-09-04 às 06h00

Pedro Machado Pedro Machado

De regresso às crónicas neste jornal, lamento voltar a abordar um tema que tem sido recorrente ao longo dos anos que tem a ver com os desvios de resíduos da via pública, junto aos ecopontos, mas também os resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE) depositados nos pontos eletrão, existentes em superfícies comerciais!
Neste período de verão, em que a população nos nossos municípios aumenta, quer com o turismo, mas sobretudo com o regresso às suas origens de milhares de emigrantes, é com satisfação que vemos a cada vez maior preocupação com a separação de resíduos, com a reciclagem. A Braval desenvolveu esforços para minimizar possíveis problemas com o aumento das quantidades depositadas nas ecopontos, com maior número de contentores recolhidos e maior número de quilómetros percorridos.

No entanto, é também com alguma tristeza que constatamos não haver o cuidado de procurar o ecoponto seguinte, no caso do que pretendiam utilizar se encontrar cheio, ou mesmo aguardar a recolha do ecoponto, para poder colocar os resíduos e não os deixar fora dos contentores. E estas situações, para além de levarem a que outras pessoas coloquem todo o tipo de resíduos fora dos ecopontos, potenciam também o desvio de resíduos da via pública, quer por pessoas necessitadas, quer por redes ilegais organizadas.
Como munícipe, a minha expetativa quando coloco resíduos no ecoponto ou ponto eletrão é que sejam encaminhados para reciclagem, para além de contribuírem para um melhor ambiente, contribuir também para a redução das tarifas de resíduos. Ora, com estes desvios, estas expetativas são defraudadas, pois quem retira resíduos do ponto eletrão, desmantela-os para retirar o que lhes interessa vender e abandona as carcaças na via pública. Por outro lado, também saem goradas as expetativas de contribuir para a redução de tarifas, pois os sistemas vêem-se privados da sua matéria-prima e nem contribuem para as metas de reciclagem.

Há vários anos que tenho vindo alertar para este problema, o roubo de resíduos, na via pública ou, como no caso dos REEE, em espaços privados, ainda que de acesso público. Já fui crucificado em praça pública por dizer que era roubo. No entanto, é isso mesmo, estes desvios são roubos da matéria-prima da atividade dos sistemas de tratamento de resíduos.
No entanto, enquanto não houver legislação que regule a propriedade dos resíduos colocados na via pública, estes problemas continuarão a ocorrer e, toda a população fica prejudicada.

Urge definir que a propriedade dos resíduos é exclusivamente dos municípios ou das entidades que detêm a concessão para a sua gestão e tratamento, como é o caso da Braval e de outras entidades gestoras por todo o País.
Por tudo isto, continuo a apelar também à cidadania da população, à sua coresponsabilização nestas situações, caso presenciem estes atos ilegais, os comuniquem às autoridades: PSP, GNR (SEPNA) ou até mesmo à Braval, para que sejamos nós a comunicar às autoridades e exigir fiscalização deste tipo de situações, como o temos vindo a fazer.
O roubo de resíduos constitui um crime que nos prejudica a todos. Ajude-nos a combatê-lo.
Ajude-nos, ajudando-se!

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.