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Provas “À la Carte”

O espantalho

Voz às Escolas

2016-04-07 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Volvidos 2 anos, continuo a sentir-me numa encruzilhada sempre que tenho que decidir sobre a matéria das crónicas que me têm dado o privilégio de escrever, num órgão de comunicação social aberto a dar ‘Voz às Escolas’, o Correio do Minho.
E, assim, dou comigo numa reflexão mensal que vai reforçando a ideia de que a encruzilhada decorre da instabilidade em que continuamos a viver, e de que a opção pela divulgação do muito que de extraordinário se vai fazendo no agrupamento a que pertenço, independentemente da turbulência e da interrogação quanto ao dia que se segue, seria bem mais aliciante, para além de bem mais justa e, estou certa, bem mais do agrado de todos os que se dão ao trabalho de dedicar algum tempo a ler o que escrevo.
Acontece, porém, que não resisto a partilhar o quanto a escola pública “sofre” com a falta de rumo que condiciona toda a sua ação e condena o futuro de uma sociedade já de si tão desorientada, mesmo correndo o risco de “estar a pregar no deserto”. Mas o que realmente prevalece é a consciência de que falo em nome de uma classe, a dos profissionais de educação, apesar de não estar mandatada para falar a não ser pelas vozes que me vão chegando e me incentivam. E é quanto me basta.
Ora, da panóplia temática para esta edição, decidi levar-vos a refletir sobre aquele que é, neste momento, um dos temas mais badalados, e que pela prerrogativa que foi dada aos diretores pode agravar, ainda mais, o clima de escola - a aplicação, ou não, do modelo integrado da avaliação das aprendizagens no corrente ano letivo.
Em janeiro assistimos à retoma de uma prática do agrado das escolas e que, durante um determinado período de tempo, havia sido arrumada na prateleira - as reuniões periódicas da equipa ministerial com os diretores. Durante a sua intervenção, o nosso jovem ministro apresentou o modelo integrado de avaliação externa das aprendizagens no ensino básico, modelo que abolia os exames dos 4.º e 6.º anos e que introduzia as provas de aferição das aprendizagens a realizar nos 2.º, 5.º e 8.º anos.
Acontece, porém, que apesar da referida apresentação pública, apenas um dia antes do final do 2.º período as palavras foram passadas a escrito e chegaram às escolas, através de uma nota informativa, nota essa que preparava a publicação do normativo sobre a matéria, o que aconteceu no 1.º dia do terceiro período, e em que somos confrontados com uma premissa não expectável - as provas de aferição podem ou não ser realizadas de acordo com a decisão do diretor, ouvido o conselho pedagógico, e… por decisão do diretor e ouvido o conselho pedagógico podem, até, continuar a realizar-se os exames que se diz terem sido abolidos.
Fala-se de um regime transitório, mas se a intenção é a de acabar com os exames, e uma vez que a grande parte do ano letivo já está cumprida, por que não terminar o que começámos e atirar as medidas inovadoras, e toda a lógica que lhe está subjacente, para o próximo ano letivo?
Além do mais, fala-se na opção pela realização dos exames abolidos “visando a aferição e a obtenção de dados de final de ciclo”. A obtenção de dados para quê? Será que a determinação do crédito horário a atribuir às escolas, e de que estas tanto precisam para promover o sucesso dos alunos, vai basear-se nesses resultados? E se o diretor decidir pela sua não realização? Será que a escola não virá a ser penalizada? Ou será que o crédito vai ser calculado em função dos resultados das provas de aferição? E se o diretor decidir também pela não realização deste tipo de avaliação das aprendizagens?
Gostaria de acreditar que, finalmente, as escolas iriam ser dotadas de um crédito proporcional aos problemas de insucesso com que se debatem, em termos a contratualizar, mas seria bom de mais e lá se iriam as escolas de primeira.
Podem parecer questões de lana-caprina, mas atendendo aos atropelos que temos sofrido… perdoar-me-ão o ceticismo.
Certo, certo, é que estamos perante um processo de “ Provas à la carte” e não temos muito tempo para escolher o menu mais adequado.
E tudo isto a 2 meses do termo do ano letivo.

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