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Prover os Janeiros

Quem me dera voltar a ser Criança

Prover os Janeiros

Escreve quem sabe

2019-12-18 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

Cá está o último mês do ano de 2019 - e quase, quase, a terminar. São os últimos cartuchos que poderemos utilizar para usufruir deste período quase transato e, muitas vezes, é nesta altura que aproveitamos para ponderar as nossas ações, as passadas e as futuras. E a nossa posição nos ambientes familiares que nos circundam, nos nossos ambientes comunitários e sociais. E nos nossos ambientes profissionais. E, basicamente, ponderar a vida em geral.
E é nesta ponderação da reta final do ano que se assinala um dia importante (porém quase desconhecido) para todas as pessoas, o Dia Internacional da Solidariedade Humana, que nos vem chamar a atenção de necessidades para além das nossas esferas pessoais e individuais. Sim, porque não vivemos numa bolha, vivemos em conjunto e interação com outros semelhantes a nós, com outros que partilham daqueles «nossos» já mencionados e que julgamos tão exclusivamente nossos.

Este dia, celebrado a 20 de Dezembro, foi fixado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e o seu objetivo, com base no âmbito do sentido geral da ONU de promoção da paz, dos direitos humanos e do desenvolvimento económico, cultural e humanitário, é promover o valor universal e fundamental da solidariedade, que deve marcar o fundo relacional entre todos. Nos últimos anos este dia tem sido assinalado com uma maior atenção para o assédio no local de trabalho e para a necessidade da promoção da igualdade entre mulheres e homens que, diga-se de passagem, tem sido amplamente trabalhada nos tempos presentes – embora, para já, os resultados ainda não sejam muito animadores para elas.

Existem determinados princípios associados à solidariedade, como por exemplo a justiça, a igualdade, a equidade ou a compaixão. Não me refiro a eles porque causa da aproximação do Natal e de toda a vivência espiritual e religiosa ligada à época, mas sim porque são valores universais que devem fazer parte do nosso quotidiano que, tal como a capacidade de indignação, não devem ser esquecidos quando as festividades passarem. Esta é realmente uma época que apela à grandeza de gestos e à fraternidade, no entanto, Janeiro é um mês longo, que poderá ser algo penoso, e está aí à porta – a solidariedade não termina com as badaladas da meia-noite de 31 de Dezembro.

Aliás, o dia da solidariedade acontece diariamente. Suponho que começa em casa e com aqueles que se encontram mais próximos e muitas vezes (deve) acontece(r) sem que ninguém dê conta. Outras vezes acontece no espaço de um movimento ou demonstração, como por exemplo as manifestações pela abolição da pena de morte, pela liberdade na vivência da sexualidade ou pelas transformações a nível climático e ecológico, tão sonoras hoje em dia. Independentemente da quantidade de vezes que surja e dos seus contextos, o importante é que cada um contribua com aquilo que lhe é possível, e no que lhe que proporcione uma maior indignação, logo, provavelmente uma ação mais fundamentada e mais energética.

Ser solidário implica uma doação àquele que necessita da nossa atenção - doação de tempo, doação de bens alimentares, doação de um pedido de desculpas, doação de um trabalho… A lista é desmedida e apenas termina quando não for mais necessária esta atenção e uma entrega em busca de um maior bem-estar global. O que será difícil acontecer, prevejo desde já. Não obstante, cabe a cada um de nós saber onde e como poderá exercer a sua expressão de solidariedade, mesmo que hajam Janeiros mais demorados nas nossas vidas. Sabemos que todos os temos, resta-nos ajudar os outros a ampará-los.

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