Correio do Minho

Braga, terça-feira

Quadrilátero Urbano e Fundos Portugal 2020

Confiança? Tínhamos razão.

Ideias

2014-02-11 às 06h00

Jorge Cruz

A proposta de acordo de parceria, com os programas operacionais para cofinanciamento através dos fundos do Portugal 2020, apresentada pelo governo português em Bruxelas suscitou acesas críticas de vários quadrantes políticos, em particular pelo facto de não ter havido uma discussão prévia com os principais interessados.

Um dos primeiros a erguer a sua voz foi Rui Moreira mas ainda há dias o actual líder da Associação de Municípios Quadrilátero Urbano se posicionou ao lado do presidente da Câmara Municipal do Porto nas críticas ao governo, precisamente por considerar que houve falta de diálogo com as regiões. Domingos Bragança, também presidente da Câmara de Guimarães, defendeu que a estratégia de Portugal para o próximo quadro de financiamento comunitário deveria ter sido alvo de discussão alargada, ou seja o acordo de parceria “deveria ter sido discutido com as câmaras municipais ou, pelo menos, ao nível das NUT II”.

Recorde-se que o edil do Porto já tinha criticado duramente o governo pelas mesmas razões com a autarquia presidida por Rui Moreira a aprovar uma moção reclamando uma participação activa nas negociações do próximo Quadro Comunitário de Apoio. Posição idêntica assumiu agora o Quadrilátero Urbano, constituído pelos municípios de Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães, ao exigir participar na definição dessa política que, como se sabe, visa a efectiva convergência das regiões.

Domingos Bragança lembrou, a propósito e com toda a pertinência, o peso demográfico e económico do espaço geográfico dos quatro municípios que compõem a associação de municípios de fins específicos, brandindo esse argumento para muito justamente reivindicar mais apoios para a região.

“Nós constituímos uma área do país importante do ponto de vista da população e da economia”, acentuou o líder do Quadrilátero Urbano assegurando que levará essa força, essa pujança, até aos centros de decisão, designadamente à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e ao Governo. Aliás, Domingos Bragança enfatizou, a propósito, o facto de presentemente existir um alinhamento entre os quatro concelhos que integram a associação, algo que, conforme recordou pleno de oportunidade, “nem sempre fez história neste território”.

Com efeito, a rede formada pelos quatro municípios que constituem o Quadrilátero Urbano, com os seus mais de 600 mil habitantes nas cidades e cerca de um milhão na área envolvente, é assumidamente a terceira concentração urbana e de conhecimento do país. Com características geográficas muito específicas, tem na sua estrutura policêntrica um dos seus pontos fortes tanto mais que essa característica contribui para uma maior aproximação entre os centros de conhecimento e a base económica endógena. Tal mais-valia aconselha, diria até que exige, que o Quadrilátero Urbano seja olhado e tratado com uma visão assaz diferente, bem longe de uma certa complacência com que foi visto por sucessivos governos.

Por outro lado, o facto de finalmente existir uma vontade política que compromete toda a associação contribui para um maior empenhamento de todos, ou seja, para que ninguém esteja interessado em ficar de fora do próximo programa de apoios comunitários, bem pelo contrário. Por ser assim, o Quadrilátero Urbano rejeitou a comodidade de uma posição expectante e avançou desde já para a elaboração de um documento orientador em que sejam claramente definidas as áreas prioritárias de intervenção.

Domingos Bragança deu o tom ao sintetizar a caracterização desta área territorial: “somos um grande território de tradição industrial e queremos que seja cada vez mais competitivo”. Em conformidade, é expectável que a inovação, a ciência e a tecnologia assumam o relevante papel de eixo basilar das grandes opções do Quadrilátero Urbano, embora sem perder de vista a sempre aconselhável e vantajosa estreita ligação à economia local.

Como massa crítica é matéria que abunda neste território, um território com uma enorme capacidade de investigação e ensino, centrado em instituições de ensino superior e estruturas tecnológicas de excelência e reconhecidamente de nível internacional, não será muito difícil obter um estudo de qualidade que sirva os interesses da região.

É o que agora se espera da equipa encarregada de o levar a cabo. Uma equipa coordenada pelo vice-reitor da Universidade do Minho, José Mendes, e que também integra especialistas da Associação Industrial do Minho, do Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário e da própria UM. Mas uma coisa é certa: independentemente do documento que vier a ser produzido daqui a dois ou três meses, as realidades e potencialidades desta área territorial são por demais conhecidas e incontornáveis pelo que não podem nem devem ser ignoradas ou desvalorizadas pelo governo e pelas próprias autoridades de Bruxelas. É isso que se espera.

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