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Ideias

2011-11-25 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Falar da crise já cansa. As pessoas desligam a televisão só para não se angustiarem, mas o quotidiano vai-se impondo e não adianta pôr a cabeça debaixo da areia. Todavia, há fatos do quotidiano que têm que ser lidos.

1. Depois das declarações dum secretário de Estado que aconselhou os jovens a abandonarem a sua zona de conforto e a emigrar, já que não há futuro no nosso país, vem agora o ministro da Economia anunciar o fim da crise já no próximo ano.

O senhor é um entretainer. Enquanto o ministro das Finanças corta, este brinca e quando interrogado diz que a culpa é do governo anterior. É um comportamento infantil atribuir as culpas aos outros. O senhor não vê que a crise é global e não foi inventada pelo governo anterior governo socialista. O homem que chegou com uma mala de ideias de como modernizar a economia portuguesa, reúne agora com os empresários à procura de ideias. Transformou-se no bobo da corte.

2. Foi publicado recentemente um estudo que repisa a ideia de que os trabalhadores desde 2006 se tornaram menos leais à empresa e que a percentagem daqueles que podem sair é cada vez mais elevada. Além disso, conclui-se que a motivação desempenha um papel importante já que se conclui que os factores não financeiros desempenham um papel fundamental no compromisso e envolvimento dos trabalhadores.

Factores como o respeito profissional, o equilíbrio entre a vida familiar e o trabalho, o estilo de liderança, o espírito de grupo e a forma como é tratado são muito importantes. O mundo é bem mais complexo do que pensam muitos economistas que pensam que basta manipular uma variável para que o resultado seja consistente com a hipótese. Tudo o que lida com pessoas é do domínio da imprevisibilidade e probabilidade.

3. Mas o facto mais aterrador é a ameaça crescente do fim da democracia na Europa. Foi publicado recentemente um livro por Jurgen Habermas, em que este chama a atenção para o défice democrático na Europa. Grande parte da decisões que nos atinge no dia a dia são tomadas por “funcionários esclarecidos”

Trata-se dum “corpo monstruoso de burocratas” que sabem o que cidadãos precisam. É por isso que a simples ideia de referendo desencadeia o pânico em Bruxelas.

Esta conclusão só peca por não completamente atual. Os comissários e o presidente da Comissão perderam completamente a sua autoridade, sendo as decisões políticas e económicas tomadas pela Srª. Merkel e pelo Sr. Sarkozy. Estes fazem cair governos eleitos e substituem-nos por eurocratas como Mário Monti na Itália e Lucas Papademos na Grécia.

Em Portugal, o processo foi menos claro, mas o governo é claramente comandado por um eurocrata, funcionário do BCE, o ministro das Finanças. Estes senhores comportam-se como cobradores de dívidas e executores das decisões de Bruxelas, o mesmo é dizer da Alemanha
Desta forma tenta conseguir pela manipulação financeira aquilo que não conseguiu nas duas últimas grandes guerras. Só que me parece que o caminho é igualmente perigoso; e vai acabar mal.

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