Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Quanto mais me bates, mais eu gosto de ti; de Ana Cardoso

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Conta o Leitor

2010-08-09 às 06h00

Escritor

Chamemos-lhe Geografia, camuflada pelo destino, que levou dois jovens à bela região de Trás-os-Montes. A Lua-de-mel não se previu deste modo, mas o acaso, fez a ocasião.

Reza a lenda que a bonita Leonor, de branca tez e voz serena, comparada a damas inglesas que só se viam em televisões, caixas modernas que se encontravam apenas nos poucos cafés da aldeia, veio encontrar amor no encorpado Júlio Bolonha, de cabelo negro, galã completo, cujo perfume não era mais que bafos de mulheres que por ele suspiravam. A boda surgiu seis meses depois de se conhecerem e toda a aldeia presenciou. No dia da festa (chamemos festa), a não fidelidade do recente esposo, foi descoberta por Leonor. A pobre pequena da aldeia estremeceu e, a inocência e a pureza da sua idade, não terão permitido que acreditasse. Veio Norte, veio Sul, até justiça de Fafe se fez sentir, para que o homem nunca mais se levantasse. Pois bem, naquele inesperado sol de Abril, só se espelhou lágrimas de amor e, sendo águas mil, inundou aquele pequeno coração. O caos instaurou-se, a crença desfez-se, mulheres uniram-se a mulheres, homens uniram-se a homens e, em conjuntos, batalharam os seus interesses. A desgraça da pequena incendiou peitos, fugazes de paixões e traições. Ao que parece, a zanga virou para mansinho e, no mesmo verão desse ano, muitos foram os que juntaram os trapinhos.
Hoje a lenda é festejada, com três dias de comunhão, sendo uma noite dedicada ao cumprimento do acto íntimo entre macho e fêmea. É uma festa animada, com fartura na mesa e bom vinho na pança, ao som alto de vozes e passos trocados de dança, direito a procissão e fogo para a celebração. Consta que, Júlio Bolonha, ainda visita essas casas perdidas das aldeias, satisfazendo corações e desejos: a merda é a mesma, as moscas é que mudam. Há ainda quem diga que é certo que perdure toda a vida, mas a verdadeira essência daquele meio, motivo de festa, resume-se aos amores arrufados que, lembrando Leonor, para sempre viraram dobrados.

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