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Que Braga para o século XXI?

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Que Braga para o século XXI?

Ideias

2021-04-05 às 06h00

Pedro Morgado Pedro Morgado

A paisagem urbana das áreas mais densamente habitadas da cidade de Braga é invariavelmente dominada pelo asfalto e pelo cimento. As ruas, que deveriam servir para as pessoas caminharem, estão tomadas por automóveis que circulam a velocidades tão perigosas como indesejáveis. As praças, que deveriam ser pontos de encontro entre as pessoas, estão ocupadas por carros parados nos lugares assinalados, nos que são proibidos e ainda nos passeios e nos jardins. As grandes avenidas, que deveriam interligar as diferentes células da cidade, dilaceram-na em secções entre as quais é difícil e perigoso circular a pé ou de bicicleta.
Os bairros e as principais ruas habitacionais da cidade mantêm a filosofia que dominou os anos oitenta e noventa do século passado. As casas e apartamentos são ilhas das quais se sai de carro para ir a todo o lado. As grandes unidades de trabalho são outras ilhas, vedadas, muradas e sitiadas, às quais quase só conseguimos chegar de carro. Enquanto isso - e por causa disso - a vida dos bairros sucumbe perante o advento de novas centralidades que se reabilitaram no centro histórico e contruíram nos supermercados da periferia.

Em vez de células vivificantes que comunicam entre si, a urbe converte-se numa amálgama de relações frustres que apenas se ligam para dois ou três pontos fulcrais. Uma cidade tem que ser mais do que um amontoado de casas ligadas entre si por vias rápidas que convergem para um centro nos dias de compras, festa ou folia. Sem sentido de comunidade e sem sentimento de pertença nunca seremos a cidade que queremos ser.
É muito claro para todos que, mesmo estando em 2021, Braga ainda não operou as transformações necessárias que nos permitirão chegar ao século XXI do ponto de vista urbanístico.
Embora cheguem com 20 anos de atraso, as notícias da criação de um parque verde nas Sete Fontes e da ligação Parque da Ponte - Monte do Picoto - Camélias são importantes para o desenvolvimento dessa cidade do século XXI. Estão alinhadas com o que desejamos para o futuro da nossa cidade e correspondem a uma exigência que se pressente quando vemos os raros espaços verdes e vias pedonais de Braga cada vez mais percorridos por mais gente. Mas são sinais claramente insuficientes para recuperarmos o atraso estrutural de que padecemos.

Quando olhamos para os parques verdes que se construíram nos concelhos de Famalicão e Guimarães ao longo dos últimos anos, percebemos que temos obrigação de fazer mais.
Então, o que é que temos que fazer?
Precisamos de praças que possa ser usufruídas em cada bairro e/ou conjunto habitacional. Para isso, precisamos de resolver o problema do excesso de automóveis no espaço público através da criação de soluções alternativas para o transporte e para o estacionamento.
Precisamos de circuitos pedonais que liguem as diferentes zonas da cidade entre si. Para isso, precisamos de tornar os passeios confortáveis, de criar mais zonas arborizadas, de transformar as vias rápidas em avenidas urbanas, de eliminar as passagens aéreas e de limitar as velocidades no interior da cidade.

Precisamos de uma rede de ciclovias que sirva diariamente as pessoas e ligue a estação, a central de camionagem e os principais núcleos habitacionais, empregadores e de comércio da cidade. Para isso, precisamos de reduzir o tráfego, as vias e a velocidade em alguns dos atuais eixos viários.
Precisamos de uma rede mais eficiente de transportes urbanos. Para isso, precisamos de repensar a localização de algumas paragens, de criar mais faixas exclusivas para o transporte coletivo, de melhorar o sistema de informação acerca das diferentes rotas e de debater a interligação dessa rede com os municípios vizinhos.
Precisamos de uma ligação ferroviária comboio entre Braga e Guimarães. Para isso precisamos de um consenso entre os autarcas e os deputados do círculo de Braga na Assembleia da República para que a sua ação política defenda o futuro das nossas populações.

A questão não é só político-partidária devendo incluir toda a população e evitar que a disputa eleitoral resvale para a troca fútil de acusações. Precisamos de debater argumentos e confrontar visões sobre o futuro da cidade. Seria bom que, em conjunto, pudessemos começar a transformar Braga numa cidade do século XXI.

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