Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Que Fazer?

Migrações e Estado-Providência

Ideias

2016-01-22 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Para quem não sabe ‘Que Fazer?’ é um livro de Lenine em que este, no começo do século XX pergunta qual, entre várias alternativas, o caminho a seguir.
Lembrei-me desta obra a propósito das eleições presidenciais, pois coloco-me uma pergunta análoga: Como votar? É difícil responder, sendo que estas eleições têm um ponto positivo: vamos livrar-nos do Cavaco. Este veio demonstrar na prática que o semipresidencialismo é, neste momento, um empecilho para a democracia.

Ou se opta por um regime parlamentarista e o presidente, com funções exclusivamente de representação, é eleito no Parlamento. Desta forma se poupava este ruido e muito dinheiro associado à função de um presidente intervencionista. Ou se opta definitivamente por um sistema presidencialista em que o presidente é simultaneamente chefe do governo. Esta coisa híbrida de semipresidencialismo só resulta quando o presidente tem carisma e é uma pessoa equilibrada.

Mas voltemos às eleições presidenciais e aos candidatos. Tudo aponta para a vitória de Marcelo Ribeiro de Sousa na primeira volta. Não percebo como um comentador, criador de fatos políticos, pode desempenhar um papel de moderador no sistema. A todo o momento e na função de presidente vai complicar o processo político, não constituindo um fator de estabilidade. Também não gosto francamente de Sampaio da Nóvoa e do seu discurso redondo, de frases pomposas, mas vazias e sem conteúdo. Maria de Belém é uma pessoa simpática, mas a sua campanha tem sido um desastre. Não tem carisma.

Dois outros candidatos tentam sobretudo fixar o respetivo eleitorado (BE e PCP), de forma que não se disperse. Há mais candidatos, mas ou representam vaidades pessoais, ou defendem uma causa que lhes é querida.
Mas então não se deve votar? Volto à pergunta inicial. Acho que é importante votar em qualquer candidato de forma a impedir que Marcelo Rebelo de Sousa ganhe à primeira volta e obrigar a uma segunda volta, possibilitando outro tipo de esclarecimento. Vejam só, até à data Marcelo tem feito de morto, dizendo que sim à direita e à esquerda, defendendo, quando tem que ser, um princípio e o seu contrário.

Claro que conhece bem o jogo, já que pretende ganhar à primeira volta, agradando a gregos e troianos. Por outro lado, promete tudo e não promete nada. E esta é uma regra da política, mas que os eleitores não podem comprar; doutro modo compram gato por lebre. O homem anda gozar com o pessoal.
Votem em qualquer um que não o Marcelo, mas votem. Esperemos que na segunda volta tudo se torne mais claro.

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