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Ideias Políticas

2013-01-08 às 06h00

Carlos Almeida

Ricardo Rio e Vítor Sousa, candidatos anunciados à presidência da Câmara Municipal de Braga, têm, nas últimas semanas, trocado várias acusações sobre quem são os (mais) responsáveis pela desgraçada situação em que o país se encontra. Nas palavras de um podemos ler o pensamento do outro, onde perpassa uma mensagem que de diferente só tem o nome do partido que cada um representa. De resto, a treta é a mesma.

Vítor Sousa, procurando imputar responsabilidades a Ricardo Rio pelas políticas do governo PSD/CDS, acusa-o de conivência e cumplicidade em matérias como a extinção de freguesias ou a criação de mega agrupamentos escolares. Acusa-o ainda de ser crítico dos aumentos das taxas e tarifas do município, ao mesmo tempo que fecha os olhos e procura suavizar o brutal aumento da carga fiscal imposto aos portugueses pelo governo.

Pudera! Não fosse Ricardo Rio dirigente do PSD e membro do seu Conselho Nacional, absolutamente comprometido com o seu programa político! De lamentar é apenas a fraca memória do candidato “socialista”, que parece impedi-lo de se lembrar dos tempos dos governos de José Sócrates, António Guterres ou Mário Soares. Tempos em que ninguém ouviu Vítor Sousa reclamar ou protestar perante as trágicas consequências das políticas do governo para o município e os bracarenses.

E é assim que Rio e Sousa pretendem fugir às responsabilidades dos seus partidos na condução do país. É assim que ambos procuram limpar a sua imagem, à custa de declarações dissimuladas e truncadas ou mesmo do silêncio perante assuntos tão importantes para os bracarenses, como seja o direito a uma vida digna.

Na oposição, PS ou PSD mostram-se possuidores das soluções mais justas para o povo e o país, revelam-se preocupados com as dificuldades sentidas por cada um dos portugueses. Enquanto partidos no poder, PS ou PSD evidenciam a mais profunda desumanidade nas políticas praticadas, esquecendo e contrariando o que disseram dias antes, apontando sempre ao outro a responsabilidade pelo estado do país. Sempre assim foi e não têm vergonha que assim continue a ser.

Outro facto surpreendente, que veio introduzir algo de novo na conversa desses partidos, surge com o malfadado “memorando de entendimento”. No momento da sua assinatura estava o PS no governo, é um facto. Sem querer ilibar o PS, a verdade é que isso não legitima o repetitivo paleio dos dirigentes do PSD e CDS que aponta o dedo exclusivamente ao PS. Ora, não tivessem eles - PSD e CDS - assinado por baixo, com corpo e alma, o texto do memorando.

Aliás, como é reconhecido, mesmo por figuras proeminentes da direita portuguesa, este governo faz do memorando da troika o seu catecismo, indo por vezes muito além do que nele está inscrito, mostrando-se verdadeiramente empenhado na procissão de fé do directório financeiro europeu.

Há, no entanto, quem defenda a separação de águas. Que uma coisa é a gestão municipal, outra, porventura bem diferente, é a política nacional. Nada mais ilusório! É impossível projectar um concelho melhor, quando se é responsável pelo facto de a sua população viver pior. É cínico propôr-se a mudança, quando insistentemente se é parte integrante e impulsionadora do sistema político vigente.

É desavergonhado prometer-se maior apoio social aos bracarenses, quando se é, em simultâneo, responsável pela de-gradação das suas condições de vida.
Todos sabemos que tanto o PS de Vítor Sousa, como o PSD de Ricardo Rio estão comprometidos com a política dos governos - o actual e os passados - que arruinaram o país. Trata-se apenas de os fazer pagar por isso. E disso, Ricardo Rio e Vítor Sousa não se livram.

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