Correio do Minho

Braga, quinta-feira

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Querido Pai Natal…

Fernando Silva, o tocador de sinos de Tibães

Ideias

2017-12-12 às 06h00

João Marques João Marques

Para além da paz entre os povos, cada vez mais difícil agora que Jerusalém foi adquirida por usucapião por um dos povos que a disputavam, sendo tal propriedade reconhecida, sem testemunhas ou testemunhos incontroversos, pelo notário mundial Donald Trump, queria pedir-te coisas de índole comezinha mas de relevante utilidade.

Em primeiro lugar, gostava muito que o próximo ano pudesse consolidar a imagem de Braga como capital nacional do desporto. Bem sei que a distinção de Cidade Europeia do Desporto 2018 é já um excelente tónico para atingir esse objetivo, mas o que verdadeiramente importa, para lá das faixas e medalhas, é a realidade das coisas. Não tenho dúvidas que o meu concelho já dá cartas no cenário desportivo nacional e internacional, com campeões em diversas modalidades, do futebol ao taekwondo, do desporto adaptado ao desporto motorizado, dos benjamins ao veteranos. O que me importa agora é ver os bracarenses como porta-estandartes desta realidade e a serem, eles mesmos, Cidadãos Europeus do Desporto. Tenho a certeza que este desejo será atendido, até porque o que a realidade tem vindo a demonstrar é uma adesão cada vez maior a hábitos de vida saudáveis e a uma preocupação genuína com o ideal milenar de mente sã em corpo são.

O meu segundo desejo é, de resto, esse mesmo, o de que os bracarenses queiram e possam ligar ao corpo são uma mente sã. Se em 2015 o Theatro Circo ultrapassou a fasquia dos 100 mil espectadores, nada nos impede de sonhar com uma marca ainda mais histórica já no ano de 2017 e nos que lhe vierem a seguir. E não só no Theatro Circo. O novo PEB, com data de inauguração prevista para 2017, poderá e deverá ser um ativo estratégico na multiplicação da oferta cultural concelhia, sem esquecer a imperiosa descentralização dos programas culturais por todas as freguesias de Braga.

Um terceiro desejo respeita à dinâmica da atividade económica que se regista em Braga. Ao longo dos últimos anos, particularmente desde 2013, tem-se sentido uma notória melhoria dos índices económicos no nosso concelho, com registos de referência na descida do desemprego, no aumento das exportações e nas taxas de crescimento fulgurantes do turismo. Bem sei, Pai Natal, que uns dizem que a culpa é do Governo central e que a autarquia se limita a assistir, na bancada VIP, a estes extraordinários resultados. Mas há algo que não percebo. Se no tempo de Passos Coelho diziam que nada de bom ocorria para o país e para o concelho e se agora tudo de bom se deve ao governo de António Costa, teremos de encontrar uma constante que explique a continuação dos resultados nas fases pré e pós-Costa. Ora, se quer no tempo de Passos Coelho, quer no tempo de António Costa, Braga cresceu e melhorou todos os índices que referi, a única variável invariável de que me lembro chama-se Ricardo Rio e a sua equipa de vereadores, mas talvez não esteja a ver bem as coisas. Talvez tudo tenha caído do céu como os teus presentes, Pai Natal, talvez…

Já sei que estou a abusar dos pedidos, mas como pedir não custa, aqui vai um quarto. Habituei-me, ao longo de muitos anos, a estar na oposição. Durante décadas só vi o “poder”, como lhe chamam, “por um canudo”. Lutei para que Braga pudesse experimentar algo diferente e tivesse a hipótese de perceber que a idade e o tempo não são um posto, mas um desgosto, ainda mais quando se passam a confundir ideias com ideais, projetos com pessoas, benefício público com ganhos particulares. Agora que apoio quem exerce o poder, não esqueci a imprescindibilidade de uma oposição capaz, competente e atenta. O maior perigo com que se pode deparar um político no poder é a solidão. E essa solidão não é só a que resulta de não ter uma equipa ao seu nível, é também e sobretudo a de não ter um contraponto que o mantenha sempre alerta e consciente de que, a qualquer falha, há alguém que pode pôr em cheque o seu lugar, o seu trabalho e o seu legado.

Não quero um concelho cosmético, onde se substitua o blush rosa pelo bronzeado laranja. Não quero uma luta de cores, quero um combate de ideias. E se sei bem que Ricardo Rio não me desiludirá, como não o tem feito ao longo dos últimos anos, e que o risco de voltarmos a um tempo de déspotas esclarecidos está definitivamente ultrapassado, não deixo de temer pela salubridade do debate democrático quando as rédeas da oposição estão entregues à CDU, um partido de franja, de matriz contestatária e ideologicamente distante da grande maioria dos bracarenses. Por mérito próprio e por demérito do Partido Socialista, a extrema-esquerda conquistou um lugar de imenso protagonismo no panorama político bracarense, mas todos sabemos, até pelos resultados eleitorais das passadas autárquicas, que o zénite de votação da CDU já terá sido atingido. De onde sobra este singelo pedido, querido Pai Natal, o de que o PS encontre o caminho da pacificação interna, da apresentação de uma alternativa robusta e de propostas sólidas que melhorem o horizonte democrático no nosso concelho.
Já agora, e se não for pedir muito, um quinto e último desejo: um par de meias.
Obrigado!

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