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Ideias Políticas

2024-02-27 às 06h00

Clara Almeida Clara Almeida

O título deste artigo reflete a vontade do número crescente de jovens que em algum ponto das suas vidas se depara com a possibilidade ou necessidade de emigrar com o objetivo de procurar melhores condições de vida. Sendo que, um em cada três jovens nascidos em Portugal decidiu fazer a sua vida no estrangeiro, torna-se evidente que o nosso país não é atrativo para quem está a construir o seu futuro.
Nestas últimas semanas de debates entre os líderes partidários, o tema da emigração jovem foi abordado de forma subtil, ficando muito aquém daquilo que a sua relevância impõe e do seu caráter de urgência. A abstenção pela parte dos jovens assenta na abstenção dos políticos em falar das barreiras à sua emancipação, que cada vez se sente mais num país de poucas oportunidades e baixos salários.
O aumento das pensões foi das promessas mais famosas na campanha de vários partidos, o que não é surpreendente pois, num país envelhecido, os pensionistas representam uma grande fatia da população. O próprio sistema previdencial e a forma como está organizado conecta inevitavelmente a população ativa que, através das suas contribuições para a Segurança Social, financia as atuais pensões. Assim, o baixo valor das mesmas é resultado dos baixos salários que conduzem a baixos descontos.
Torna-se pouco viável falar de aumentos das pensões sem falar primeiro em crescimento da economia, e muito menos numa altura onde Portugal é o país com a taxa de emigração mais alta da União Europeia.
Por outro lado, o valor das propinas também faz parte da campanha de alguns partidos políticos, defendendo a sua abolição. Segundo um estudo do Instituto Mais Liberdade, as propinas têm uma influência relativamente pequena no financiamento das universidades. Em média, o custo anual por estudante nas universidades de Lisboa e do Porto é de 7.258€, e apenas cerca de 10% desse montante é proveniente de receitas de propinas. Isto significa que o custo médio anual por estudante é, aproximadamente, dez vezes superior ao valor das propinas. A maior parte do financiamento é proveniente de transferências das administrações públicas, principalmente do Orçamento do Estado. Este valor é suportado pelos impostos e, portanto, é um custo compartilhado por todos os contribuintes. É necessário reter os jovens no nosso país para que seja possível existir um retorno no investimento que é a educação, aumentando a mão-de-obra qualificada. Formar e financiar a geração mais qualificada de sempre para depois não conseguir oferecer oportunidades que honrem essas qualificações, não é viável.
Elaborar propostas apenas para os jovens até aos 35 anos também não é viável, uma vez que, mais tarde ou mais cedo, se deparam com a estagnação salarial e com um grande esforço fiscal.
A Iniciativa Liberal propõe uma redução significativa do IRS, de forma a que todos possam aumentar o seu rendimento líquido, fator que os emigrantes têm em conta no momento de escolher o país de destino. Também é proposta uma descida marcante de IRC que fomenta o investimento e a fixação de empresas em Portugal, o que permite aos jovens terem oportunidade de trabalhar em empresas multinacionais que muitas vezes procuram no estrangeiro.
É preciso criar um ambiente favorável e benéfico em Portugal para travar a emigração daqueles que querem ficar. É preciso crescer. É preciso liberalizar.

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