Correio do Minho

Braga,

Quotidiano

Amigos não são amiguinhos

Correio

2010-03-15 às 06h00

Leitor

Civismo, educação e funcionalidade são os vocábulos basilares deste texto.
Infelizmente o teor deste artigo não é novidade. Muito se fala e se escreve sobre civismo, educação e instrução do nosso povo, mas a mensagem não é assimilada, talvez fruto do egoísmo e da subversão de valores.

CONDUÇÃO
Ultrapassagens pela esquerda ou em plena passagem para peões; estacionamento ou paragem em plena via, em linhas amarelas, em rotundas, em curvas, em passadeiras para peões, em segunda ou terceira filas, no jardim, no passeio, imediatamente antes da passadeira... Basta efectuar-se duas voltas pela cidade, não necessariamente em hora de ponta, para nos apercebermos desta realidade. Há actos que têm explicação válida, mas são muito raros.

Hoje, os pais querem deixar os filhos “dentro” da sala de aula, houvesse oportunidade para tal!
Estacionar ou parar bem a 100 ou 150 metros já é longe. Observemos estas acções, diariamente,
junto da Escola Secundária de Sá de Miranda, Jardim Escola João de Deus, Colégio D. Diogo de
Sousa, R. do Caires, Avª. Da Liberdade e muitos outros sítios.

Que dirão os pais a um filho após estes feitos? Nada, indubitavelmente! E o filho questionar-se-á?
Não, certamente! Assim sendo, o presente repetir-se-á.
Face a uma observação, correrá o risco de ouvir vitupérios. Alteração de valores, talvez. Eu prefiro chamar-lhe ignorância, falta de respeito, egoísmo...

Não se pense que quem prevarica é quem tem menos recursos. Pelo contrário, quem tem mais
poder financeiro, mais acesso ao conhecimento, é quem mais falha. Talvez a ideia do “-Eu posso
pagar.” ou “- Eu tenho amigos.” esteja subjacente a tais atitudes. Se a lei fosse aplicada e as coimas mais elevadas, eventualmente, o discurso seria diferente.

Hoje tudo isto é banal. Estaremos a embrutecer? Não acredito, simplesmente o sistema educativo, a desresponsabilização dos progenitores, a prevenção e a punição não funcionam como deveriam.

São, por diversas vezes, os próprios agentes da autoridade a transgredir ou que vêem e deixam
andar. O dever e a obrigação é para os outros.
O peão não está isento de culpa. Ora vulgarmente desrespeita o sinal vermelho, ora atravessa fora da passadeira, quando as há perto. O adulto é responsável por si, a criança não será com certeza.

A autoridade tem de punir, se necessário. Apliquem-se as coimas e o abuso diminuirá e o civismo (à força) instalar-se-á.
A Polícia tem de ter mais autoridade, ser menos benevolente, mais exigente e também mais
cumpridora. Lamentavelmente, hoje não é devidamente respeitada e as estâncias superiores, bem como as leis, não ajudam.
O cidadão sabe a regras, só tem de as cumprir!

LIXO
Não separar o lixo ainda é muito usual, o ecoponto é só para alguns. Levar o cão a passear e a
“arrear o calhau”, a “adubar” ou defecar (como queiram) nos jardim públicos ou no do vizinho é
para vários, recolher os dejectos é para uma ínfima parte. Atalhar pelo jardim é para muitos,
contornar continua a ser para alguns. Enfim, um rol de vulgaridades.

OBRAS
Alguém cá do burgo é capaz de me dar uma razão plausível que justifique o facto de, após
terminada uma obra subterrânea, o pavimento (passeio, estrada, jardim) não seja imediatamente arranjado. Vemos um número considerável de obras na cidade, findas as quais o pavimento se mantém durante dias, semanas e até meses completamente arrasado. Será que é tão difícil assim planear-se o arranjo exterior no seguimento da obra subterrânea? Quais as razões de tal desleixo?

ARQUITECTURA 1
O parque de S. João da Ponte está belo, mas, há sempre um “mas”, com falhas que não são
compreensíveis.
Estive lá com os meus catraios a usufruir da novidade e deu para ver que lá continua a “gruta”
(junto à bica de água).O cantinho das “conveniências”, óptimo para os mais aflitos da bexiga ou
intestinos ou dos dependentes do pó branco. Nesse dia observei que a área estava suja
(excrementos, camisinhas, seringas, etc.) e a labor de dois cidadãos a injectar-se também foi
espectáculo oferecido.

As mesas e bancos são bonitos, design agradável e bem enquadrado na paisagem, mas pouco
funcionais. Sujam e são desagradáveis ao tacto, o que implica levar sempre toalhas, mantas,
almofadas, etc. Porque não manter a pedra?

Se o objectivo é atrair também famílias e até pequenos convívios em redor de um lanche, talvez a tarefa esteja um pouco dificultada.
A escultura de gnomos é atractiva, mas em ferro e com sapata seria mais válida. O local é isolado e propício a vandalismo, ou não fosse o exemplo claro dos gnomos já destruídos o comprovativo das minhas palavras.
Quem desenvolve estes e outros projectos deveria primeiro pensar na utilidade e funcionalidade
dos espaços e das peças e só depois na beleza.

ARQUITECTURA 2
Junto ao Cemitério de Monte de Arcos há uma passadeira para peões mal pensada. O local ganhou a nobreza que lhe era merecido, o arranjo urbanístico está interessante, mas a passadeira é um perigo para o peão. Por diversas vezes, presenciei a iminência de atropelamento. Porque será? A passadeira não é suficientemente visível, apesar de lá haver um sinal vertical. Num local de passagem de inúmeras pessoas, pois bem perto há três escolas, esta solução não foi a melhor em termos de segurança rodoviária. Em tempo de chuva a passagem não se vislumbra. Porquê reinventar a roda? Porquê sobrepor a estética à segurança? Quem aprova este tipo de ideias?
Pensemos no bem da comunidade e não em criar obstáculos.

Como leitor, creio que este artigo em nada ou em muito pouco influenciará as futuras atitudes do cidadão, mas quero acreditar que poderá alertar e levar à reflexão de todos aqueles que tem
responsabilidades de chefia nas entidades reguladoras da nossa cidade.

Se outros povos alcançaram um nível de civismo mais elevado, nós também podemos e devemos.
Somos diferentes e orgulhemo-nos das diferenças, mas reverta-mo-las, para e com a comunidade, inseridas em normas salutares.

Gabriel Gonçalves, Braga

Deixa o teu comentário

Últimas Correio

08 Outubro 2017

A Cidade Inteligente

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.