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Radiografia de Agosto

Autoestradas em Portugal, quem financia e quem as detém

Radiografia de Agosto

Voz aos Escritores

2022-09-02 às 06h00

Fabíola Lopes Fabíola Lopes

Agosto é feito de reencontros, descanso, partilhas para a maioria. Mas o mundo continua a bulir e o país nele. O verão é uma estação grávida de futuro, de crescimento, de inícios logo a seguir.
Pedro Abrunhosa verbalizou num concerto o que vai na cabeça de muitos de nós. A sua voz chegou aos corredores russos, que se apressaram a manifestar como se estivessem em território próprio. Não estão e ainda bem. Mas ter de ser o próprio Abrunhosa a pedir que o governo se manifestasse sobre esta situação é triste. Lá o fez, quase por obrigação, que é diferente quando se tem iniciativa e lidera o caminho. Coluna vertebral faz falta.
O estatuto do SNS lá foi aprovado, traduzindo-se numa mão cheia de nada. Um governo que quis acabar com as PPPs na saúde, que empurrou os médicos para o privado numa escolha fácil de se antever quando obrigados a. A balança estava desequilibrada: a estagnação salarial e a fraca evolução na carreira versus melhores condições de trabalho. As condições deterioram-se e quem fica, pelos motivos que forem, rema num bote contra o próprio sistema. Não é uma questão de mais dinheiro, é uma questão de melhor gestão, como ficou aliás provado no processo de vacinação. Os preconceitos ideológicos não deixam ver isso e quem paga é sempre o povo, dos impostos ao mau serviço prestado. Até com a morte, como vimos mais uma vez esta semana e que, aparentemente, provocou a demissão de Marta Temido que há muito começou a cavar a sua sepultura. É uma questão de visão e de competência.
E o governo parece ser um bombeiro de serviço a apagar incêndios aqui e ali, mas sem quartel-central que pense, que oriente, que reformule com visão. O mal dos incêndios que queimaram tanta área e quase sempre com origem criminosa. Onde está a prevenção? E a justiça?
E que dizer dos professores? Um problema mais do que previsível, já o era há 10 anos quando aumentaram a idade da reforma como quem empurra um problema com a barriga e quem vier a seguir que resolva. E tiveram 10 anos para resolver. 10 anos! É uma carreira que não atrai, pelo nomadismo, pelos rendimentos, pelo desgaste. Vamos ver se o governo corrige uma injustiça de anos a mando de Bruxelas: a atualização da carreira e salários dos professores contratados. A somar a tantos problemas estruturais que as escolas têm, ter professores com menos horas de formação e até sem licenciatura é uma medida de quem olha para escola pública com seriedade? Com valorização? Que escola pública queremos para o país?
Um país que não dignifica os seus cidadãos é como uma empresa que não dignifica os seus trabalhadores, que os explora, que lhes mente, que os humilha. Está, inevitavelmente, destinada ao fracasso. Não admira que as grandes empresas aliciem os nossos estudantes do ensino superior e que a maioria não perspetive ficar em Portugal a trabalhar. Investimos nos nossos alunos, mas não cativamos para que cá fiquem. Nem o tecido empresarial está preparado para os receber e os deixar desenvolver os conhecimentos aprendidos. Os salários médios da União Europeia cresceram cerca de 6 vezes mais do que em Portugal. Empobrecemos em todas as frentes e continuamos a drenar o nosso potencial ao deixarmos os nossos melhores cérebros, aqueles que poderiam contribuir para o desenvolvimento e criação de riqueza nacional, fugirem para outros países com melhores investidores e menor carga fiscal. Aliás, o nosso investimento em investigação foi o mais baixo dos países europeus. Se isto não é suficiente para nos pôr a pensar, não sei o que será.
O governo falha ainda na criação e vagas no ensino superior para alunos mais desfavorecidos. Em vez de 500 vagas num plano contra a discriminação, saiu uma reflexão sobre o regime geral de acesso. A montanha pariu um rato. Para onde vão os nossos impostos?
As 5 maiores instituições bancárias cresceram 12%, tendo os lucros disparado 78% no primeiro semestres, com destaque para a CGD. Empresas energéticas e petrolíferas com lucros imorais devem ser taxadas, como defendeu António Guterres. Haverá coragem para isso? Haverá coragem para não deixar o dinheiro dos nossos impostos salvar bancos e TAPs? Haverá coragem para uma gestão mais rigorosa e digna?
Que futuro nos trará a gravidez deste verão?

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