Correio do Minho

Braga, sábado

Reabilitação urbana

Mobilidade Sustentável

Ideias

2018-01-15 às 06h00

Filipe Fontes

O dito momento de ano novo é propício quer a muitas manifestações de desejos e intenções sobre o futuro, quer a muitas análise e reflexões sobre o passado, fazendo do presente ponto e vírgula, que é o mesmo que dizer, momento de pausa e balanço, quase como se não condicionasse o dia de amanhã, quase como se não fosse uma consequência do dia anterior.
E tal como escrito no último texto, na ânsia da pura magia e voluntarismo de tudo resolver e superar, tendemos a valorizar aquilo que achamos serem as respostas, esquecendo tantas vezes o que perguntamos e, não raras outras tantas vezes, porquê perguntamos?

Extrapolando para o actual contexto do país, verifica-se que, hoje, perante os problemas e desafios e na exigência do imediatismo (que parece ser uma verdade que veio para ficar e condicionar), procura-se a resposta, ou melhor, assume-se a resposta como certa, independentemente da pergunta formulada.
Na verdade, e cada vez mais, importa saber perguntar para obter respostas assertivas e focalizadas, para não confundir o urgente e o prioritário, para não deixar que a resposta fácil e, aparentemente certa, se assuma como o importante, para que, no fundo, a consequência não seja a única protagonista, remetendo as causas para papeis secundários ou de figuração.
Perante a degradação e desertificação dos centros das cidades, respondemos com a reabilitação urbana como resposta. Perante os problemas e desafios da mobilidade, focalizamo-nos na bicicleta e o mundo ciclável. Perante a falta de habitação dita acessível, entende-se decretar e impor; perante o flagelo dos incêndios, volta-se a legislar aquilo que já está legislado.

Porque, na verdade, a reabilitação urbana é assunto incontornável e, sem dúvida, fonte (parte) da solução. Mas, como actuar e valorizar esta reabilitação urbana se a mesma não constitui figura legal e, em corpo autónomo e nominal, nem existe como operação urbanística (por mais contraditório que possa parecer)?
Porque, na verdade, a mobilidade é, hoje, um desafio complexo e a bicicleta pode constituir factor diferenciador e indutor de mudança. Mas, será que passaremos a andar de bicicleta de um dia para o outro, simplesmente porque passamos a dispor de quilómetros exclusivamente cicláveis?

Porque, na verdade, a habitação é incontornável na cidade e esta só faz sentido porque habitada e usada. Mas será que não confundimos política de habitação social (como se esta fosse a única solução) com política social de habitação (onde se conjuga oferta, tipologias, funções, )?
Porque, na verdade, é necessário responder a este fenómeno tão exposto no último ano dos incêndios. Mas será que o problema da realidade actual não é o incêndio mas a floresta, não é a legislação e a regulamentação mas sim a capacidade em concretizar e fazer cumprir?

O território é feito de um tempo curto e célere e de um tempo longo e lento. E é no equilíbrio entre estes dois tempos que se encontra a sua estabilidade e capacidade de resposta.
O tempo curto e célere implica a urgência, a forma como actuamos perante a premência e a resolução. É sobretudo a resposta ao como e o que fazer, à consequência!
O tempo longo e lento implica a prioridade, a forma como pensamos e estruturamos os desafios e as necessidades que somos capazes de observar, identificar e antecipar. É sobretudo a resposta ao porquê e para quê, à causa!

Entre a causa das coisas (que, se entendida e dominada, permite prevenir, antecipar e melhorar) e a consequência dos actos (que, porque surpreendente e inesperada, promove tantas vezes a precipitação e a resposta que remedeia) balança o sucesso da política enquanto gestão da coisa pública. Querer responder sem perguntar e perguntar sem conhecer é, simplesmente, responder sem saber.
Foi assim que nasceu a tentativa: explorar caminhos até acertar. O que nem sempre é certo. Que se atinja. Ainda mais a tempo e horas

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