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Voz às Escolas

2018-11-12 às 06h00

João Andrade João Andrade

A Escola: das instituições que assumem o papel de pilar do estado de direito, acreditamos que não há nenhuma outra que reflita, tanto e permanentemente, sobre quais os fins que lhe cumprem e que caminhos deve procurar para os atingir. Ao mesmo tempo, duvidamos que exista outra instituição que seja alvo das tantas e diversas opiniões (e de tentativas/ /tentações de interferência) sobre esses meios e fins.
Essa constante reflexão e debate sobre os limites do papel da escola, surgem, antes de tudo porque a escola, enquanto entidade que prepara os futuros agentes do estado de direito, subordina-se, necessariamente, à visão política predominante em cada tempo, sobre o papel e fins do estado de direito.

Assim, um mito comum, de uma suposta tecnicidade, presumida convenientemente apolítica, por detrás da educação – e logo da Escola – não é verdadeiro. Em cada momento a técnica educativa serve uma visão política: Uma escola para o sucesso de todos? Ou uma escola para a criação de elites? Uma escola para a reflexividade e ação? Ou uma escola para o conformismo? Etc. Mais ainda, muitas vezes, por detrás da defesa de uma determinada técnica e, até, da neutralidade da própria tecnocracia, está uma profunda intenção política, muito mais democraticamente perigosa e manipulatória, porque oculta.

E, em educação, a procura da técnica mais eficaz, particularmente quando a visão política é a busca do sucesso para todos, está permanentemente em debate. Porque, efetivamente, não há um posicionamento, pedagogia ou perfil de recursos que deveras se aplique uniformemente a todos, sendo que até a procura de uniformidades parcelares, de ação e resposta, é extremamente difícil. Para perceber esta complexidade do ato de educar, basta pensar quantos pais, tendo mais de um filho, percebem, desde cedo, que o que aplicaram a um não serve ao outro e que, por muito que intervenham (e intervêm ao longo de muito tempo e com o conhecimento decorrente desse longo tempo…), não conseguem obter resultados iguais. Perceber a dificuldade do trabalho do professor é transportar essa dificuldade de lidar com essa pluralidade de um, dois ou três filhos, para uma turma de 28 ou 30 alunos… Num agrupamento de escolas, serão mais de 3000 alunos… Para a realidade nacional, várias centenas de milhar… Assim, na educação, o difícil (às vezes, infelizmente, impossível…) reside em ter uma ação, necessariamente com economia de escala e sob a espada da escassez de recursos, sobre um todo, mas procurando o sucesso de cada um.

Esta é a dor permanente do profissional da educação: qual a receita melhor para cada criança que lhe é entregue, e em que medida o investimento superlativo numa prejudica e retira recursos significativos às demais. E, como muito do que uma criança é não se constrói somente na escola, mas em toda a envolvente, uma turma, escola ou agrupamento de realidades plurais terão muita mais dificuldade de ação que uma turma ou escola de realidades mais homogéneas… Daí, o desafio, mas também a elevação, do trabalho na escola pública…
Recentemente, a equipa inspetiva que, no âmbito da fase piloto do terceiro ciclo de avaliação externa das escolas, visitou o nosso agrupamento em maio passado, enviou a proposta de relatório final dessa intervenção.
Sendo o nosso agrupamento um que, com o processo de agregações e criação de mega agrupamentos, sofreu uma significativa alteração da sua realidade e mutação dos seus públicos, atualmente, por todas as evidências, muito mais hetero- géneo, era com alguma expectativa que aguardávamos se a visão externa da tutela, ainda que instantânea e construída a partir de amostras e evidência pontuais de uma realidade plural e complexa, corresponderia àquela que internamente temos construída.

Foi com muito agrado que constatámos, quer por via das classificações obtidas (Muito Bom na Autoavaliação, Muito Bom na Liderança e Gestão, Muito Bom na Prestação do Serviço Educativo e, ainda, Bom nos Resultados), quer pelo discurso e visão positiva da nossa comunidade, constantes da proposta de relatório, estarmos no caminho certo enquanto escola pública para todos.
Do relatório, é claramente percetível que a nossa comunidade é uma de ação conjunta dos órgãos diretivos, professores, pessoal não docente, pais, alunos e toda a comunidade envolvente, pública e privada, com um forte sentido uno, identitário e de missão.

Obviamente, estaremos atentos e reativos aos pontos de melhoria mencionados no relatório, aguardando e certos de que o trabalho realizado nas outras dimensões - Autoavaliação, Liderança e Gestão e Prestação do Serviço Educativo -, se refletirá, futuramente, também nos resultados.
Enquanto Diretor do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio, o profundo reconhecimento e o obrigado a todos – colegas de direção, todos os órgãos e coordenações do agrupamento, professores, assistentes operacionais e técnicos, pais, alunos, autarquia, parceiros sociais e empresas – por todo o vasto positivo e rumo apurados na avaliação externa.

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