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2024-05-22 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Deixo como nota prévia que não seja um saudosista a quem os novos tempos provoquem uma indigestão.
Tudo somado, que vemos nós? Não veremos que damos o máximo para adivinhar o futuro e que damos o mínimo para fazermos positivo sentido de dias esgotados? Não imaginamos nós melhor e mais proveitosamente organizar o presente, se por ciência prévia soubermos como o dia de amanhã possa abrir-se?
Afora contas de primário apuro, pouco realce consagramos ao que vamos fazendo, enquanto indivíduos, enquanto colectivo, porque facilmente troquemos de lençóis, porque gene- rosamente distribuamos amnistias e diluamos responsabilidades, para que em cômputo final nada mais reste do que um resíduo de imponderáveis que ninguém estaria em condições de equacionar. Bem sei que não estou em condições de provar o que digo com uma tabela de excel em acordeão, mas digo que me basta uma constatação iniludível: há trinta anos era mais fácil aceder a habitação própria ou a um aluguer dentro do comportável.
Assim, se caminhamos de conquista em conquista, de progresso em progresso, se as nossas economias estão cada vez mais integradas, se as nossas políticas são crescentemente coordenadas, como é que se faz, então, descontando a metáfora, que os ares sejam menos respiráveis?
Ares, parece que vamos tendo, a despeito da Greta e afins, que ainda há dias vi inéditos ninhos de cegonha com as locatárias dentro e prole no troço da velha nacional entre Fão e Vila Seca, e raposas parece que é o que não falta nas redondezas de Braga, e lontras algures no curso do Este. E, para que não fique a ideia de que a Natureza esteja de regresso apenas em Portugal, dado o atraso encardido, daqui faço parte de avistamento de lobos nas periferias de Paris, de varas de javalis nas redondezas de Nice, do ressurgimento de águias onde há muito não eram presenciadas.
Algo melhor vamos pelos vistos, contudo, cruzando tempos, diria que melhor passa a Pipi das Meias Altas do que a herdeira de tropelias de espírito turvo, para não dizer contaminado. Greta e amigos adivinham catástrofes de toda a sorte, para as quais nos urgem que tomemos medidas, parte significativa das quais restritivas e desajustadas. Greta e amigos querem os motores de combustão fora de serviço, e em favor de tanto conspurcam obras de Museu. Greta e amigos são um referente, pena que tóxico.
Todas as sexualidades são boas, todas as margens são legítimas, todas as manifestações que exaltam identidades são acolhíveis. Mas porque é que o festival da eurovisão tem de ser aquilo? Vistas as coisas, não seria melhor que o concurso se partisse em dois, e cada qual comeria do que gosta, por escolha congruente, ultrapassada a via-sacra do decadentismo de cariz possivelmente psicopatológico? Porque é que o diferente tem de ser servido em mesa larga como referente válido e aplaudível? E quando o diferente se paramenta de grotescos, continuando a ser diferente, é um referente, mas para quem?
Regresso aos sadios da política. O futuro não se desvenda por adivinhações, nem se vislumbra por metas atiradas para as calendas. O futuro nasce de presentes estruturados com tino, consagrados em reais aditivos – qualquer coisa hoje melhor do que ontem, agora neste distrito, amanhã naquele, e por aí fora. Os presentes fazem-se de cara limpa, quando tudo se concilia para que nenhuma justiça tarde, mas neste campo, de tão saturado, já nem sei que diga.
As europeias estão à porta. Em França, o partido da Le Pen continua com o dobro das intenções de voto. Em França, a Le Pen e o Bardella são referentes sólidos. Quem tem garra para o ser em Portugal?

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