Correio do Minho

Braga, terça-feira

Reprovar de ano - o estigma

Diciembre, Decembro, Abendua... e Desembre?

Escreve quem sabe

2014-06-15 às 06h00

Joana Silva

Na véspera de final de ano escolar, são conhecidos os resultados escolares. Há alunos que ficam contentes, outros porém, nem tanto, as notas negativas à partida serão entraves a transição do ano. Reprovar de ano significa, voltar a frequentar o mesmo ano escolar, ouvir os mesmos conteúdos, ‘deixar’ os amigos de brincadeiras e das aprendizagens… ouvir sermões dos pais. Pode dizer-se que, é das memórias que não se apaga nem da mente nem tão pouco do coração.

Da mente, porque a reprovação é tida como um estigma para os que reprovam e mesmo que os anos avancem não conseguem esquecer esse acontecimento tão marcante e intenso na infância. No que respeita ao coração, se os adultos, por vezes, têm dificuldades em aceitar certos factos não conseguidos das suas vidas, as crianças não são exceções, são de certa forma mais sensíveis às emoções.

Quando uma criança não consegue transitar de ano, sente culpa, que não correspondeu às expetativas dos pais (sobretudo pais mais exigentes), sente que não é inteligente daí resulta a baixa auto - estima que poderá repercutir-se mais adiante na desmotivação e insucesso escolar posterior. Não existem ‘meninos burros’, todos têm as suas capacidades e limitações assim como os seus ‘timings’.

Exemplificando este último aspeto, uns alunos assimilam mais rapidamente os conteúdos, outros mais devagar mas independentemente da circunstância em si aprendem, tendo portanto o seu método e próprio ritmo. Como diz o ditado popular ‘ tudo a seu tempo’.

As crianças cada vez mais são instruídas para percecionarem a ‘escola como um trabalho’ e daqui a responsabilidade de nunca poderem falhar. Quando uma criança reprova fica emocionalmente fragilizada perante a escola e pais. Pode ser ainda mais catrastofizante quando não é compreendida.

Quer-se com isto dizer, que os pais deveriam dar apoio ou então tentarem perceber o que ‘correu mal’. Todavia, muitos ainda acentuam ainda mais o desgosto, ‘És uma vergonha!’, ‘Tenho um filho burro!’, ‘Não vais dar nada na vida, nem vais ser ninguém!’. São sem dúvida palavras muito fortes e dolorosas de se escutar sobretudo vindo de quem mais se gosta, os pais.

O reprovar pode não suceder da falta de estudo ou problema de aprendizagem da criança (défice de atenção, hiperatividade, dislexia, entre outros) mas sim por exemplo, da falta de acompanhamento dos pais (responsabilidades laborais: horas extras para compensar a baixa remuneração), do próprio ambiente familiar (discussões constantes, problemas de substâncias como o alcoolismo ou toxicodependência), de fases adaptativas (divórcio, morte de familiar) entre outros aspetos.

As crianças infelizmente tendem a absorver os problemas dos pais, por mais que estes últimos se esforcem a ‘esconder’. Adultos mais emocionais tendem a transportar para o trabalho outros problemas que nada tem a ver com a atividade profissional, ora uma criança de forma inconsciente tende a transportar também os problemas de casa e sobretudo dos pais para a escola prejudicado assim o seu desempenho.

O ano escolar ainda não está de todo terminado, ainda existem planos de recuperação de notas (no caso do 1º ciclo) e aqui o papel dos pais é fundamental, no apoio, na ajuda, no encorajar. Para aqueles que já não é possível, palavras doces ajudam a acalmar a dor no coração. O ano, mesmo numa reprovação, nunca é um ano perdido, aprende-se sempre algo. Desengane-se quem afirme que reprovar é sinónimo de ‘não vai ser ninguém…’, muitos dos génios mundialmente conhecidos foram repetentes durante o seu percurso escolar.

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