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Requiem pelos mortos do hospital Al-Ahli

O símbolo internacional (quase universal) do amor

Requiem pelos mortos do hospital Al-Ahli

Escreve quem sabe

2023-10-28 às 06h00

João Ribeiro Mendes João Ribeiro Mendes

Uma semana após o que poderá ficar conhecido na História como o “dia da cobardia total” (7/10/2023), um míssil (rocket) atingiu o Hospital Árabe Al-Ahli na Cidade de Gaza e provocou um número de mortes e feridos que ainda permanece desconhecido.
O hospital Al-Ahli foi fundado pela Sociedade Missionária da Igreja de Inglaterra em 1882 e é administrado pela Diocese Anglicana de Jerusalém, sendo o único hospital cristão na Faixa de Gaza. No momento em que o míssil o atingiu abrigava muitos palestinos deslocados, em fuga.

Surpreendentemente, minutos depois da tragédia, um comunicado do Hamas declarava ter sido originada num ataque israelita e causado a morte a mais de 500 palestinianos. Não muito depois, o Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, afirmava que os andares cimeiros do hospital tinham sido danificados por um míssil israelita nessa noite de 14 de outubro. Seguiu-se o costumeiro “emprenhamento pelo ouvido” dos meios de comunicação global, liderados pela BBC, CNN e The New York Times (NYT) – os mesmos, os mesmíssimos que condenam as “fake news” de Trump – de forma ostensivamente tendenciosa fizeram ecoar pelo planeta essa “verdade”, que levantou logo uma onda de condenação e protestos anti-Israel urbi et orbi.

O único jornalista que se mostrou cético com a situação foi Henrique Cymerman. O correspondente do Médio Oriente para a SIC estranhou não haver a cratera que tipicamente os mísseis israelitas deixam, deu-se conta nas imagens da queda do míssil, que teve a oportunidade de observar, que o mesmo tinha partido da Faixa de Gaza, certificou-se que na altura do bombardeamento não se verificaram mísseis a ser lançados de Israel, e confirmou junto dos seus contactos nas forças armadas de Israel que não tinham sido eles.
Aparentemente foi um míssil enviado pela Jihad Islâmica Palestiniana – o segundo maior grupo armado em Gaza – que se terá transviado e atingido o Al-Ahli, motivando um “tiro no pé” ou um ataque com “fogo amigo”. Seguiu-se uma rápida adaptação dos meios de comunicação global, apanhados na prática comum da pobre ou nula verificação dos factos. Só o NYT publicou 3 capas diferentes nas três horas seguintes. Neste momento, as certezas foram substituídas por dúvidas, não se sabendo o que realmente se passou, e foram prometidos inquéritos para apurar cabalmente o fatídico bombardeamento.

Boa parte dos que aderiram logo ao “facto” de ter sido Israel o causador da tragédia invocou, ato contínuo, a violação do Direito da Guerra ou Direito Internacional Humanitário – grosso modo um conjunto normativo acordado em convenções (e.g., de Genebra e de Haia) e tratados internacionais (e.g., de comércio de armas) nos últimos 150 anos – porque, nos termos da 1ª Convenção de Genebra (1864), é expressamente proibido que hospitais sejam alvos militares (artº 19). Julgo, todavia, que se esqueceram de acrescentar que à luz dessa mesma Convenção, os hospitais não podem ser “utilizados para cometer (…) atos prejudiciais ao inimigo” (artº 21), situação que torna permissíveis ataques contra eles, desde que sigam as regras de proporcionalidade e precaução.

O que aconteceu no Al-Ahli, quer se apure que foi da responsabilidade da Jihad Islâmica ou das forças armadas de Israel, foi horrível. Revelou quão suja a ação terrorista pode ser. É que no subsolo do hospital estavam instalações militares do Hamas com um autêntico paiol. O mesmo se vem descobrindo por debaixo de escolas e mesquitas na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Pergunto-me se os palestianos não terão feito um pacto com o Diabo ou, melhor, com Iblis.

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