Correio do Minho

Braga,

- +

Resiliência é preciso

A honra de servir...

Resiliência é preciso

Ensino

2021-09-08 às 06h00

Francisco Porto Ribeiro Francisco Porto Ribeiro

Tal como a atual pandemia, é um facto que a adversidade não descrimina, como refere Lucy Hone no seu vídeo na conferência da TED, sobre os três segredos a respeito das pessoas resilientes. Acaba por ser uma partilha útil que leva à reflexão interior. Mesmo para quem não domina o inglês, aconselho escolher a versão com legendas, mas não deixe de visualizar o vídeo.
Afinal, todos somos alvo de mudanças inesperadas na nossa vida, seja uma consequência das nossas opções, seja por fatores exógenos que nos ultrapassam (acidentes naturais ou outros). Deixo como partilha, antes de continuar, a definição de acidente é “acontecimento causal ou inesperado; acaso; algo que ocorre de forma repentina ou inesperada” (segundo dicionário da Infopédia https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/acidente), ou seja, tudo o que acontece fora do que não conseguimos prever, para o bom e para o mau, e daí a Resiliência que é necessário ter. Neste cenário, consideramos doenças ou perda de entes, catástrofes naturais ou sociais, pandemias, o que o/a afete. Como refere a autora, o facto de estarmos vivos é uma consequência para a adversidade e devemos munir-nos de instrumentos emocionais de defesa desse fator. Vamos analisar.
É um facto que todos nascemos com determinadas particularidades e uns podem ter, ou não, maior apetência ou disposição para enfrentar a adversidade. Daí que, a autora, refere a necessidade de ser uma característica que é necessário treinar. A relevância desse treino destaca-se no exército para lidar com as situações de guerra (em caso extremo), terrorismo ou necessidade de ser necessário prestar apoio aos civis. Esse aspeto reforça a necessidade de desenvolvimento desta aptidão individual e a relevância para o exercício do mesmo. Isto não é ser séptico, mas, e apenas, realista (veja o vídeo). Temos que ter resiliência e capacidade de resistência na mudança do nosso propósito ou objetivo (quando mudado por razões que nos ultrapassam). A autora refere uma experiência pessoal que envolve a perda de um familiar e a questão que sempre se levanta: “porque eu, meu Deus” (seja ou não crente)? E a reação consequente, na maioria das vezes, é revolta, sentindo que o “nosso” mundo é esmagado, literalmente. Tudo em que acreditamos deixa de fazer sentido e somos esmagados pela dor, ficamos sem reação. E agora, o que fazemos? é necessário desenvolver esperança, mas baseado em quê? Ficamos, muitas vezes, “sem chão” e o que acreditamos desvaneceu. Temos que ser um participante ativo no processo de luta contra a dor, tornando-nos resilientes e enfrentar o mundo.
No vídeo são apresentadas três regras a seguir, disponíveis a todos. A primeira característica das pessoas resilientes é terem a certeza que “acidentes acontecem” (a autora é mais literal), que há tempos difíceis e que o sofrimento faz parte da condição humana. Não é direcionado, mas transversal a todos. Diferenciado é a forma como vivenciamos o sofrimento e a relevância que damos à “dor”, seja ela de perda de algo ou de alguém ou, apenas, o sentimento de descriminação, no momento em que os tempos difíceis surgem. Não é invulgar pensar “porquê eu?” mas a solução apresentada é pensar “fora da caixa” e em sentido contrário, ou seja, pensar “porque não nos aconteceu?”. É um facto que coisas más acontecem a todos, mas porque razão “determinada” coisa aconteceu-me e não aos outros, para o bom e para o mau? Que terei eu feito de diferente? A segunda característica das pessoas resilientes é prestarem a atenção na escolha das prioridades. É humano darmos excessiva enfase a situações que não a merecem. Devemos ponderar, de facto, o que é importante na nossa vida e viver os momentos como únicos, irrepetíveis. Viver o momento per si e focar nas coisas que, de facto, podemos mudar e as que não conseguimos alterar. A apresentadora dá importância vital a este requisito, a esta habilidade, que não é fácil, ser seletivo e assertivo. Ressalta que é característica, dos seres humanos, focarmos apenas no lado negativo das situações e relativizarmos os assuntos externos, assumindo, como facto garantido, que é merecido o que surge de bom. Quando tal não acontece temos o impacto na nossa vida. Também, é um facto, que somos, constantemente, bombardeados por situações ameaçadoras e o nosso cérebro processa essa informação. Nos momentos menos bons, o nosso nível de stress está elevado e devemos ser ponderados na forma como gerimos a negatividade, dando destaque às coisas boas da vida. Este aspeto relaciona-se com a terceira característica das pessoas resilientes, que se dedicam a pensarem se as suas decisões pessoais estão a ajudar ou a priorar a sua situação? Como refere na apresentação, “devemos escolher viver e não morrer” e deixar para o lado a escolha no foco da perda mas antes, direcionarmos atenção para o que temos na vida e que terá que ser valorizado (já Sebastião José de Carvalho e Melo, o falecido Marquês de Pombal, aquando de terramoto e tsunami em Lisboa, em 1755, teve a expressão lapidar, que ainda hoje perdura: “enterrem os mortos e salvem os vivos”). Continuando com o vídeo, a autora refere que, em psicologia, significa gerir os proveitos, se possível, da dor, ver o lado positivo, se houver. Focar a nossa atenção nos aspetos bons da vida é uma característica relevante de resiliência. Temos que encontrar essa capacidade. Por exemplo, recomenda um exercício diário onde se propõe, aos participantes do estudo, terminarem o dia a pensar em três coisas boas que tiveram. Fechando o dia vendo aspetos positivos, ajuda ao sono tranquilo e, por consequência, a um acordar, no dia seguinte, mais motivante. No final do estudo referido, seguindo a regra de escrever as três coisas positivas do dia, os participantes da amostra revelaram possuir maior índice de gratidão pela vida e maior índice de felicidade, em oposição, com menor tendência para depressão. Temos que aceitar as coisas boas da vida, por mais pequenas que sejam, e seja simpático(a) para consigo, esse é o “truque”.
Resiliência não é uma capacidade que uns têm e outros não, é um processo que requer treino e largar o que não queremos e deixar a vida seguir o seu rumo. Não há forma de voltar ao passado, temos que viver um novo normal, seja qual for. Não é ser conformista, mas antes lutar contra a negatividade e contra a dor, dando graças à Vida, tal qual se apresenta. Não ser demasiado controlador(a) pois a perfeição está em saber aceitarmo-nos, assim como somos, com forças e fraquezas, dias bons e maus. Ser resiliente é, fundamentalmente, saber e conhecer as nossas competências e os nossos limites. Definir as nossas fronteiras e desenhar objetivos e propósitos mensuráveis e realizáveis. Por exemplo, consegue ver uma atitude de residência numa pequena semente deitada à terra, num campo qualquer, exposto aos efeitos de erosão e de predadores e gerar vida nesse terreno (árido, pantanoso ou outro)?



Nota: artigo baseado na apresentação da conferência em vídeo da TED (https://www.youtube.com/watch?v=NWH8N-BvhAw).

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho