Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Resultados do acesso ao ensino superior público

Saúde escolar: parceiro imprescindível das escolas de hoje

Voz às Escolas

2015-09-10 às 06h00

José Augusto

No início desta semana, no nosso país, a atenção de cerca de cinquenta mil candidatos ao ingresso no ensino superior público, e das respetivas famílias, esteve centrada na publicação dos resultados do concurso nacional de acesso. Preocupações e ansiedades naturais de quem espera algo que pode determinar a sua vida futura, cumprir expectativas ou frustrar as ambições de vários anos de trabalho. É, pois, natural a atenção dedicada pelos meios de comunicação social ao tema. Assim, genericamente, todos os portugueses que tenham visto, lido ou ouvido notícias por esses dias ficaram com a ideia (correta) de que este ano aumentou o número de candidatos que obtiveram colocação nesta 1.ª fase.
Porém, essa verdade escondeu uma outra só aparentemente contraditória. Este ano, aumentou ainda mais o número de candidatos que não obteve colocação. Mas isso não foi notícia…
Vejamos os números. No concurso deste ano ficaram colocados na 1.ª fase 42.068 candidatos, ou seja, mais 4.290 que em 2014. Porém, ascendeu a 6.203 o número de candidatos que não obteve colocação no concurso de 2015, quando, no ano anterior, tinham sido 4.630. Aliás, este dado seria facilmente apreensível se tivesse sido dado destaque informativo à queda da taxa de colocação de 89,1% para 87,1%.
A explicação é simples: perante um significativo aumento de candidatos (de 42.408 para 48.271), este é o efeito esperado da redução das vagas iniciais disponíveis. Dito por outras palavras, apesar do aumento da procura, não houve um aumento compatível da oferta, pelo contrário, o Ministério da Educação e Ciência determinou até mais um corte no total de vagas autorizadas (menos 265). Não basta regressar ao discurso da necessidade que o país tem de mais licenciados, é preciso decisão política congruente com esse discurso e mais investimento nas qualificações dos portugueses.
Infelizmente, nada disto é surpreendente. Desde de 2011 que o número de vagas iniciais vem diminuindo ano após ano. Em 2013, tivemos o menor número de candidatos da última década. O maior número de candidatos verificado este ano, sinal de crença e de ambição dos jovens e das famílias, ainda está muito longe dos mais de 53.000 registados em 2008. Ainda assim, o Estado não correspondeu à vontade de maior investimento individual e familiar nas qualificações de nível superior. Consequentemente, o melhor número de candidatos colocados este ano está ainda longe dos 45.592 colocados no concurso de 2009. Aliás, o que estava a verificar-se nesses anos era uma procura crescente, dos jovens e das famílias, a exigir mais investimento do Estado e maior capacidade de resposta das instituições de Ensino Superior.
Todos os dados que citei constam dos detalhes duma nota informativa produzida e publicada pela Direção-Geral do Ensino Superior. Porém, nada disto passou nas notícias repetidas acriticamente pela comunicação social de maior expansão. Isto também é preocupante. Compreende-se que os gabinetes de comunicação ministeriais enviem à imprensa notas informativas minimalistas que privilegiam apenas os destaques positi- vos. Pelo contrário, percebe-se mal que os órgãos de comunicação social se reduzam, preguiçosa ou ingenuamente, a funcionar como meras caixas-de-ressonância desses gabinetes. Pois a notícia também era… Aumentou o número de candidatos que ficaram sem colocação.
Neste contexto, devo deixar um elogio e um reconhecimento público à comunidade educativa da minha Escola. As famílias e os jovens que servimos também fizeram uma maior aposta no ingresso no ensino superior. Também aumentamos o número de candidatos colocados, de 160 para 180, e superamos largamente, uma vez mais, o valor nacional de sucesso nas candidaturas, com uma taxa de colocação de 96,3%, ou seja mais de nove pontos percentuais acima da já referida taxa nacional de 87,1%. Dito doutra forma, não tivemos um aumento de candidatos não colocados, tivemos uma diminuição, e se, em 2014, ficaram sem colocação 5,9%, este ano foram apenas 3,7%. Além disso, cerca de 88,9% dos nossos candidatos ficaram colocados numa das suas três primeiras opções. O indicador nacional homólogo foi de 84,4%. Finalmente, numa aposta que aplaudimos, cerca de 55,6% dos nossos candidatos optaram pela nossa Universidade do Minho e ajudarão, certamente, a consolidar a sua cada vez maior notoriedade entre as universidades novas no panorama nacional e internacional.
Por tudo isto, além do trabalho e ambição dos nossos alunos e do esforço das suas famílias, quero também tornar público o elogio aos profissionais docentes e não docentes que incentivam os nossos alunos a estudar e, em particular, ao Gabinete de Apoio ao Aluno e às Famílias, que os acompanha individualmente ao longo de todo o processo de candidatura. Bem hajam! Pelo menos para eles, não foi preciso “retocar” as notícias...

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