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Retrato de Portugal, segundo a OCDE

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Ideias

2014-03-21 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Esta semana publicou a OCDE um relatório em que ressalta o retrato de Portugal. Assim, o desemprego é de 17,7%; os rendimentos anuais das famílias desceram acentuadamente de 2007/2008 para 2013; as despesas em apoios sociais não param de descer; outro tanto acontece com as despesas de saúde. Entretanto, a confiança no Governo e nas instituições politicas baixa para níveis não comparáveis com a dos outros países europeus e da OCDE.
Em conclusão, segundo o relatório da OCDE, acentua-se a degradação de vida dos portugueses. E não se trata da opinião dos setenta vencidos da vida que assinaram o manifesto para a restruturação da divida. Não. Trata-se de números analisados por especialistas internacionais. O Governo bem quererá negar as conclusões do relatório. Segundo o Primeiro-Ministro, Portugal está no bom caminho, apesar do empobrecimento contínuo. As vidraças dos Ministérios foram substituídas por espelhos, que reflectem as suas crenças ideológicas e os seus interesses, mas não deixam ver o país. Os portugueses não existem para os governantes. E a comunicação social, em geral, ajuda a mitificar a realidade.
Não sabemos o que vai acontecer nas eleições. O país parece adormecido e resignado, mas não confia nas instituições políticas. E como pode confiar num governo que faz os reformados e os funcionários públicos pagar a crise, através da criação de um imposto especial, isto é, a subida da ADSE; como pode confiar no sistema judicial que deixa prescrever os grandes processos e as vigarices dos poderosos; como pode confiar no parlamento que mais parece um rebanho que vota com a voz do dono; como pode confiar nas entidades reguladoras que nada regulam.
E, todavia, a confiança é um elemento importante no sistema político, supondo a aceitabilidade das decisões politicas. A crise de legitimidade pode ser ultrapassada com o recurso a eleições antecipadas. Mas quando a alternativa é frágil ou não existe, há a necessidade urgente de reformulação em profundidade do sistema político. O manifesto dos setenta podia constituir uma oportunidade de criação de alternativa, mas o sistema rejeitou-a. Resta a ruptura.

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