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O espantalho

Voz às Escolas

2015-10-22 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Há momentos em que a necessidade de partilhar os problemas com que os líderes das escolas se debatem é tão forte que, perante a oportunidade de o fazermos, bloqueamos, sobretudo quando são tantos os constrangimentos que ficamos numa encruzilhada, sem saber por onde começar.
Temos que reconhecer que não há grandes novidades na elencagem de constrangimentos, havendo, isso sim, um aumento exponencial do alcance dos problemas que temos que enfrentar e, a bem daqueles que são, indiscutivelmente, a razão da nossa missão, que solucionar - os alunos.
Claro que, em matéria de soluções, a tutela espera de nós atos de pura magia que minorem os efeitos da real falta de soluções em matérias em que os líderes mais não são do que meros executores das vontades de quem, embora sujeito a críticas mais ou menos justas, questão que não vem ao caso analisar, não tem que enfrentar, cara a cara e dia a dia, a insatisfação das famílias, dos alunos, do pessoal não docente e do pessoal docente das escolas que representamos, para quem o único rosto visível são os diretores das escolas.
E assim, à falta de tempo e de meios para enfrentar os decisores, responsabilizam os executores, tarefa bem mais fácil e bem mais ao alcance de todos, exigindo-lhes respostas para problemas que, em muitos casos, já têm barbas, como diz o povo.
As instalações são deficitárias e as salas já não respondem às exigências de um ensino que se pretende apelativo para alcançar o sucesso desejado, que não se compadece com as condições em que ensinamos mas apenas com estatísticas? Aguardemos que a esmola chegue e que, chegando, sejam respeitadas as prioridades de intervenção e as promessas feitas que, de tantas vezes adiadas, levaram a que o descrédito se instalasse, de tal forma que já estamos como S. Tomé, ver para crer.
Os equipamentos informáticos estão caducos e não há condições para a utilização das TIC em contexto de sala de aula, não obstante a “obrigatoriedade” e a não menor vontade de recorrer às novas tecnologias para proporcionar aos alunos aulas mais criativas e mais potenciadoras de uma formação mais abrangente em que os alunos se revejam? Expliquemos aos alunos e aos respetivos encarregados de educação que não estamos autorizados a substitui-los e eles continuarão convictos de que não somos capazes de fazer uma correta gestão do orçamento “avultado” de que somos dotados, anualmente, tendo em conta que há escolas que têm muito mais do que seria expectável, resultante dos critérios discricionários utilizados na aplicação das verbas direcionadas para a requalificação de tantas escolas por esse país fora.
O número de assistentes operacionais é diminuto face às necessidades das escolas e o existente sente o cansaço próprio de uma longa carreira, não sendo possível dar resposta a todas as necessidades, sendo de especial destaque a supervisão dos alunos e, de entre estes, dos alunos diferentes que frequentam as escolas, muitos dos quais necessitam de um acompanhamento quase permanente, o que os pode colocar em risco? Verifiquem-se os ratios e exija-se mais a quem já não pode oferecer mais, sob pena de ter que recorrer aos atestados médicos, esse tipo de situação que não dá direito a substituições e, consequentemente, complica ainda mais a situação e sobrecarrega ainda mais os resistentes. E, não esqueçamos que ainda há que explicar aos encarregados de educação, que beberam a informação de que os funcionários públicos têm uma boa vida, que não temos elementos suficientes para garantir que os alunos permanecem, em total segurança, nas escolas.
Enfim, competências que só um diretor detém…autonomia que só os entendidos entendem.
E, com isto tudo, os diretores gastam a esmagadora maioria do seu tempo a tentar explicar o inexplicável, a tentar motivar e a agradecer o esforço, que chega a roçar o desumano, de todos quantos dão o melhor de si na defesa da escola pública, sendo-lhes limitado o direito a exercer a função para a qual se candidataram, cumprindo a missão que assumiram, cientes de que o exercício de um cargo de liderança implica sempre vencer obstáculos e lutar para atingir objetivos, mas na esperança de que os problemas para os quais nada serve ter autonomia seriam analisados e solucionados, com justiça, por quem detém poderes para o fazer.
A EB2,3 Professor Gonçalo Sampaio comemora, este ano, 45 anos de existência, 31 dos quais nas atuais instalações. Quem sabe, desta vez, as promessas se cumpram, fazendo-se justiça aos milhares de alunos que por aqui vão passando?!
Creio que sonhar ainda não está sujeito a qualquer sanção, sobretudo quando se encontram, no sonho, forças para continuar a lutar pelos direitos de uma Comunidade Escolar de Excelência. Por isso, deixem-me sonhar….

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